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Papa ordena publicação de arquivos sobre a ditadura argentina

30 abr, 2015 - 18:09

Igreja tem muita informação sobre os casos de pessoas "desaparecidas" durante a ditadura militar. As famílias esperam que com a abertura das pastas seja possível saber o que aconteceu.

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O Papa ordenou a abertura e divulgação dos arquivos do Vaticano relacionados com a ditadura militar na Argentina. A decisão foi confirmada pelo padre Guillermo Karcher, que trabalha de perto com Francisco e que também é argentino, e seguiu-se a uma audiência privada concedida a Lita Boitano, uma activista que perdeu dois filhos durante a era do regime militar.

O Vaticano tem um extenso arquivo sobre este período, baseado sobretudo em informação coligida pela sua nunciatura, ou representação diplomática em Buenos Aires. O núncio apostólico da altura era próximo de muitas figuras do regime militar e por isso servia muitas vezes de intermediário entre as famílias dos "desaparecidos" e os oficiais, na tentativa de conseguir mais informação sobre o seu paradeiro. Todas estas actividades eram meticulosamente apontadas e enviadas para Roma.

A estimativa aponta para cerca de 20 mil pessoas "desaparecidas" - ou seja, raptadas e assassinadas sem deixar rasto. As famílias esperam agora que a abertura do arquivo ajude a esclarecer os mistérios sobre o seu destino.

Lita Boitano diz que o Papa lhe prometeu que o Vaticano iria abrir os arquivos e agendou um encontro entre ela e o responsável por este departamento, o padre Giuseppe Laterza. Embora esta mãe tenha pedido o acesso imediato aos documentos, Laterza disse-lhe que na melhor das hipóteses eles devem ser abertos, para consulta pelo público, dentro de um ano.

"Disse-lhe que tenho 83 anos e que a maioria das mães e dos pais dos 'desaparecidos' ainda vivos têm mais de 80 anos também. Não nos podemos dar ao luxo de esperar mais tempo", disse Boitano em declarações reproduzidas pelo jornal inglês "The Guardian".

Lita Boitano acredita que nos arquivos se encontra muita informação útil e recorda um encontro que teve com um oficial do Vaticano em 1979, ainda durante a vigência da ditadura. "Quando lhe dei o meu nome ele saiu e voltou rapidamente com um dossier com uma ficha com o meu nome. Tinha todos os detalhes sobre os meus filhos e as datas exactas em que foram raptados. Sabiam exactamente quem eu era."
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