Apesar de, segundo garantem alguns, Passos Coelho ter dito que ia deixar de fora Miguel Relvas e Marco António Costa, a prática de pagar favores políticos falou mais alto e os dois acabaram por ir para o Governo.
O resultado está à vista, nem um ano depois. É certo que o envolvimento de Relvas e Marco António no processo das secretas está ainda por provar, mas a verdade é que os indícios e as cumplicidades entre os dois membros do Governo e o ex-chefe das secretas, acusado de corrupção e violação de segredo de Estado, constituem um currículo negro para o Primeiro-ministro carregar às costas.
A nossa democracia tem vindo ao longo dos anos a corrigir muitas das suas imperfeições, mas está difícil corrigir aquela que é talvez a mais corrosiva para o sistema: a ideia de que o poder só se ganha através da acção de figuras que nos partidos negoceiam favores e interesses em troca de votos.