O caso do ministro que, supostamente, terá pressionado e ameaçado uma jornalista do “Público” acabou como se previa: sem provas.
Miguel Relvas foi julgado politicamente. Talvez políticos e jornalistas tenham algo a aprender com isto.
As jornalistas do “Público” disseram à Entidade Reguladora da Comunicação Social que Miguel Relvas ameaçou o jornal com boicotes de informação e com a divulgação de pormenores da vida privada de uma jornalista. Mas o ministro negou tudo.
A ERC, cujos membros são eleitos por proposta dos dois maiores partidos, PSD e PS, partiu-se na votação, a preceito. Os propostos pelo PSD ilibaram o ministro. Os do PS não. A maioria ganhou. Tudo demasiado previsível.
O ministro pagou o desgaste político e o julgamento da opinião pública. E o “Público” exibiu divisões internas sobre o caso: primeiro, a directora desvalorizou-o; depois, ajudou a incendiá-lo.
Como pano de fundo, há duas certezas: evitar excessivas proximidades na relação entre políticos e jornalistas é preventivo. E pôr um ministro em sentido sempre que este tente pressionar é um direito elementar ao dispor de qualquer jornalista. Nem é preciso grande coragem.
Se se cumprir o básico, evitam-se grandes histórias. E desfechos como este: tanta conversa para nada.