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Militante do Estado Islâmico diz que jesuíta desaparecido desde 2013 foi morto

07 nov, 2017 - 16:42

Um marroquino que foi detido pelas forças curdas depois da queda de Raqqa afirmou em entrevista que o padre italiano Paolo Dall’oglio, que está desaparecido há quatro anos, foi assassinado, mas não apresentou quaisquer provas.

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O padre jesuíta italiano Paolo Dall’Oglio, que foi raptado na Síria em 2013, pode ter sido assassinado.

A informação está a ser avançada pelo “Asharq al-Awsat”, um jornal árabe que entrevistou recentemente um alto quadro do grupo terrorista Estado Islâmico, detido por forças curdas após a libertação da cidade de Raqqa.

Segundo o marroquino, que utiliza o nome de guerra “Abou Mansour”, o padre Dall’Oglio foi assassinado poucos dias depois de ter sido raptado, quando entrou ilegalmente na Síria para tentar negociar a paz entre dois grupos rebeldes em Raqqa, a cidade que acabaria por ser totalmente ocupada pelo Estado Islâmico, servindo de capital para o “califado” que o grupo proclamou no ano seguinte, quando chegou ao pico da sua influência.

Abou Mansour não pôde, contudo, apresentar qualquer prova das suas afirmações.

A tese de que Dall’Oglio tinha sido assassinado não é nova e já tinha sido avançada em 2014 por outros grupos rebeldes. Esta é a primeira vez, contudo, que a informação vem de um membro do próprio Estado Islâmico.

Dall’Oglio viveu décadas na Síria e era um especialista em diálogo inter-religioso. Quando começou a guerra civil na Síria fez vários apelos ao regime para que fizesse reformas mas Bashar al-Assad acabou por exilá-lo, por interferir em assuntos políticos.

O sacerdote continuou, contudo, a aceder ao território sírio em locais sob controlo dos rebeldes, sempre apelando à paz, até ao momento em que desapareceu.

Em 2012 o jesuíta italiano deu uma entrevista à Renascença em que admitiu que estava a ser pressionado pelo regime e pela hierarquia cristã para guardar silêncio sobre a situação no país. Na altura manifestava-se preocupado com o futuro do país, dizendo que já se tinha passado um ponto sem retorno.

No início da Guerra Civil da Síria os cristãos, que formavam cerca de 10% da população, dividiram-se entre a neutralidade e o apoio ao regime. Foram poucas as figuras cristãs que tomaram partido pelos rebeldes.

À medida que a oposição ao regime de Assad se tornou mais marcadamente islâmica e radical os cristãos foram sendo sujeitos a mais perseguição. Muitos padres e religiosos foram perseguidos e mortos. Para além de Paolo Dall’Oglio, há outros clérigos desaparecidos, nomeadamente dois bispos que foram raptados perto de Alepo, em Abril de 2013 e cujo destino é desconhecido.

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