Por não ter cumprido os requisitos financeiros do organismo, aquele clube de Istambul está impedido de tomar parte nas competições europeias no decorrer do próximo ano, apesar de para isso ter alcançado a qualificação.
É um rude golpe para o clube mais “português” da Turquia, que conta nas suas fileiras com Simão Sabrosa, Hugo Almeida, Quaresma, Manuel Fernandes, Júlio Alves e Bebé, além de já ter sido treinado por Carlos Carvalhal, até há pouco mais de um mês.
A pena viria entretanto por ser reduzida, uma vez que a suspensão chegou a estar prevista para dois anos, acrescida de uma multa pecuniária considerável.
Há muito que o futebol na Turquia dá sinais de ruptura.
Seguindo uma política louca de salários incomportáveis, muitos clubes daquele país encontram-se à beira da bancarrota, viram a publicidade reduzida drasticamente, e cada vez mais se debatem com problemas judiciais decorrentes da insatisfação de muitos compromissos.
Tanto quanto se sabe, apenas os jogadores considerados estrelas, e por isso fundamentais para que a actividade não cesse, têm os seus ordenados mais ou menos em dia. E, neste número, incluem-se preferencialmente os estrangeiros, que fizeram incluir nos seus contratos cláusulas muito rígidas, a cujo cumprimento é difícil escapar.
Mais tarde ou mais cedo, este mal irá alastrar a outros países, sobretudo aos de menores recursos.
E Portugal também corre o risco de se ver incluído neste lote, uma vez que já são públicas, há muito tempo, as dificuldades por que muitos dos seus clubes estão a passar.
Avisada anda a UEFA ao iniciar uma operação que tem por objectivo estancar esta sangria que está a colocar em dúvida a sua própria sobrevivência.
Pelos vistos só com acções de força, o organismo que rege o futebol europeu será capaz de reencaminhar o futebol para posições adequadas à sua capacidade, guiando-se por regras e princípios que foram a sua imagem de marca ao longo de muitas décadas.