O efeito Merkel esgotou-se, em menos de uma semana. Ontem, os juros da dívida pública portuguesa bateram todos os recordes, com os mercados a exigirem por empréstimos a cinco anos mais do que exigiam por empréstimos a dez. Um absurdo total.
Hoje, Portugal voltará ao mercado para pedir emprestados mais mil milhões (agora a dois anos…) e é difícil estabelecer os critérios do sucesso: já não será mau encontrar comprador, mesmo que, por escassos 24 meses, seja forçado a pagar mais do que pagava por um prazo de dez anos, ainda há poucos meses.
Neste quadro, mandava a prudência que José Sócrates não tivesse, ontem, lembrado que "entre vir ou não vir o Fundo (FMI) há uma Nação que perderia o prestigio e a dignidade de se apresentar ao Mundo como um país que consegue resolver os seus problemas sozinho"(sic).
E se o Fundo vier? Se não restarem alternativas? Vai Sócrates reconhecer o falhanço da sua liderança?
É neste cenário de crise gravíssima que Cavaco Silva toma posse para um novo mandato presidencial. Prometendo "uma magistratura mais activa", rodeado de jovens e de Mar. Esperemos que cumpra a promessa. Portugal exige futuro aos homens do leme.