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Igreja da Venezuela denuncia mortes à fome e por falta de medicamentos

19 nov, 2017 - 10:04

Na sexta-feira, o músico venezuelano Adrían Guacarán, 44 anos, morreu depois de passar um dia à espera de um medicamento que não foi possível conseguir em Caracas.

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A Igreja Católica instou no sábado os venezuelanos a serem solidários em tempos de crise e denunciou que há pessoas a morrer à fome e por falta de medicamentos na Venezuela.

"Nesta época difícil, quando há gente a morrer por falta de medicamentos, devemos ser solidários. Há gente a morrer de fome, na Venezuela (…) É insólito que haja gente a comer do lixo", disse o arcebispo de Caracas.

O cardeal Jorge Urosa Savino falava no Estado de Zúlia (no oeste do país), no sábado, durante uma eucaristia em honra da Virgem de Chiquinquirá (também conhecida como La Chinita), por ocasião dos 308 anos da sua aparição e dos 75 anos da coroação canónica.

O apelo da Igreja Católica teve lugar no mesmo dia em que a nutricionista Susana Raffalli, da Cáritas Venezuela, denunciou que sete crianças morreram por desnutrição no Estado venezuelano de Bolívar, a sudeste de Caracas.

A nutricionista salientou que estas crianças morreram num estado que está rodeado de minas de ouro.

Além disso afirmou que há duas crianças no bairro Guaiparo daquele Estado, que "ainda resistem" à desnutrição.

"Ángel, Edgarlis, Keiner, Orangelis, Santiago, Joelvis, Auri, meninos e meninas de Bolívar que morreram por desnutrição. Gilbert e Cláudia ainda resistem. Quem deveria evitar que isto passasse?", escreveu a nutricionista na sua conta do Twitter.

Segundo a imprensa venezuelana, desde janeiro, 42 crianças morreram por desnutrição no Hospital Doctor Raúl Leoni, do Estado Bolívar, por não terem recebido tratamento atempadamente.

Na sexta-feira, o músico venezuelano Adrían Guacarán, 44 anos, morreu depois de passar um dia à espera de um medicamento que não foi possível conseguir em Caracas.

Segundo a mulher, Sheila de Guacarán, o músico que era conhecido como "o menino que cantou para o papa" João Paulo II, em 1985, durante a sua visita à Venezuela, morreu no Hospital Domingo Luciani de Caracas, depois de pedir ajuda para conseguir medicamentos para tratar uma insuficiência renal.

Comentários
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  • VICTOR MARQUES
    19 nov, 2017 Matosinhos 11:59
    E o Maduro quando é que apodrece???...
  • JChato
    19 nov, 2017 11:13
    Vou dizer o que penso sobre isto, tendo MUITAS DÚVIDAS que venha a ser publicado! Sou Cristão (não Católico) mas respeito TODAS as opções pessoais sobre a sua "espiritualidade"! É, por isso (para mim) IRRELEVANTE se quem está a denunciar a realidade da Venezuela são Cardeais ou nutricionistas ou seja quem for! Politicamente, sou um DEMOCRATA ASSUMIDO que a 24/Abril/74 tinha o Nome nos ficheiros da PIDE/DGS! Durante o famigerado PREC ... um tal "otelo" ... queria "mandar-me para o Campo Pequeno"! NUNCA me filiei em partido nenhum, nem fiz "carreira política"! Com (quase) 70 anos ainda tenho esperança de ver aparecer um PARTIDO em que as pessoas e o "programa" seja DEMOCRÁTICO! Respeito a Constituição mas considero-a "absurda"! Adiante! SEI (E NÃO DESVALORIZO) do "embargo internacional" à Venezuela! Mas isso "não justifica a dimensão do que por lá se vive"! Gostava de VER E OUVIR os politiqueiros da geringonça e da oposição têm a dizer (SEM DEMAGOGIA BARATA) sobre isto! NA MINHA VIDA VIVI UNS ANOS NUM "PROMETIDO PARAÍSO COMUNISTA"! Como era Estrangeiro não tive "problemas" mas ... sabia que não "podia abrir o bico"! Vivi esse tempo CALADO mas VI O QUE AQUELE POVO SOFREU (E SOFRE)! Comunismo? Não, muito obrigado! Adiante! Vou ficar "à espera" duma posição CLARA (sem demagogias baratas) dos lideres partidários! SÓ POR CURIOSIDADE!