Entre 800 mil e um milhão de pessoas estão no desemprego em Portugal, sendo que uma larga maioria não voltará a trabalhar. É uma consequência natural do ajustamento, diz o Governo, numa das muitas versões que tem sobre o tema.
Mas, se assim é, porque é que o ministro das Finanças demonstra tanta surpresa com os números publicados e diz que está ainda a estudar este fenómeno que não coube nas suas previsões?
Consequência ou não do ajustamento, a verdade é que o Governo tem a obrigação de fazer alguma coisa para inverter uma trajectória que compromete definitivamente o futuro do país e que, a continuar assim, vai comprometer a paz social.
Tão dramáticas como os números conhecidos, são as reacções de total surpresa dos que deveriam estar a fazer alguma coisa para resolver o problema. E não venham dizer que não são os governos que criam empregos. Isso é verdade, mas é também verdade que há medidas do Governo que são determinantes para destruir empregos, como o aumento do IVA nos restaurantes, por exemplo.
Apesar de ser um lapsus linguae, é significativo que o ministro que tem a tutela do Emprego e que, portanto, devia por estes dias tratar o desemprego por tu, o trate antes por “o coiso”.