O desleixo com que se deixou que milhares de eleitores ficassem sem saber onde votar e, agora, o mistério insondável do desaparecimento de 60 mil votos na publicação dos resultados eleitorais revelam incompetência a mais para que possamos acreditar na tese do erro.
Trinta e sete anos depois do 25 de Abril, é lamentável que se conduzam eleições como se fossemos a última das democracias num qualquer país do terceiro mundo, a precisar de todos os cuidados de observadores internacionais.
E o caldo de cultura em que estes episódios se passam dá-nos os piores sinais quanto ao futuro: o presidente do Comissão Nacional de Eleições justifica o desaparecimento de 60 mil votos como um erro grosseiro que não foi tido em conta para não atrasar a tomada de posse do Presidente e o poder político, à excepção do PCP, comeu e calou, porque, afinal, o apagão socialista não abanou o status quo.
Limitou-se a estragar a vitória ao Presidente, por quem, afinal, ninguém se quer atravessar.