Nos últimos 90 anos nunca a taxa de desemprego foi tão alta. Mais: aos 620 mil desempregados actuais vão somar-se, prevê o FMI, mais 120 mil nos próximos dois anos fruto da destruição prevista de postos de trabalho em consequência da mais grave recessão económica de que temos memória.
As dívidas das famílias representam 135% do rendimento disponível mas mais de metade de todo o endividamento nacional deve-se ao despesismo do Estado.
É no estrangeiro que buscamos trabalho. Vivemos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos. Somos o segundo país da OCDE com maior fuga de cérebros. Nunca poupámos tão pouco nos últimos 50 anos.
Desde 1995 os processos pendentes em tribunal mais do que duplicaram e, entre os países da OCDE, só a Turquia e o México tem maior taxa de abandono escolar.
São estes alguns dos factos que deveriam estar a dominar o debate em campanha (como bem lembra o economista Álvaro Santos Pereira num precioso texto colocado na blogosfera). Como e quem nos trouxe até aqui? Quem está consciente desta realidade e pode merecer a nossa confiança para nos retirar do abismo, e como se propõe fazê-lo? Tudo o mais é mera distracção e os portugueses não podem votar distraídos.
Pode ser a última oportunidade para agarrar o futuro.