Os últimos clássicos do futebol português, em que intervieram os três grandes, distinguiram-se invariavelmente pela ausência de polémicas, o que trouxe aos espectáculos um clima de grande tranquilidade, a proporcionar aos seus intérpretes um ambiente saudável e a recomendar-lhes que apenas se preocupassem em jogar futebol.
E os jogos a que assistimos nos tempos mais recentes marcaram de facto alguma diferença em relação a outros em que, sobretudo os dirigentes, “entravam” em campo muito antes do apito inicial dos árbitros, para incendiar o ambiente com declarações quase a prenunciar autênticas guerras, das quais ninguém acabava por recolher proveitos.
Em vésperas de Benfica-Sporting bem pode dizer-se que estão de regresso práticas que marcaram os velhos tempos.
E assim, a decisão discutível dos dirigentes encarnados de instalar no estádio da Luz uma rede de segurança para albergar os adeptos da equipa visitante, provocou de imediato reacções que se deseja não venham a ter consequências desagradáveis.
Não se discute a razão deste novo modelo de segurança e, por extensão, a sua oportunidade, ambas da exclusiva responsabilidade dos dirigentes do Benfica.
No entanto, a iniciativa bem poderia e deveria ter sido antecedida de algumas explicações.
Assim, do modo simples como tudo se passou, fica a ideia de que a intenção foi visar o Sporting pelo atrevimento de ter solicitado mais bilhetes para o jogo do que aqueles a que eventualmente teria direito e, por outro lado, refrear um pouco o entusiasmo que o momento actual da sua equipa leonina transmite aos adeptos.
Contundente e rápida, a resposta dos dirigentes de Alvalade, não deixa porém de se transformar num convite a possíveis hostilidades.
Primeiro, porque devolveram os habituais convites para ocupar lugares de destaque na tribuna de honra do estádio da Luz, antes optando por assistir ao jogo misturados nas bancadas com os adeptos, depois porque rejeitaram o tradicional convite para se juntarem aos seus parceiros benfiquistas num almoço convívio, afinal uma tradição de muitos anos.
A polémica era, por isso, evitável.
E, já que os dirigentes não foram capazes de evitar estas picardias, só se espera e deseja que os jogadores, dentro e fora do campo, sejam interpretes de um jogo saudável e de qualidade que dignifique o futebol e ajude a reforçar o prestígio do nosso campeonato.