As sociedades dos países ditos “desenvolvidos”, nos quais nos incluímos, são sociedades vorazes, consumistas, que nos esvaziam até à medula, distraindo-nos de nós, da construção de cada um como projecto único, como história singular.
São tantas as preocupações e ocupações de cada dia, que se torna difícil criar espaço para conviver connosco próprios. Temos de responder às solicitações da família, da profissão, da sociedade e, isto, num tal ritmo e absorvência que nos aliena de nós mesmos.
Olhamos com estranheza para nós; não nos sentimos bem na nossa pele; uma sensação difusa de insatisfação torna-nos vulneráveis. “Onde estou eu no meio disto tudo?”, apetece perguntar. “O que tenho eu a ver com isto?”. “Nunca pensei chegar a este ponto…”. Para quê tudo isto?”. Talvez valha a pena procurar energias para tentar responder a estas perguntas. Talvez, nesta busca de respostas, encontremos o princípio do caminho que nos conduz à raiz de nós mesmos. Talvez ocorra, então, o encontro com esse ser estranho, mas extraordinariamente singular, que é cada ser humano no mundo.
Isabel Varanda