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Nascente do Rio Douro secou há dois meses

13 nov, 2017 - 15:23 • Teresa Almeida

Agua sem qualidade e peixes mortos podem ser as consequências da perda de caudal do Douro, num futuro próximo.
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A nascente do Rio Douro, em Espanha, secou - consequência de um período de forte e prolongada seca que está a atingir a Península ibérica. Não há vestígios de água em Picos de Urbión, a 2.150 metros de altitude, há mais de dois meses. Um cenário catastrófico, nunca antes visto pela população espanhola.

No Porto, e povoações ao longo do curso do Douro, ninguém dá por nada, mas o certo é que as consequências já começam a existir. Para acertar os níveis de água nas albufeiras a EDP travou as descargas. E apesar dos efeitos desta decisão ainda não serem visíveis, o certo é que a água do Douro está a ficar sem oxigénio.

Apesar de não chover, as barragens têm, nesta altura, um nível normal de água, situação que se explica com a decisão da EDP de conter as habituais descargas. Explica o hidrobiólogo Bordalo e Sá que “ao não turbinar a água, não há reposição de oxigénio e aqui é que está o grande problema”.

De acordo com este especialista “a água quando chega á ultima albufeira que é Crestuma/Lever, já chega em pequenas quantidades. E mantendo a água mais tempo nas albufeiras, a água vai apodrecendo”. Bordalo e Sá alerta para o facto de já nesta altura os níveis de oxigénio existente nas aguas do Douro estarem abaixo do que seria normal, “situação que indicia que há problemas que se irão amplificar num futuro breve”.

E se o cenário assim se mantiver, lá para a Primavera teremos de enfrentar graves problemas. Bordalo e Sá considera que o que se está “a fazer nesta altura é a tapar buracos”. Para este especialista “a degradação da qualidade da água vai-se reflectir na degradação ambiental que, em ultima análise, provocará a morte de peixes”. O hidrobiólogo antecipa que “o pior cenário vai verificar-se na próxima primavera e chegaremos ao verão com problemas gravíssimos de qualidade da água”.

Este rio que tem quase mil quilómetros de extensão, mas é a 30 quilómetros da nascente, agora seca, que reside o grande problema.

Em El Pozo, já em Julho, os níveis de água eram preocupantes. Isto porque os espanhóis têm uma área colossal de regadio e para não reduzirem a produção aumentaram o consumo. Na prática, a Portugal chegou, desde essa altura, muito menos água. Como explica o hidrobiólogo, o que se está a fazer, agora, “é a resolver o problema sem se alterar o erro”.

A solução segundo, Bordalo e Sá, terá de passar pela criação de planos de contingência para enfrentar situações de seca que tem tido uma cadência cada vez maior, agora de 12 em 12 anos.

O mais importante é alterar comportamentos, “não só em nossa casa, mas sobretudo na agricultura, que se baseia no regadio tanto em Espanha como em Portugal”. Para Bordalo e Sá “a água tem de ser consumida com parcimónia”.

Em Portugal, cada pessoa consome 125 litros por dia, valor que este especialista considera baixo se tivermos em conta que em Espanha o consumo está acima dos 200 litros por habitante. Mas o problema está na agricultura que, devido ao facto de ser de regadio, consome exageradamente os recursos aquíferos.

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  • Maria Auxiliadora
    13 nov, 2017 w.w.w.mensajesdelbuenpastorenoc.org/ 19:38
    Mensagem de apelo urgente de Maria Auxiliadora aos líderes e moradores da TERRA 29 /1/ 2017 Meus filhos: a água está a esgotar-se devido aos abusos que estão a causar aos ecossistemas. Estes abusos irão provocar dias de fome e escassez. Em muitas nações os seus habitantes morrerão de fome e sede. Não desperdiceis água, porque as bacias dos rios estão a secar, assim como suas fontes. Os ecossistemas terrestres e aquáticos são os pulmões da terra. A destruição da floresta e a poluição estão a provocar o aquecimento. As calotes polares estão a fundir-se devido ao aumento da temperatura, o que implica graves consequências para a criação. O clima é controlado pela poluição ambiental e pelo aquecimento global. Isso trará a vós fome e seca. O lado destrutivo do homem está a destruir os ecossistemas. Muitas espécies de fauna e flora estão em perigo; a atmosfera está a enfraquecer e vai chegar o momento em que os raios do sol tornarão inabitáveis muitos lugares na terra. Os recursos naturais estão a esgotar-se. Faço um apelo urgente aos habitantes da terra e aos governantes para realizarem planos de reflorestamento e poupança de água e energia. Porque se continuarem a poluir e a desmatar, a terra se tornará num deserto. Governantes deste mundo, das vossas ações para com os ecossistemas dependerá a vida no planeta! Como Mãe da humanidade, eu estou a chamar os habitantes da terra para que não destruam mais recursos naturais e para que promulgar leis que favorecem a vida no planeta.
  • Mário João Castro
    13 nov, 2017 São Mamede de Infesta 17:29
    Enquanto há água há vida! Ao longo da minha vida assisti ,sempre, ao desperdício de água de uma forma inquietante e perturbadora. Fosse para lavar viaturas, para regar campos de golfe, torneiras com avarias, fugas de água nas condutas, regas de jardins em que os esguichos até lavam pedras e paredes, mau aproveitamento das estruturas existentes, já para não falar que ninguém sabe ao certo quantas toneladas de água foram gastas para extinção de incêndios, falta cultura de aproveitamento com a água da chuva que escorre dos telhados e que pode e deve ser aproveitada para uso doméstico nas sanitas e afins, tanta coisa para se fazer mas como sempre só se faz qualquer coisa quando a aflição surge. O mar vai ser um dia usado para canalizar água para centrais de dessalinização e serão construídas gigantescas barragens com ligação a outras para compensação de caudais. Até lá sejamos criativos e mesmo nestas noites bem frescas e húmidas há possibilidade de reter água sem a deixar fugir para o saneamento, não esquecendo que vem aí o tempo bem frio e se houver nevoeiro, geada, neve ou gelo estamos sempre a falar de Á G U A !!! Quanto à eletricidade, do ponto de vista hídrico não será tão fácil obter, invista-se em centrais de painéis solares fotovoltaicos já que nem sempre há vento e sol temos tido com imensa fartura. Enfim, tanto há para se fazer, mas como sempre somos reativos, muito pouco ativos e nada preventivos no que diz respeito ao BEM comum!!!