O Natal segundo José
Inserido em 22-12-2017 15:28

Não somos senhores de nós mesmos, nem nunca seremos bons juízes dos outros, por maior que seja o esforço e melhor a intenção.

Muitas vezes, o amor exige que nos façamos invisíveis, quase insignificantes, tornando-nos num suporte do outro. Um instrumento escondido da sua vida.

Em alguns pontos da nossa existência, somos confrontados com situações exigentes, que julgamos estar acima das nossas forças e talentos. Com ponderação, repudiamos essas possibilidades quase impossíveis. Mas eis que, num sonho, nos é dado a ver que a vida é tecida de milagres que ultrapassam a nossa capacidade de compreender! E avançamos, porque alguns milagres dependem apenas de nós, para se fazerem verdade.

Há um fio invisível que nos liga ao futuro. Por vezes estica, outras vezes sentimos os seus nós, mas é muito forte, inquebrável, e impede-nos de cair nos buracos mais fundos da existência. Puxa-nos para o alto, ainda que de forma muito delicada e subtil! Contudo, a nossa vontade é sempre respeitada, até ao ponto de podermos cortar essa linha.

Algumas pessoas entregam o seu coração ao egoísmo e ao orgulho, julgando que são juízes de si mesmas e que a ninguém mais terão de responder. Outras pensam que é a opinião dos outros que importa impressionar e conquistar. Ora, não somos senhores de nós mesmos, nem nunca seremos bons juízes dos outros, por maior que seja o esforço e melhor a intenção.

Neste nosso mundo, ainda há muita gente que não se envergonha pela miséria alheia. Não se alegra com as vitórias justas dos outros, nem percebe que cabe a cada um juntar umas quantas pedras na construção do mundo…

A ternura e a humildade não são coisas de fracos, antes, sim, virtudes dos mais fortes. Dos que não precisam de maltratar ninguém para se sentirem importantes.

Com paciência e tranquilidade, chega-se sempre à hora certa… e a luz aparece.

O silêncio de quem acredita que a sua presença faz a diferença é a paz absoluta. A simplicidade de alguns gestos, como ajudar o outro nas tarefas mais simples e vulgares, são quase milagres. É estranho e curioso, mas as pessoas, na sua vontade de complicar sempre, julgam que o essencial é tão básico que até pode ser deixado para trás!

Com o nascimento do milagre absoluto mesmo diante de nós, o que nos é pedido? Que estejamos presentes, em silêncio e cuidando do simples. Nada de mais, nada de extraordinário.

Claro, estar no lado do bem implica resistir aos ataques dos que estão nos outros lados.

Será que importa que mais alguém saiba o que fazemos de bom? Não, somos nós quem mais ganha com isso. Para quê vaidade?

Cumpre-nos fazer o que estabelecemos como nosso dever, aceitando tudo o resto, porque pouco mais depende de nós.

Quando nada mais podemos fazer, devemos entregar o assunto a Deus... e ir dormir.

Quem se esforça por querer o que Deus quer, anda muito perto do céu.