António Costa descarta investimento de 2% do PIB na NATO
Inserido em 11-07-2018 16:11

O primeiro-ministro, que está em Bruxelas para a cimeira com os parceiros da aliança atlântica, diz que a reunião será um fracasso se for transformada num jogo de pingue-pongue e desvaloriza declarações de Trump.

O primeiro-ministro António Costa comprometeu-se, esta quarta-feira, com 1,66% do PIB para a Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), até 2024, numa carta entregue ao secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg.

O Primeiro-Ministro vai apresentar em Bruxelas um "quadro anualizado de convergência com o compromisso que foi assumido em 2014 na Cimeira de Gales, um quadro de evolução gradual, sustentado, e compatível com as diferentes necessidades orçamentais do país nos mais diversos domínios". O líder do Governo considera a proposta que pretende apresentar uma forma "responsável e credível" de "cumprir as nossas responsabilidades".

A proposta de valores que vão apresentar até 2024 é, segundo Costa, viável e consistente com o aumento progressivo de investimento. "Procuramos construir um quadro que simultaneamente procurasse reforçar as capacidades das forças armadas em assegurar a soberania nacional e, em particular, a proteção dos vastos recursos marítimos a nosso cargo e, por outro lado, que pudesse constituir um instrumento de reforço do nosso sistema científico e também da nossa indústria", explica António Costa.

No entanto, António Costa não descarta a possibilidade de vir a contribuir com até 1,98%, caso o país consiga obter os fundos comunitários no próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, ou seja, para o período de 2021 a 2027.

Os dados disponibilizados pela NATO indicam que Portugal dispendeu 2 398 milhões de euros em despesas para a Defesa, o que equivale a 1,24% do PIB. Para este ano, está previsto um aumento para 2 728 milhões de euros, o equivalente a 1,36% do Produto Interno Bruto. Em 2019, António Costa quer investir 1,41% da riqueza nacional na Aliança Atlântica.

A carta entregue à NATO também inclui 1 000 milhões de euros para a área da investigação e desenvolvimento, “com um potencial de incidência em áreas tão diversas quanto a indústria, as ciências do espaço, o desenvolvimento de viaturas não tripuladas submarinas ou aeronáuticas, ou o desenvolvimento de calçado técnico em setores em que a indústria nacional se tem especializado”. Este valor será aplicado num "conjunto de produtos e serviços que sejam utilizáveis não só pelas nossas Forças Armadas, mas também por outras e por civis", destacou Costa, que espera um retorno de 3 800 milhões de euros em exportações.

Trump é um "colega" que tem "um comportamento algo diferenciado"

António Costa reagiu às acusações de Donald Trump aos países que não estão a contribuir com o mínimo de 2% do PIB para a Defesa da NATO. Em Bruxelas, Costa adverte para que não se entre num “concurso de mimetismo” e para que não se perca a racionalidade.

"Nós não devemos perder a racionalidade, porque a racionalidade é aquilo que nos distingue e deve estar presente em todos os momentos da vida política. Nem devemos entrar num concurso de mimetismo com o comportamento de uns ou de outros. Eu acho que, se entrarmos nesse concurso, seguramente o resultado final só pode ser um enorme fracasso nesta cimeira. Aquilo que nós desejamos é que esta cimeira seja um sucesso", assevera o Primeiro-Ministro, que se fez acompanhar pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e pelo ministro da Defesa, em Bruxelas.

Em resposta ao Presidente norte-americano, que se insurgiu contra os países da Aliança Atlântica que não estão a cumprir com os 2% do PIB acordados para assegurar a defesa da NATO, Costa salienta que é preciso "não valorizar a idiossincrasia de uns e de outros".

O primeiro-ministro aventou, ainda, que não se ganha nada em transformar a cimeira num "jogo de pingue-pongue" e comparou Trump a um "colega" que tem "um comportamento algo diferenciado relativamente àquilo que é o padrão comum".