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Arcebispo polaco preocupado com "uma Europa que está a morrer”

06 nov, 2017 - 15:09 • Aura Miguel

O arcebispo Henryk Hoser, de Varsóvia-Praga, faz um diagnóstico ao estado actual da Europa e teme o pior para o futuro do continente.
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O arcebispo de Varsóvia, Henryk Hoser, diz que "a Europa está a morrer".

Médico de formação, Hoser foi missionário em Africa, esteve no Ruanda, após o conflito étnico, a pedido de João Paulo II, e, mais recentemente, foi enviado pelo Papa Francisco a Medjugorje. Recentemente, esteve em Portugal, e falou à Renascença.

A Europa está a morrer, é o que dizem as estatísticas, a Europa está a despovoar-se. A Europa perdeu a esperança na vida, desencadeou uma guerra contra a vida, com todas estas novas leis anti-vida que agora se proclamam. Levam à queda drástica da natalidade e a uma redução brutal da população, mas a população é o melhor e mais precioso capital de cada país; são as pessoas que fazem um país", declara.

Habituado a tomar o pulso e a identificar doenças, o arcebispo Henryk Hoser aponta alguns sintomas graves na Europa actual, que acredita estar a padecer de neo-marxismo: “Recusamos a criação, achamo-nos capazes de nos criar a nós mesmos. Considero esta nova atitude como um reflexo do neo-marxismo, desde logo ao desfazer a família e a personalidade, ao renunciar a tudo o que nos determina, à nossa natureza e biologia, à nossa história, ao nosso passado e à cultura que herdámos. Tudo é rejeitado e se pretende construir de novo.”

“Andamos perdidos, vagueamos pelo universo, não sabemos o que escolher, uma vez que há imensas hipóteses, mas já se perdeu o critério de escolha", completa.

A Europa atravessa uma crise demográfica ,e em muitos países, sobretudo a Ocidente e no Norte, têm-se aprovado leis que liberalizam o aborto e a eutanásia ou que alteram o conceito natural de casamento. Para Hoser, esta deriva da Europa tem graves consequências, que poderão vir a revelar-se fatais: “Estamos a criar um vazio. Costuma dizer-se que ‘a natureza tem horror ao vazio’. E, neste vazio, passa a entrar tudo aquilo que nos invade. Estamos a abandonar tudo e a viver dos rendimentos. Não é um bom prognóstico. Por isso estou muito preocupado com o futuro da Europa que não desperta. Isto é muito alarmante."


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