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​"Tenho fama de rico, comportamento de pobre. Estou bem assim.” Belmiro de Azevedo em 20 frases

29 nov, 2017 - 17:19 • Recolha por João Carlos Malta

Morreu, mas deixa um império – e por isso viverá. Deixa também um rol de entrevistas, discursos e ideias em que se pode encontrar o pensamento do “homem Sonae”. Belmiro sempre foi cirúrgico nas aparições, mas quando falava poucos ficavam indiferentes.
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O primeiro trabalho de Belmiro na Sonae. "Destruir para recriar"
O primeiro trabalho de Belmiro na Sonae. "Destruir para recriar"

Um homem com os anos de vida pública de Belmiro de Azevedo, que morreu esta quarta-feira aos 79 anos, não facilita o trabalho a quem tenta seleccionar as frases mais relevantes da sua vida. Serão mais do que as que se transcreve, mas estas são ilustrativas da pessoa que foi e do que quis transmitir.

Belmiro foi um fazedor. Criou e fez crescer, apesar de muitos duvidarem da forma como o conseguiu. Na sequência de uma das muitas declarações polémicas do empresário do Marco de Canaveses, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou: “Já percebo porque é que é o terceiro homem mais rico do país. A inteligência e só dele e o resto é só suor e neste caso exploração".

Seja como for, Belmiro não tinha papas na língua. Estas 20 frases provam-no:

“Eu não abro portas. Deito-as abaixo."

“Quando fui para a Sonae, a 2 de Janeiro de 1965, a Sonae estava numa crise. Era uma crise praticamente de nascença - foi fundada em Agosto de 1969 - porque na altura comprou uma patente, que não era propriamente uma patente, era um francês habilidoso que vendeu gato por lebre. Essa tal invenção era uma falsa invenção. Aquilo estava mesmo a merecer uma experiência ‘shumpeteriana’, que era destruir para recriar. E foi isso que aconteceu. O meu trabalho foi praticamente mandar para a sucata metade do equipamento que lá estava.”

“A minha primeira tarefa na Sonae [foi] destruir para voltar a construir.”

"Assumi como estilo de vida pessoal e atitude empresarial do grupo que dirijo: ‘be prepared’, ou seja, prepare-se para decidir com pouca informação, com pouco tempo. Por mera coincidência, o acrónimo SONAE tem, em japonês, exactamente tal significado."

“Portugal tem razoáveis gestores, razoáveis empresários e razoáveis trabalhadores, e a primeira coisa que temos de assumir é que não somos excepcionais.”

“Para mim o melhor primeiro-ministro foi Sá Carneiro, porque aliava capacidade de decisão, respeito pelos direitos humanos e uma grande compreensão para dialogar, para além de ter muita força anímica.”

“O fundo do problema é que os sindicatos e a CGTP defendem o imobilismo, defendem empregos que não servem para nada, travam o acesso dos jovens ao mercado de trabalho, dificultam a mobilidade e as carreiras das pessoas competentes, beneficiam os medíocres, destroem as pessoas com criatividade.”

“Diz-se que não se deve ter economias baseadas em mão-de-obra barata. Eu não sei porque não. Porque se não for a mão-de-obra barata não há emprego para ninguém. Portanto, de facto é uma vantagem comparativa. Caso contrário, se a gente quer concorrer com potências que têm muito maior produtividade, é impossível pagar os salários de alta produtividade a trabalhadores com baixa produtividade.”

“Enquanto o povo se manifesta a gente pode dormir mais descansado. O pior é quando não se manifesta.”

“Não há nenhum empresário sério que se reveja nas associações patronais.”

"Ninguém deve ficar no primeiro emprego e todos devem ter preocupações estratégicas quando ao empregador, mais de longo prazo e menos de curto prazo."

"Tenho fama de rico, comportamento de pobre. Estou bem assim".

“O corporativismo é um mal geral da sociedade portuguesa, que vem do antigo regime e que infelizmente, o 25 de Abril não eliminou.”

"Eu não herdei nada e foi por acidente e pela minha capacidade de gerir que me tornei accionista."

"[Sou] Independente em sentido absoluto: não dependo financeiramente de ninguém, não dependo politicamente de ninguém. Felizmente para mim, foi possível desenvolver este conceito de independência em valor absoluto.

Belmiro de Azevedo. O capitalista que citava Marx
Belmiro de Azevedo. O capitalista que citava Marx

“Às vezes, entramos em negócios que falham. Então, é preciso fazê-los abortar rapidamente”.

“Nós não temos instrumentos de estudo em Portugal como muitos países têm. É tudo navegação à vista. Faz, não dá certo, corrige porque não há informação.”

“Uma empresa que não tem futuro deve fechar e não ser ajudada. Deve ser amputada.”

"Pinto da Costa, presidente do FC Porto, é uma coisa; Pinto da Costa colega de Direcção no FC Porto há quase 30 anos, é outra coisa; Pinto da Costa a negociar comigo é outra coisa ainda.”

"Pior é sempre não decidir ou decidir a desoras.”

Comentários
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  • hipócrita
    04 dez, 2017 canto da censura 11:49
    Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário?Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário?Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário?Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário? Oh hipocrita P. C. Onde está o meu comentário?
  • Santa estupidez
    04 dez, 2017 do r-q.-t-parta 11:13
    Oh judite isto falar e atirar assim as coisas é muito fácil. Quem é que neste mundo não queria mudar de trabalho e ir para melhor sempre que houvesse conveniência? Isto não é como o jogador Ronaldo, que lhe aparece uma proposta para o real madrid e ir ganhar balurdios por dia e por més. isto é muita ilusão que vai na tua cabeça. Então se não há trabalho para os que não têm trabalho, vai haver para quem quer trocar de trabalho? Ou será que tu sempre que queres mudar de emprego vás bater numa porta qualquer e tens logo um trabalho para melhor? Oh santa estupidez!
  • couto machado
    03 dez, 2017 Porto 20:13
    Conta-se que Rockfeller deu uma gorjeta de 50 centimos de dolar a um empregado do hotel em que estava instalado. O empregado, não se conteve e disse: o senhor podre de rico dá uma gorjeta miserável, ao que ele respondeu: se eu desse ma grande gorjeta nunca seria tão rico como sou.O meu comportamento é de pobre...
  • Marcelo
    03 dez, 2017 Castelo Branco 18:05
    Quando morrem são todos uns Santos! O Sr. Sonae, se tivesse criado o seu império, antes do 25 de Abril, hoje seria um fascista. Mas hoje, a maioria dos mídias já nem sabe o que isso é! Ou antes preferem não saber. Infelizmente estamos na era do jornalismo "rasca". O Sr. Belmiro contruiu um império à custa da desgraça de muita gente. Todos os hipermercados e centros comerciais foram construidos com o dinheiro dos fornecedores. Quem quisesse ser fornecedor da Sonae pagava uma fatura bem pesada por cada "hiper" que abrisse. E quem se recusasse a pagar, deixava de ser fornecedor. Prometiam mundos e fundos de lucros, de vantagens, mas não se comprometiam com nada. Só eu contribui com mais de 100 mil euros para as aberturas de lojas. E houve lojas que nem chegaram a comprar, em mercadoria, aquilo que eu paguei para fornecer para aquela loja. Para não falar de lojas como o hiper do Seixal, que pouco tempo após a abertura, o tecto ruiu. Com certeza que o contrutor e seguradoras pagaram bem o prejuizo. Mas isso não bastou. Para além dos 3 mil contos (15 mil euros) que eu paguei para a abertura daquela loja, nunca me pagaram o primeiro fornecimento de mercadorias porque ficaram danificadas quando o tecto ruiu, como se eu tivesse alguma culpa disso. E ainda tiveram o descaramento de me pedir para ir retirar a mercadoria. Quando fui e vi que tinha um monte de cacos que eles queriam que eu limpasse. Era assim que se pautavam comigo e com a maioria dos fornecedores portugueses.
  • Judite Gonçalves
    30 nov, 2017 Barreiro 15:11
    Todas estas frases dão para pensar. Não conheço bem o senhor Belmiro que agora nos deixa, mas certamente que não foi alguém que se deita à sombra da bananeira, criou um império e com ele, muitos e muitos postos de trabalho. –se houvesse mais gente assim, talvez pudéssemos viver em Portugal uma situação de pleno emprego, pelo menos aqueles que querem e gostam de trabalhar teriam o seu trabalho. Também estes poderiam mudar de emprego ou de trabalho, como ele dizia: "Ninguém deve ficar no primeiro emprego…” torna-se muito limitativo ficar para sempre no mesmo emprego e não ter perspetivas, nem de mudança, nem de subida, nem de formação, nem de coisa alguma. Os sindicatos tal como uma boa parte dos portugueses não suportam quem tem mais que eles, por isso criticam, mas não fazem melhor. “ o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou: “Já percebo porque é que é o terceiro homem mais rico do país. A inteligência e só dele e o resto é só suor e neste caso exploração" Uns falam, falam, outros protestam, protestam, outros fazem as duas coisas e outros coisa nenhuma. Um poucos trabalham e criam postos de trabalho. Não ficam à espera que o papá Estado dê um emprego ou um subsídio. Que a sua vida de fazedor e criador seja um exemplo para os que por cá ficam. Que Deus o faça descansar em paz.
  • António Santos
    30 nov, 2017 Coimbra 01:34
    Concordo com tido o que se diz sobre Belmiro de Azevedo. Mas não devemos de referenciar, sobre os alicerces, em que construiu o imério que criou. Como é de conhecimento público, não foi nada ortodoxo.