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Graça Franco

Má memória

Opinião de Graça Franco

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Podemos aceitar acordar cada dia mais pobres, mas não podemos nem devemos admitir a possibilidade de poder acordar um dia destes menos livres.
23-05-2012 8:55
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Um ministro que tutela a Comunicação Social pode, como qualquer cidadão, processar jornais ou apresentar queixa à Entidade Reguladora se se sente legitimamente caluniado ou perseguido, o que não pode é ligar para editores e directores a ameaçar com o silêncio dos seus pares e menos ainda com a revelação, pela net, de dados da vida privada de uma jornalista.

Porque isso não é apenas um claro e ilegítimo abuso do poder. E não cheira apenas a má consciência do visado no caso das secretas. É bem mais do que isso. É usar métodos próprios da polícia secreta do antigo regime e lembrar a Pide de má memória.

A Censura que se prolongou por décadas nunca foi defendida por ninguém. Salazar chegou a dizer-se sua vítima, como Carmona, e mesmo Marcelo, já em plena Primavera do regime mas incapaz de lhe por cobro, lá foi dizendo no mesmo coro que bem compreendia “a irritação” com o funcionamento da dita “ porque não há nada que um homem considere de mais sagrado do que o seu pensamento e a expressão do seu pensamento”. Todos sabiam.

Dispensam-se crises inventadas ou manobras de diversão mas não há emergência nacional que justifique o manto de silêncio cúmplice com os erros. Esse seria o pior serviço prestado ao país pelos que não querem, como dizia Sophia, fazer parte do tempo dos “coniventes sem cadastro”.

Sobre a acusação do "Público" à actuação do ministro Miguel Relvas não precisamos ouvir de Passos Coelho profissões de fé nos méritos da liberdade de imprensa. Precisamos de o ouvir pronunciar, tão só, e sem medo esta frase simples: “a ser verdade… obviamente, demito-o!”.
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Comentários (6)
  • » Joaquim Gil, Cano, 26-05-2012 23:00

    Caíu o carmo e a trindade, com a hipótese de um político tentar revelar publicamente factos da vida privada de uma jornalista, o que seria realmente condenável, mas eu pergunto à Srª D. Graça Franco, esta deontologia não deve ser recíproca?, quantas vezes jornalistas já entraram na vida privada de políticos?, já alguma vez a Senhora Jornalista denunciou algum deles?, será que a justiça só deve imperar na casa do nosso vizinho?, Relvas fez mal, ameaçou, não fez, mas há jornalistas que o fizeram mesmo!!
  • » Amora Bruegas, Lisboa, 24-05-2012 22:33

    "É usar métodos próprios da polícia secreta do antigo regime e lembrar a Pide de má memória." Sou do tempo em que a PIDE controlava a acção dos criminosos e tínhamos uma liberdade que entretanto se perdeu, nomeadamente do pensamento, dado que o regime era mais aberto do que os regimes socialistas, onde não havia oposição e um só pensamento. Referir que ela é de má memória, revela estultice e má fé, a não ser que se goste do actual ambiente de bandalheira, de criminalidade e de mendicidade em que o meu querido portugal caíu, estando a sque por aqueles no seu tempo estavam onde deviam, na cadeia! -Como estão no bordel de virgens (=S. Bento), como diz o Sr. Dr. Marinho e Pinto, os portugueses são saqueados, eu, há quase quarenta anos. Ao longo da minha vida, verifiquei que se tortura e mata mais com uma caneta, através da calúnia e da falsificação dos factos, do que com uma arma. Esta, é directa, aquela está mascarada, vai matando.
  • » carlos 84, Famalicão, 24-05-2012 20:14

    Sou admirador dos artigos da DR GRAÇA, também penso que o coração perto da boca do DR RELVAS o atraiçoou. No entanto discordo que este caso venha a ter qualquer perigo de haver censura em Portugal.Neste pais onde o insulto soes ao PR a todos os políticos que não sejam da sua cor,e até as pessoas que discordem deles,era realmente preciso haver censura para estas pessoas que só destilam ódio,e, inveja.Em todo o caso reafirmo o DR RELVAS meteu a pata na poça.
  • » Indignado, Tomar, 24-05-2012 0:01

    Sr.ª Graça -É aflitivo verificar a limitada cultura/ignorãncia que a maioria dos "jornalistas" têm sobre a censura em Portugal nos últimos cem anos, e quando sobre tal se fala, vem logo à baila a PIDE e o lápis azul, como se outras não tivessem existido antes ou depois... e muito piores. Actualmente, há mais de trinta anos, fala-se sem conhecer/saber..., porque só conhecem a versão dos prevaricadores, os quais, obviamente, contam a história como lhes convém. O lamentável, é que este comportamanto, cobarde, é em si uma forma camuflada de censura, e mais eficiente, pois actua pela calada, mascarada! -Uma prova de censura e mais do que isso, de lavagem ao cérebro, é por exemplo, a forma como a História é ensinada nas escolas às crianças (coisa que não se lhes fazia no E. Novo), ou o mau hábito que há em mudar os nomes às ruas, pontes, edifícios, etc..., substituindo discretamente, nomes de vultos da monarquia (ou do E. Novo) por maçãos, estalinistas, criminosos, corruptos,abortistas, etc..., mostrando a censura que existe! Democráticas hipocrisias!
  • » real filho de abraão, vieira do minho, 23-05-2012 22:20

    Não sou político. Também não sou juíz. Eu sei que se fosse juíz teria de ouvir o SUSPEITO ; o OFENDIDO e as TESTEMUNHAS. Depois, de muito RACIOCÍNIO , DITAVA a sentença. A senhora GRAÇA FRANCO, não é JUIZ, mas APRESSOU - se a ditar uma sentença condenatória PRECIPITADA! . Ainda bem que ela não é Juíz, se o fosse, portugal estaria ainda mais pobre. S.PEDRO, perguntou a JESUS CRISTO : mestre: quantas vezes devemos perduar?... Como já referi, não sou político nem FACCIOSO. Não conheço o dr miguel relvas. Mas, pela sua aragem, vejo que ele tem boas intenções. Quer acabar com muitos interesses instalados. Mas há muita resistência... O joio continua a fazer sombra ao trigo. Não quer que ele produza os seus bons frutos. ... Como católico, resta - me suplicar ao divino espirito santo para que ENCORAGE e ILUMINE os caminhos TORTUOSOS que o dr miguel relvas tem de APLANAR....
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  • » Fátima Ferreira, Lisboa, 23-05-2012 16:15

    Exma Senhora Drª Graça Franco: É sempre com muito gosto que vou seguindo as suas opiniões e comentários na Rádio Renascença.O de hoje fez-me dirigir-lhe estas simples palavras... Em boa hora tive a felicidade de a conhecer num Seminário (há já a alguns anos) e, posteriormente,de conversar consigo numa profícua reunião que nos concedeu na sede da ASPL, na 5 de Outubro. Ainda bem que há pessoas, como a Senhora Drª Graça Franco,com acesso à comunicação social, dotada de um profundo pensamento crítico, sem medo de chamar as coisas pelos nomes e com uma frontalidade e rigor verdadeiramente admiráveis! O meu enorme bem haja, Senhora Drª Graça Franco, pela maravilhosa pessoa e profissional que é! O nosso país precisa muito de pessoas assim... Atentamente, Fátima Ferreira

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