Temos medo.
Sufoca-nos o desemprego, os aumentos incontroláveis, os mais velhos sozinhos...
Os dias são noites de incerteza.
Já em casa, qualquer canal nos serve para «fazer de conta».
Olhamos sem ver. Ouvimos sem escutar.
Ontem, na farmácia, dois ou três clientes disseram a medo: "Não posso levar tudo. O que é que faz mais falta?"
A prescrição por aviar...
O tratamento sem efeito...
Para todos plantaste, Senhor, a mesma vinha,
proclamaste o mesmo Reino
e dividiste o pão.
Nesta quarta-feira de Quaresma,
quero dizer sim aos gestos de partilha.
Talvez bata a uma porta do meu bairro. Farei de conta que é engano. Arrisco.
Pode ser que alguém oiça a minha voz e que isso lhe saiba bem.
Não vou mudar o mundo.
Mudo o meu dia e talvez o dum irmão.
Por Tua graça, crava em mim este desassossego.
Das nossas mãos unidas nascerá
vida e justiça
em abundância.
Maria Teresa Frazão