Quando rezo, quase sempre, peço.
São orações carregadas de pedidos,
o que é justo e razoável, dada a minha frágil condição de criatura.
Mas a questão não está no pedir.
O que peço é que é a questão.
Peço, por regra, o que me parece justo pedir.
Mas esqueço-me de pedir aquilo de que mais preciso: a sabedoria.
A mesma que pediu o Rei Salomão: aquela sabedoria que só Deus dá.
Aquele saber olhar a vida, as pessoas e as coisas
como fazendo parte do Seu projecto para mim.
Olhar alegrias e tristezas, dores e sofrimentos, sucessos e derrotas,
não como simples contingências, mas como convites e desafios
sem os quais se não cumpriria a minha história e o meu caminho.
Ainda que duras, são boas. Ainda que incompreensíveis, são boas.
Ainda que me peçam a coragem que me falta e as forças que não tenho,
tudo concorre para o meu bem.
Mas se o Senhor me conceder a Sua sabedoria,
a dor continuará a doer e a alegria a alegrar,
mas tudo ganhará sentido e a paz virá...
e há-de encher o meu coração.
Rui Corrêa d’Oliveira