Nunca como agora os portugueses, dos mais aos menos esclarecidos, acompanharam com tanta atenção os actos eleitorais que se realizaram em França e na Grécia. A atenção foi de tal ordem que quase se podiam fazer sondagens aqui em Portugal sobre quem era o candidato preferido dos portugueses para a Presidência francesa.
A verdade é que a crise europeia em que nos encontramos fez mais pela integração dos cidadãos do velho continente do que anos de discursos e manifestações de boa vontade dos eurocratas de Bruxelas e dos governos nacionais, que quiseram construir a Europa sem levar em conta a vontade dos europeus.
Se o interesse que agora os europeus revelam sobre o que se passa nos vários países da União for capaz de erguer a Europa que os políticos nunca souberam construir, então, esta crise será recordada na História como o momento fundador da Europa dos cidadãos.
Para já, uma coisa é certa para todos nós: a viragem à esquerda que se registou em França e os resultados incertos que se verificaram na Grécia terão, seguramente, consequências – esperemos que boas – no futuro próximo de todos nós, aqui, em Portugal.