É verdade que o ensaio geral do estádio da Luz não correu bem, foram cometidos erros em demasia, veio ao de acima alguma ansiedade que parecia ter sido banida já há algum tempo.
Importa frisar, mais uma vez, que não se exige aos jogadores portugueses que regressem do Euro-2012 aureolados com o título de campeões.
Seria estultícia ir por aí, já que todos reconhecemos quais as possibilidades e os limites desta selecção.
Há favoritos em patamares bem mais elevados que o nosso, com uma consistência que a equipa nacional não tem revelado e não tem mesmo capacidade de atingir.
Vão longe os tempos em possuímos jogadores de qualidade em elevado número.
Por agora, temos de nos contentar com uma super-estrela, Cristiano Ronaldo, e mais um punhado de bons companheiros, que no entanto não chegam para fazer uma equipa que dê garantias de que pode conquistar o título.
O jogo com a Turquia confirmou algumas dificuldades que já se haviam manifestado uma semana antes frente à Macedónia na linha, aliás, de uma falta de produção que lança sobre a selecção o anátema da incapacidade de chegar aos triunfos que obrigariam o mundo a abrir a boca de espanto.
Erros defensivos com que não se contava estiveram na base do fracasso de sábado passado, porque quanto ao meio campo todos sabemos constituir desde há muito o nosso calcanhar de Aquiles, e com um ataque eternamente dependente da inspiração de Cristiano Ronaldo.
O jogo que se segue, já a sério, com a Alemanha, poderá inverter o sentido das coisas.
Mesmo mantendo a tendência de fazer assentar o nosso jogo nas transições rápidas em detrimento do sentido de posse de bola, que constituiu a base da força da nossa selecção em tempos não muito remotos, quando tinha jogadores capazes de obedecer a esse processo, o factor surpresa pode entrar em campo com a obtenção de um golo muito cedo.
Não é, pois, tempo de dramatizar, mas antes de confiar em todos, a começar pelo seleccionador que já deu provas suficientes de que não se deixa abater por imponderáveis, antes é capaz conservar a tranquilidade que ajude a reverter a situação de pouca crença que por estes dias parece ter-se apoderado de uma grande parte dos portugueses.