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Legionella. 100 mortos em 10 anos, em Portugal

07 nov, 2017 - 17:39 • Rui Barros

Em 2015, a legionella terá infectado mais de 7 mil pessoas na Europa. É o valor mais alto desde que há registo. Em Portugal, a mesma doença matou 100 pessoas entre 2005 e 2015.
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A legionella infectou, entre 2005 e 2015, um total de 1.300 pessoas em Portugal, e causou a morte a uma centena desses doentes.

Em 2014, ano em que uma dos maiores surtos desta doença afectou Vila Franca de Xira, Portugal passou a figurar ao lado de França, Alemanha, Itália e Espanha na lista dos países com maior número de infectados. Os cinco países foram, nesse ano, responsáveis por 74% dos casos reportados à autoridade europeia.

Os dados do Atlas de Vigilância de Doenças Infecciosas são claros: a legionella - ou doença dos legionários, como é conhecida - nunca infectou tantas pessoas na Europa, desde que há registos.

Desde 2005, ano em que o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) começou a registar os valores das autoridades nacionais, esta bactéria que se propaga através da inalação de gotículas de água contaminada já terá infectado mais de 63 mil europeus.

Apesar de ainda ser considerada uma doença “pouco comum” e “esporádica” pelo organismo europeu, a verdade é que o número de mortes acompanha a ligeira tendência de crescimento do número de infectados, depois deste atingir o valor mínimo em 2011: os últimos dados apontam para 456 mortos em 2015.

França, o país que regista o maior número de casos, é também aquele onde mais se morre de legionella: 117 vítimas nesse mesmo ano de 2015.

São os mais velhos que tendem a sofrer mais com esta doença. Os dados mais recentes do Atlas de Vigilância de Doenças Infecciosas mostram quase metade dos casos europeus de legionella tinham mais de 65 anos.

O ECDC, a que pertence a Rede de Vigilância da Doença do Legionário, autora de relatórios regulares, deixa várias recomendações para o controlo da doença do legionário e sublinha: "É importante encontrar rapidamente a origem dos surtos e agir de imediato para remover a bactéria, uma vez que, com as condições climatéricas certas, têm o potencial para infectar um grande número de pessoas".

O relatório mais recente da autoridade sobre a doença avisa ainda: “Verificação regular” e “controlo apropriado em sistemas de água artificial podem evitar uma proporção significativa de casos da doença dos legionários”.

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Surtos raros

Ainda sem ter em conta o surto de legionella no São Francisco Xavier, o relatório da ECDC sobre a doença faz menção ao caso de Vila Franca de Xira, em 2014, para justificar o alto valor de contagiados "per capita" em Portugal nesse ano. Este surto, que é tido como um dos maiores de sempre, infectou 375 pessoas.

No topo da lista de casos investigados e listados pelo ECDC, há dois que se destacam pela dimensão: um com 494 infectados, no Reino Unido; outro com 449, em Espanha.

O primeiro teve origem num sistema de ar condicionado, num centro cultural em Barrow, Reino Unido, em 2002. Sete pessoas acabaram por morrer e as autoridades locais, responsáveis pela manutenção do centro, chegaram a ser envolvidas num processo judicial que culminou na absolvição de todas as acusações de homicídio.

Em Múrcia, Espanha, um ano antes, as torres de refrigeração de um hospital provocavam o segundo maior surto de sempre. Chegaram a anunciar-se 800 casos suspeitos de infecção, só pouco mais de metade se confirmou. Seis pessoas acabaram por morrer.

Com 295 infectados, o surto de Miyazaki, no Japão, também em 2002, era o terceiro maior. Teve origem confirmada num balneário público com serviço de spa. Matou sete pessoas.

Antes do surto de Vila Franca de Xira, Portugal já figurava na lista de casos de legionella de dimensão considerável, num caso de data do ano de 2000, em Braga. A investigação feita pela Direcção Regional de Saúde concluiu que a origem do surto estava numa fonte pública, com a qual tiveram contacto os 11 infectados, durante um concerto de música rock ao ar livre. Os pacientes tinham entre 33 e 73 anos, dez eram fumadores. Não se registou nenhuma morte.

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