Quando o ministro das Finanças explica, de manhã, que a suspensão dos subsídios de férias e de Natal é para vigorar em 2012 e 2013, e uma horas mais tarde, o Primeiro-ministro afirma, sobre o mesmo assunto, outra condição bem mais gravosa para os portugueses, alguém está a mais em cena, ou alguém nos quer confundir!
Ainda a este propósito! Voltou, em força, a síndroma do bom aluno dos tempos do leite e do mel. Não admira.
Há doenças familiares que, como tal, passam de geração em geração, mesmo que os seus membros andem desavindos! Um dos sintomas manifestou-se tardiamente, como rebuscada justificação que só pode lembrar a quem padeça deste mal. Afinal, a razão para projectar o retorno dos subsídios para 2015, tem apenas a ver com a necessidade de não darmos uma ideia de falta de ponderação, quiçá de precipitação, perante quem nos empresta o dinheiro. Cuidado! Alguém, senador da República, já escreveu na pedra que o Povo é sábio!
Duvida-se que possamos cumprir as nossas obrigações, no ambiente de crise e incerteza, sem estímulos à economia e sem liquidez no tecido empresarial? Seja-se franco! Do empobrecimento ninguém nos livra!
Não nos livrará a CGD, ao investir liquidez disponível em negócio de bens não transaccionáveis, em vez de a encaminhar para a produção e a exportações, salvando empresas e postos de trabalho.
Ou as certezas pouco avisadas do primeiro-ministro sobre o regresso de Portugal aos mercados, em data fixa de 2013, que a dinâmica de oportunidade dos tais mercados pode explorar contra nós. Tão pouco endireitará a economia, a crença do respectivo
Ministro nas virtualidades únicas dos pastéis de Belém!
É preciso muito mais – refundar a agricultura, as pescas e a indústria, transformar mais conhecimento em valor, incluir socialmente, ter esperança, acreditar!
A sério têm sido os cortes na receita e os aumentos na despesa das famílias – aumento de impostos, aumento de preços, redução dos salários e prestações sociais. Com excepções, onde a contestação podia doer, como a actualização salarial na TAP e na CGD, fazendo passar a ideia de que a benesse será compensada com o corte de direitos adquiridos. O que avivou a consciência de iniquidades e benesses silenciadas como direitos adquiridos, dadas em troca de “paz social”, mesmo perante reivindicações irrealistas.
No gerir, como no governar, são regras de ouro saber dizer não e a parcimónia nos gastos!