José Mourinho melhorou ontem um palmarés excelente de uma ainda curta carreira, ao ganhar o sétimo campeonato nacional em quatro países diferentes.
Tendo começado essa série em Portugal, ao serviço do Futebol Clube do Porto, com dois títulos averbados, prosseguiu na Inglaterra com outros tantos à frente do Chelsea, confirmou com mais duas vitórias na Itália no comando do Inter de Milão, e tirou dúvidas, se as havia, em Espanha, recolocando a taça de campeão na vitrina do Real Madrid, onde aliás não entrava há três anos a fio.
É um feito histórico com uma marca pessoal muito importante, mas é também um factor de prestígio para o futebol e para a classe dos treinadores portugueses, que muito têm beneficiado através de contratos vindos de várias partes do mundo.
Apesar de tantos e tão repetidos sucessos, não tem sido fácil o percurso de José Mourinho. Pelo caminho têm-se-lhe deparado as maiores dificuldades que só a sua enorme capacidade, aliada a uma personalidade muito forte, tem sabido ultrapassar.
Ninguém é indiferente ao actual técnico do Real Madrid, e por isso tropeçamos todos os dias com as mais diversas polémicas que actos ou palavras suas desencadeiam, e que a comunicação social e as redes sociais ampliam de forma desmesurada.
Na Espanha, sobretudo, o seu percurso não tem sido particularmente fácil.
À rivalidade existente entre os dois maiores baluartes do futebol do país vizinho, junta-se ainda uma aversão ancestral aos portugueses de sucesso que neste caso se reflecte todos os dias de forma indisfarçável no plano do futebol.
Aceitemos, porém, que José Mourinho também tem dado um forte contributo para muitas reacções que não raras vezes atingem as raias do paroxismo.
Por mais um ano, pelo menos, deverá permanecer à frente dos destinos do futebol madridista.
Como um insaciável conquistador de louros, partirá depois em busca de nova aventura, não só para ampliar mas também para o confirmar como o melhor treinador do mundo que actualmente já é.