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Seca aflige agricultores. "Vai ser necessário apertar o cinto"

17 nov, 2017 - 11:54 • Olímpia Mairos

A falta de água que se vive no país afectou as suas culturas agrícolas e deixou Octávio e Matilde, um casal de Chaves, praticamente sem rendimentos para o ano.

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Octávio e Matilde estão a chegar a casa, na aldeia do Carregal, concelho de Chaves. Vêm do pequeno souto onde andaram ao rebusco. Ele carrega nas costas um saco com meia dúzia de castanhas e ela traz no braço um balde vazio. Nos rostos têm estampada a tristeza de não terem colhido na medida do trabalho e dos investimentos realizados.

A seca severa e extrema que se vive no país afectou em muito as suas culturas agrícolas e deixou o casal praticamente sem rendimentos para o ano.

“A seca deu cabo de tudo. Castanha não há quase nada e as que há são fracas e muito estaladas. Foi um ano muito seco”, diz Octávio à Renascença.

O casal vive “das castanhas e de alguma batata, mas a batata também está de rastos e o centeio, além de pouco, não dá dinheiro”. O rendimento para o ano não é nenhum, “nem a terça parte do ano anterior”, confidencia o agricultor de 66 anos.

“É como ele está a dizer, vai ser muito difícil. A gente fazia pouco, mas lá ia fazendo alguma coisa. Assim não dá”, atalha Matilde, que aos 63 anos apresenta vários problemas de saúde e já pouco faz no campo.

O ano passado o casal, só em castanha, fez mais de 1.500 mil euros. Mas agora dava-se por “contente se chegasse aos 500, mas não chega lá”.

Como vão viver? Octávio diz que vai ser “necessário apertar o cinto” e revela temer o Inverno, “até por causa das constipações que levam dinheiro”, porque “não há para os medicamentos”.

Matilde diz que vai ser muito difícil aguentar o ano. “A gente já não se podia alargar muito, mas este ano ainda menos, porque onde houver dinheiro, há mais fartura”.

O casal tem dois filhos, mas não vê aí uma possibilidade de ajuda porque “eles também têm que levar a vidinha deles”.

“Este ano ficou tudo de rastos”

A ajuda que pede é ao Estado porque “os agricultores vivem pobres”. “Trabalha-se muito e chega-se ao fim do ano e a gente não tem resultados. Vêm estes tempos tolhem tudo”.

“Este ano ficou tudo de rastos. Não houve castanha, não houve batata, não houve nada”, lamenta.

Como o casal Octávio e Matilde há muitos outros que viram as culturas destruídas ou afectadas pela seca. Antevêem dificuldades para fazerem face às despesas ao longo do ano, mas, “até ao momento, não pediram ajuda à Cáritas de Vila Real”, diz o presidente da instituição, Henrique Oliveira, à Renascença.

Se esses pedidos vierem a surgir, a instituição da Igreja pondera ajudar, embora admita não ter “resposta no imediato para dar”.

“Temos que procurar parcerias e articular com outras instituições”, diz Henrique Oliveira.

A severidade da seca, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), regista um agravamento no mês de Outubro.

De acordo com o boletim climatológico disponível na página da internet do IPMA, “todo o território de Portugal continental encontrava-se, em Outubro, em situação de seca severa (24,8%) e seca extrema (75,2%)”.

O Boletim do IPMA refere ainda que o mês passado “foi extremamente seco e excepcionalmente quente”, acrescentando que foi o mês de Outubro “mais seco dos últimos 20 anos e o mais quente dos últimos 87 anos”.

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  • Parvalhão
    20 nov, 2017 do r-q-t-parta 11:02
    Cá nos açores quase todos os dias e quase a toda a hora leva-se com chuva nas ventas. Noutros nem um pingo. Uns tudo outros nada. Faz lembrar os ricos e os pobres. Uns enriquecem cada vez mais, outros nem dinheiro para comer e para as despesas. A riqueza cada vez mais se concentra em meia duzia, compram as máquinas que fazem tudo e nem precisam de trabalhadores, ou quase nenhuns, depois grande parte começa a viver sem dignidade. Mas é claro, a culpa disto não é da natureza do egoismo dos humanos e do clima, é dos funcionários públicos, estes é que são os culpados de tudo, até da seca. Ora até há um, um papagaio que vem para aqui malhar no mesmo, que pergunta pelos funcionários públicos. Eu só lhe queria perguntar o que é que seria deste país sem função pública? O privado não tem trabalhos, com mais todos os desempregados do público, que melhorias ia encontrar este iluminado? vai suave, a liberdade de expressão nesta R.R parece o dos anos da ditadura. Nota-se que até está em fúria. Oh Sr. iluminado, que sempre malha nos funcionários públicos, já pensou que são também os funcionários públicos que vão pagar serviços ao privado, que vai à oficina do privado pagar para que estes possam ter lucros e até empregar algum ou outro? Claro se não emprega mais é por culpa das máquinas, não pelos func. púb. Já pensou que se não houvesse func. púb. ou que não pudessem pagar pelo seu trabalho ou bens, como ia viver?
  • Zeus
    19 nov, 2017 Nazaré 15:42
    Se a agua fosse um bem patrimonial privado já teríamos mais um imposto implantado,como depende da natureza será que o BE;PCP;PS irao inventar um imposto por retenção da agua a Deus? que é realmente o dono disto tudo.Consta que andam á procura da sua sede fiscal para impostar mas até agora sem resultado.
  • carls
    17 nov, 2017 Aveiro 18:39
    têm a garganta seca, sr José, tá tudo seco.
  • fanã
    17 nov, 2017 aveiro 17:34
    Vou fazer a vontade ao Sr. José .................Será que precisa dos comentários dos outros para dar a sua própria opinião ???????............então ai vai !...... "ainda bem que ainda tem cintos para apertar " !..................contente ??????
  • José
    17 nov, 2017 Leiria 12:49
    Então?? Por onde andam os sindicalistas, os funcionários públicos, os futebois, os panteões....porque não aparecem por aqui a comentar???