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Patriarca de Lisboa propõe oração pela chuva

30 out, 2017 - 15:51 • Ecclesia

D. Manuel Clemente alerta para consequências da seca prolongada e recorda vítimas dos fogos florestais.

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O Patriarca de Lisboa propôs, esta segunda-feira, uma oração pela chuva, alertando para os efeitos da “prolongada seca”, que tem afetado o ambiente e as culturas, em particular pelo impacto dos fogos florestais.

“Os incêndios foram extremamente gravosos, com grande número de vítimas mortais e de feridos, além de muitos danos materiais e prejuízos económicos e sociais, que é urgente colmatar”, refere D. Manuel Clemente, numa mensagem enviada à Agência Ecclesia pelo Patriarcado de Lisboa.

O também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa manifesta “toda a solidariedade” a quem sofreu com os incêndios.

“Toda a intervenção estatal e social é absolutamente prioritária", assinala.

D. Manuel Clemente sublinha, em seguida, que a natureza admite “interrogações mais profundas” e que para um crente a natureza é “criação”.

“Os cristãos encontram nas palavras e atitudes de Jesus Cristo a luz e o estímulo para de tudo cuidarem e tudo recuperarem quando é caso disso”, observa.

A mensagem evoca casos miraculosos atribuídos a Cristo e aos santos que “com Ele estiveram inteiramente do lado de Deus para refazerem vidas, com repercussões felizes na própria natureza”.

“É este o sentido da oração, pedindo a Deus o que Ele mesmo nos quer dar, em absoluta coincidência de vontade”, precisa o cardeal patriarca.

D. Manuel Clemente recorda que o Missal Romano inclui orações por necessidades de vária ordem, também no que à natureza se refere.

“Na presente situação, proponho aos irmãos sacerdotes do Patriarcado de Lisboa que, quando a Liturgia diária o permita, celebrem a Missa para Diversas Necessidades, com a prevista Oração Coleta: ‘Deus do universo, em quem vivemos, nos movemos e existimos, concedei-nos a chuva necessária, para que, ajudados pelos bens da terra, aspiremos com mais confiança aos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo’”, escreve.

As comunidades católicas podem ainda juntar idêntica intenção na Oração Universal.

A mensagem do Patriarca na íntegra


"Caros diocesanos

O nosso país tem sofrido este ano uma prolongada seca, que muito afeta o ambiente e as culturas. Os incêndios foram extremamente gravosos, com grande número de vítimas mortais e de feridos, além de muitos danos materiais e prejuízos económicos e sociais, que é urgente colmatar. Toda a solidariedade é devida a quem sofreu, toda a intervenção estatal e social é absolutamente prioritária.

A realidade, também a natural e meteorológica, tem vários níveis de compreensão, que podem e devem convergir. À ciência compete a primeira explicação, a partir da observação e interpretação correta dos fenómenos. Daqui se tiram conclusões para bem gerir e melhor prevenir os factos naturais.

Mas a natureza admite ainda interrogações mais profundas, que sondem o sentido último das coisas, para além do seu mero acontecer. Para um crente, a natureza é propriamente “criação”, dom inicial e permanente de Deus Criador. Na tradição bíblica, esse dom é confiado à humanidade, para que o administre com gratidão e corresponsabilidade. Os cristãos encontram nas palavras e atitudes de Jesus Cristo a luz e o estímulo para de tudo cuidarem e tudo recuperarem quando é caso disso. Quando se aproximava de algo ou alguém, Jesus transmitia sempre a vida recebida de Deus Pai e assim mesmo fazia e refazia tudo em seu redor. É o que assinalam as suas curas físicas e espirituais, chegando mesmo a acalmar tempestades.

Nos dois milénios que o cristianismo já leva, esta atitude de Cristo repercutiu-se em muitos factos confirmados da vida dos santos, que com Ele estiveram inteiramente do lado de Deus para refazerem vidas, com repercussões felizes na própria natureza. Na verdade, respeitando os vários níveis e qualidades dos seres, tudo tem origem divina e com Deus se pode e deve manter e melhorar.

É este o sentido da oração, pedindo a Deus o que Ele mesmo nos quer dar, em absoluta coincidência de vontade. O Missal Romano inclui orações por necessidades de vária ordem, também no que à natureza se refere. Na presente situação, proponho aos irmãos sacerdotes do Patriarcado de Lisboa que, quando a Liturgia diária o permita, celebrem a Missa para Diversas Necessidades, com a prevista Oração Coleta: «Deus do universo, em quem vivemos, nos movemos e existimos, concedei-nos a chuva necessária, para que, ajudados pelos bens da terra, aspiremos com mais confiança aos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo». Além disso, pode-se sempre juntar idêntica intenção na Oração Universal.

Com a oração insistente, mais coincidiremos com a vontade de Deus, que conta sempre com a nossa corresponsabilidade. Como disse Santo Afonso e o nosso Padre Cruz tanto repetia, «quem quer o que Deus quer, tem tudo quanto quer».

Lisboa, 30 de outubro de 2017
+ Manuel, Cardeal-Patriarca
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  • Artur António Carval
    30 out, 2017 Vila Nova de Gaia 19:32
    Senhor Mário, a oração a pedir chuva vem do tempo de Paulo VI e se bem bem lembro, criada pelo próprio; a dança da chuva ainda existe, creio que entre os índios americanos e do Brasil. quanto ao senhor António que parece falar muito e acertar pouco, proponho que comece já a trabalhar na construção dos ditos túneis.
  • Antonio
    30 out, 2017 Porto 17:44
    Eu proponho a construção de túneis de ligação entre as barragens do norte às do centro,e consequentemente ao sul do país.
  • Mario
    30 out, 2017 Portugal 17:33
    Conhecia a dança da chuva mas este tem a oração, talvez sacrificando umas vidas humanas talvez chova pois Deus gosta de sacrifícios.....
  • real
    30 out, 2017 PORTO 16:34
    A comunicação social, se porventura, estiver um dia com uns pingos de chuva, começa logo por dizer que naquele dia está mau tempo. A maioria das pessoas que vivem nas cidades estão-se nas tintas para que chova ou não chova. Já ouvi dizer para mim o tempo está magnifico. Era bom que a Igreja apela-se aos grandes lideres mundiais que parassem com tanta agressão ao planeta. Por outro lado, um pouco de pedagogia nas Paróquias das aldeias para sensibilizar os paroquianos a tratarem bem a natureza, também não se perdia nada.