Com um percurso imaculado, Emidio Pinto esteve ao serviço de diversas colectividades, desempenhando por vezes até as funções mais modestas.
Em todas elas deixou a marca de profundo conhecedor da modalidade e, sobretudo, a lição segundo a qual um adversário nunca deve ser considerado um inimigo.
Ganhou mais vezes do que perdeu, mas era aos vencidos a quem dirigia com frequência as primeiras e mais expressivas palavras.
Abandonou o pelotão, ontem, aos setenta e nove anos de idade, porque o coração não resistiu mais, não o deixando continuar a pedalar por mais tempo.
Deixou amigos espalhados pelo país inteiro, e mais pobre uma modalidade que, já de si, também passa por dias difíceis.
Recordar Emidio Pinto é chamar à memória as suas longas dissertações sobre o modo de atingir o sucesso, por vezes em circunstâncias julgadas impossíveis.
Dos atletas que comandou mereceu sempre registos de enorme consideração e reconhecimento pela capacidade muito própria de comandar.
Emidio Pinto era dos bons.
Bom no conhecimento, no relacionamento, e na forma superior de criar e manter amigos.
Aos que com ele tiveram a felicidade de conviver deixa, por isso, uma profunda e permanente saudade.
Que Deus o guarde, e à sua Família dê o alento de que precisa neste tempo.