​Defeito de produção dá origem a vinho raro
Editado por Olímpia Mairos
Inserido em 28-06-2017 22:07

Adega de Figueira de Castelo Rodrigo vai lançar nectar da variedade "pinking", que resulta do “aparecimento de uma cor rosa-salmão em vinhos produzidos exclusivamente de uvas de castas brancas”.

Chama-se “pinking” e é uma categoria de vinho muito rara, porque não pode ser produzida todos os anos. Vai ser lançado pela Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo.

O que se pensou inicialmente ser um “defeito” de produção, deu origem a uma “nova categoria de vinho única no mundo”, refere Jenny Silva, enóloga da Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo.

Tudo começou em em 2014. Jenny Silva, estudante de mestrado de Enologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), identificou o fenómeno “pinking” em conjunto com Fernando Nunes e Fernanda Cosme, docentes e investigadores do Centro de Química da UTAD.

“Pinking” quer dizer defeito e é historicamente conhecido pelo processo de “aparecimento de uma cor rosa-salmão em vinhos produzidos exclusivamente de uvas de castas brancas”.

É um processo natural e está “relacionado com as condições climáticas, nomeadamente a temperatura média dos dez primeiros dias do mês de Outubro, processo coincidente com o final de maturação das uvas brancas nesta região”, explica o investigador da UTAD, Fernando Nunes.

São precisamente estas condições que, segundo o investigador, tornam esta categoria de vinho “tão rara e passível de não poder ser produzida todos os anos, já que em caso de temperaturas médias altas, ou pluviosidade neste período, o fenómeno não ocorre ou ocorre em menor escala”.

A criação da nova categoria de vinho, que adoptou o nome do fenómeno, vai ser lançada a 7 de Julho, pela Adega Cooperativa Figueira de Castelo Rodrigo que, entretanto, adquiriu a patente à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

O vinho Castelo Rodrigo Pinking 2016 é um DOC, exclusivamente vinificado a partir da casta branca Síria, a casta de eleição na Região Demarcada da Beira Interior, apresentando “aroma frutado e boca equilibrada com final harmonioso”.

“As vantagens da criação deste novo vinho são muitas, sobretudo para a Adega”, afirma o seu director, António Madeira, que, confrontado com um problema comum na sua região, a cor rosada do vinho branco, cujo tratamento implicava um processo de estabilização associado a elevados custos, deu “luz verde” à UTAD para estudar e identificar a base desta instabilidade.