O encanto do futebol revela-se muitas vezes nas situações mais inesperadas.
Torna-se, por isso, mais atractivo sobretudo quando a lógica cede lugar à imprevisibilidade e acontecem situações que o racional não domina.
Em dois dias consecutivos tivemos outros tantos desafios da Liga dos Campeões em que soçobraram todas as previsões que pareciam passíveis de concretizar e que a forma actual das quatro equipas presentes na compita recomendava.
Com a maior naturalidade, era uma final espanhola que se divisava no horizonte.
Nem o Chelsea parecia capaz de aguentar a magra vantagem com que viajara de Londres até à capital da Catalunha, nem outra hipótese se colocava para além do apuramento do Real Madrid, que amealhara na Baviera um golo que poderia tornar-se no "segredo do negócio".
Afinal, aconteceu tudo ao contrário.
Os madridistas sofreram na carne a dor de uma eliminação inesperada, enquanto o Barça deixou de novo à vista a incapacidade que já revelara dias antes no derby espanhol sempre mais desejado.
No caso do Chelsea, e perante o que se viu, poder-se-á dizer que não se tratou de um triunfo do futebol.
Aquela visão de uma equipa inteira, fechada na sua toca, sem permitir intrusões do adversário durante noventa minutos, não é o que se pretende para um espectáculo que deve assentar fortemente na espectacularidade.
Mas, em boa verdade, ao Barça também podem ser assacadas culpas de ter contribuído para essa negação, com um tipo de jogo repetitivo que acaba por se tornar demasiado previsível.
Já quanto à equipa de José Mourinho a situação é diversa.
A entrada confiante, reforçada por dois golos logo no dealbar da partida, acabou por trair quantos viram aí reforçado seu favoritismo.
Depois vieram as grandes penalidades, a estigmatizada lotaria do futebol.
E aí a taluda saiu aos alemães do Bayern, que assim realizam o sonho de jogar a final na sua casa e entre a sua gente.