Diante de mim erguia-se imponente a montanha em contra-luz
com o sol da meia tarde a desenhar com rigor os seus cumes.
É impossível ficar indiferente a estes sinais de beleza
que afirmam a Presença do Amor criador do nosso Deus:
Ele estava ali diante de mim, fielmente belo.
Foi com este mesmo Amor que Ele me quis à Sua imagem e semelhança.
E assim nasceu do mais fundo de mim uma torrente de perguntas:
que sinal manifesta a minha vida?
de que fala a minha vida, o meu comportamento, o que digo e o que faço?
quem me vê, o que é que vê?
Nunca antes fizera um exame de consciência
provocado pelo confronto com a natureza,
a exigir de mim respostas pela «medida alta» da perfeição.
Não tinha por onde fugir, não me deixava margem
para complacências ou comiserações:
era eu e a verdade.
A crueza do confronto tornou tudo mais evidente:
erros e distracções; juízos injustos, palavras que deveria ter calado,
e gestos de caridade negados.
À dor do pecado sobrepôs-se a misericórdia que se manifestava diante de mim
naquela contemplação que não me é negada nunca,
por maior que seja o meu pecado...
tal como o perdão que Tu nunca me recusas, Senhor!
Rui Corrêa d’Oliveira