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Pico de obra prestes a avançar no maior complexo de barragens do país

04 dez, 2017 - 18:36 • Olímpia Mairos

Até 2023, a Iberdrola vai investir 1.500 milhões de euros na construção de três barragem no Alto Tâmega e em medidas de desenvolvimento social, económico e cultural da região.
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A construção das três barragens do Alto Tâmega, cuja conclusão se prevê para 2023, decorre a bom ritmo e emprega actualmente mil e quinhentas pessoas.

O Sistema Electroprodutor do Tâmega é um dos maiores projectos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, compreende três barragens (Daivões, Gouvães e Alto Tâmega) e representa um investimento de 1.500 milhões de euros.

Segundo José Maria Otero, responsável pela área de licenciamento da Iberdrola, o empreendimento “está a cerca de 30 a 35% dos trabalhos”.

“Em Daivões, que é o empreendimento mais a jusante do Tâmega, já se fez o desvio do rio e estamos a começar as fundações da barragem”, avança José Otero.

Já em Gouvães, que é a parte central da bombagem, o responsável da Iberdrola refere que estão “a trabalhar em muitas frentes, porque o circuito hidráulico é um circuito de sete quilómetros, mas a parte mais vistosa que é a escavação da central já está quase pronta. Em Janeiro devemos começar com a betonagem e toda a montagem de grupos”.

A barragem do Alto Tâmega é aquela onde a obra começou mais tarde. “No próximo verão deverá ser feito o desvio do rio Tâmega e começar a escavação das fundações do paredão”.

O maior volume dos trabalhos está previsto para 2018-2020, altura em que se perspectiva a criação de 13.500 empregos directos e indirectos.

A empresa espanhola afirma que um dos seus princípios é fomentar o emprego na região e contratar, o mais possível, localmente. Dos cerca de 1.500 trabalhadores afectos actualmente ao empreendimento, 15 a 20% são da região.

O complexo contará com uma potência instalada de 1.158 megawatts (MW), alcançando uma produção anual de 1.760 gigawatts hora (GWh), ou seja, 6% do consumo eléctrico do país.

Segundo o responsável da Iberdrola, em finais de 2021 deverão estar em serviço as barragens de Daivões e Gouvães, enquanto a do Alto Tâmega deverá estar concluída durante o primeiro semestre de 2023.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é uma das maiores iniciativas da história de Portugal no sector da energia hidroelétrica, representando mais de 50% do objectivo do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH).

Ponte emblemática de arame sobre o rio Tâmega e mais de 50 casas afectadas

A construção das três barragens do Alto Tâmega vai afectar cerca de 50 habitações e obrigar à transladação de duas pontes de arame.

“Até ao momento, seis famílias já saíram das suas habitações por razões de segurança devido à proximidade à frente de obra em Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, mas, ao todo, deverão ser entre 50 a 60 casas afectadas”, refere Sara Hoya, responsável ambiental da Iberdrola.

Ribeira de Pena é o concelho mais afectado, já que concentra cerca de 90% das casas de onde as famílias terão de sair até ao final da construção do Sistema Eletroprodutor do Tâmega.

Neste concelho também a emblemática ponte de arame sobre o rio Tâmega vai ser removida e recolocada em outro lugar. A estrutura “será recolocada num dos braços que vai ter a albufeira, perto do local onde se encontra actualmente”, explica Sara Hoya.

Esta ponte de arame foi, até 1963, a única travessia para a população local e é hoje uma importante atracção turística, em Ribeira de Pena. A centenária ponte pênsil tem mais de 20 metros de comprimento e está suspensa em mais de 100 cabos de arame torcido.

Também a ponte de arame que liga as aldeias de Monteiros, em Vila Pouca de Aguiar, e Veral, em Boticas, vai ser atingida pela subida das águas e, por isso, vai ser transladada.

Municípios afectados alvo de plano socioeconómico

O Plano de Acção Socioeconómico, assinado com as sete câmaras envolvidas nos projectos, destina cerca de 50 milhões de euros para o desenvolvimento económico, social e cultural da região onde estão a ser construídas as barragens.

Sara Hoya, responsável ambiental da Iberdrola, dá conta que a empresa já “aplicou 7,2 milhões de euros em medidas de compensação nos municípios afectados pela construção das barragens”.

O dinheiro foi aplicado, por indicação das respectivas autarquias, em “infraestruturas, como arruamentos, arranjos urbanísticos, abastecimento e saneamento público, obras de beneficiação de museus, casas mortuárias e cemitérios, habitações sociais, um balneário pedagógico, um parque de campismo, construção de praias fluviais e parques de lazer”, concretiza.

Em Ribeira de Pena, evidencia-se a Casa do Produtor, que é um centro de apoio para agricultores e o Museu Escola, que preserva a memória da história da população.

No vizinho concelho de Boticas, a Iberdrola apoia a potencialização do Boticas Parque – Natureza e Biodiversidade, financiando a construção de alojamentos para os visitantes e acções de compensação de fauna e flora da área envolvente e a construção de uma pista de desportos radicais em Boticas.

Em Vila Pouca de Aguiar, a concessionária espanhola financiou o Centro Hípico de Pedras Salgadas, bem como o Centro Interpretativo de Tresminas. Já em Chaves apoiou a beneficiação do Estádio Municipal Engenheiro Branco Teixeira.

Nos sete concelhos afectados pelo empreendimento foram ainda realizados investimentos em instalações desportivas, como campos de futebol, em equipamentos para bombeiros, viaturas e beneficiação de instalações.

A responsável indica que parte da verba global de 50 milhões de euros é reservada para gestão dos municípios (24 milhões de euros), enquanto a restante será aplicada em medidas de minimização como as expropriações, transladação de património ou monitorização ambiental (26 milhões de euros).

Os concelhos afectados pelo Sistema Electroprodutor do Tâmega são: Ribeira de Pena, Boticas, Vila Pouca de Aguiar, Chaves, Valpaços, Montalegre e Cabeceiras de Basto.

Comentários
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  • Miguel Lopes
    08 dez, 2017 Amarante 05:00
    Esse plano hidrográfico contenpla ainda outra barragem... A de fridao Amarante com arranque previsto para 2018... Sem ela a cidade ficara sem poder controlar a gestão da agua que será realizada muito a jusante. Mas dessa ninguém comenta??
  • José ferreira da Sil
    05 dez, 2017 Bruxelas 08:19
    Só porque a barragem é construida para uma empresa espanhola já é enorme . Nõ se esquecam do que esta a ser feito no resto da Europa . Russia , Franca , Alemanha etc.
  • josé
    05 dez, 2017 braga 00:22
    A desviar o curso dos rios, populaçoes a desaparecer, animais e natureza afetada. para depois no verao estarem paradas por causa da seca. Na minha opiniao a energia nuclear resolvia estes problemas todos.
  • Gustavo
    04 dez, 2017 Monteiro 21:20
    Francisco Pereira, o seu comentário é só idiota. Primeiro quando se constrói uma barragem, existe sempre a possibilidade de se usar a água para as populações e para a agricultura. Segundo quanto a produzir eletricidade para Espanha, se a barragem é em Portugal para onde é que acha que vai a energia produzida? Para o sistema elétrico nacional!! O facto de a barragem ser de uma empresa espanhola não significa nada, era o mesmo que achar que os parques eólicos que a EDP detêm no Brasil forneciam energia a Portugal!!
  • AA
    04 dez, 2017 LX 21:06
    ISTO OBVIAMENTE SÓ PODE TER A VER COM AQUELE CORRUPTO DO PS QUE É ADMINISTRADOR DA IBERDROLA. AQUELE QUE ERA COMUNA E QUE DEPOIS PASSOU A XUXALISTA, FOI MINISTRO CORRUPTO E É ADMINISTRADOR DE UMA ELÉCTRICA ESPANHOLA.
  • AA
    04 dez, 2017 LX 21:02
    "O Sistema Electroprodutor do Tâmega é um dos maiores projectos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, compreende três barragens (Daivões, Gouvães e Alto Tâmega) e representa um investimento de 1.500 milhões de euros. " Num país onde cada vez menos chove, faz-se um projecto desta dimensão para produzir energia eléctrica? ISTO PARECE UM CONTRASENSO TOTAL. INVISTAM ANTES NO SOLAR. MAIS UM CRIME PRATICADO CONTRA PORTUGAL. QUEM AUTORIZOU UMA NEGOCIATA DESTA DIMENSÃO? ATÉ DESVIAM O CURSO DO RIO O QUE É MUITO GRAVE. Ainda dizem: "A empresa espanhola afirma que um dos seus princípios é fomentar o emprego na região e contratar, o mais possível, localmente. Dos cerca de 1.500 trabalhadores afectos actualmente ao empreendimento, 15 a 20% são da região." NEM UM QUINTO, OS ESPANHÓIS COMO SEMPRE ESTÃO-SE A BORRIFAR PARA OS PORTUGUESES. SERVEM OS INTERESSES DELES COM O COMPADRIO DOS CORRUPTOS GOVERNANTES PORTUGUESES.
  • Filipe
    04 dez, 2017 évora 20:31
    Deviam era aproveitar as barragens e charcas secas para as limpar por dentro e alargar com o fim de ter-se maior qualidade e quantidade de água . Depois , os rios , os rios e afluentes estão secos e ninguém os vai limpar e moldar os leitos . Em Portugal só interessa o lucro da eletricidade , pois até com água contaminada de herbicidas e pesticidas mortais aos humanos a produzem e agora até a dão de beber para os lados do Alqueva . As pessoas com sede a bebem como água do Luso fosse e um dia mais tarde acabam na morgue !
  • ao francisco pereira
    04 dez, 2017 lx 19:46
    Barragens geram albufeiras e estas por sua vez são reservas de água para o país! Talvez um pouco mais de formação e conhecimento, não lhe ficasse mal! A energia eléctrica a produzir será para concorrer no mercado interno e externo, com outras empresas, (monopolistas), fornecedoras de energia. Tudo o que seja concorrência em principio será salutar!
  • Francisco Pereira
    04 dez, 2017 Vilar de Andorinho 19:09
    Não há água para pessoas e agricultura e vão utilizá-la para luz espanhola ?!