Temos, sinceramente, muitas dúvidas sobre se muitos dirigentes dos clubes de Lisboa sabem sequer onde fica a sede da sua Associação Distrital de Futebol. Dúvidas que sobem exponencialmente em relação aos clubes ditos grandes, cujos principais responsáveis jamais terão sido vistos por semelhantes paragens.
Pois bem, a guerra que se segue tem exactamente a ver com aquele organismo, estando já a correr a pretensão de realizar uma assembleia-geral extraordinária com o único objectivo de destituir o seu Presidente, sob a alegação de que este se propõe apoiar a lista de Carlos Marta concorrente às eleições para a Federação Portuguesa de Futebol.
Ainda que subscrita por apenas quinze clubes, num universo que vai para além da centena, é de todo legítima a iniciativa. E, para mais, sustentando-se numa decisão unilateral do Presidente da Associação que, por sinal, passou a integrar também a lista de que se manifestou apoiante.
Haverá todas as razões para o descontentamento que reina pelas bandas da capital. Que será ainda mais aceitável se o processo de escolha do candidato federativo a apoiar decorreu dentro de um consenso alargado e, sobretudo, muito participado, o que poderá não ter sido o caso. Caberá, então, falar-se de coerência: se os clubes apontaram num determinado sentido, não há qualquer justificação para que seja alterado e, muito menos, por decisão uni-pessoal.
Mas, porque se fala em coerência, ocorre perguntar também como classificar a decisão de alguns renomados dirigentes lisboetas, que sempre fugiram do actual Presidente da Comissão de Arbitragem da Liga como o diabo foge da cruz, e que, de repente, se transformaram em seus indefectíveis apoiantes no acto eleitoral que se segue?
Atitudes controversas nem sempre fáceis de explicar e muito menos de entender.