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Catalunha declara independência de Espanha, Madrid suspende autonomia

27 out, 2017 - 14:27

Votação não contou com os deputados do PP, do PSOE e do Ciudadanos, que se ausentaram do Parlamento. Madrid rejeita todo o processo e já aprovou o artigo 155.º da Constituição.
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Catalunha ferve. Da independência à destituição em cinco horas
Catalunha ferve. Da independência à destituição em cinco horas

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O Parlamento catalão declarou esta sexta-feira pelas 15h27 (hora espanhola, menos uma em Lisboa) a independência unilateral da Catalunha. Setenta deputados votaram a favor e dois votos em branco.

Numa sessão do parlamento regional realizada esta sexta-feira, os deputados do Junts pel Si, CUP e do Catalunya Si Que Es Pot ficaram sozinhos no hemiciclo para proceder à votação secreta, uma vez que todos os deputados do PP, do PSOE e do Ciudadanos abandonaram o edifício em protesto contra o processo, alguns deixando para trás bandeiras de Espanha.

Poucos minutos depois da votação, o Senado espanhol aprovou a aplicação do artigo 155.º da Constituição, que prevê a suspensão de uma autonomia regional, neste caso da Catalunha. Esta sexta-feira, Mariano Rajoy pediu ao Senado autorização para destituir o Governo regional da Catalunha.

Madrid rejeita totalmente o processo de independência, considerando-o ilegal e inconstitucional. A própria equipa jurídica do parlamento regional tinha avisado que o voto seria considerado ilegal e o presidente do parlamento recordou os deputados desse facto. Todos os que participaram na votação correm agora o risco de terem de responder perante a justiça espanhola.

"Não vai ser fácil, não vai ser de borla e não vai mudar tudo num só dia", avisou Marta Rovira, do partido Junts pel Si, "mas não há alternativa a um processo rumo a uma República Catalã", afirmou.

Apesar do abandono do parlamento regional por parte dos partidos contra a independência, 10 deputados regionais (os do Catalunya Si Que Es Pot) votaram contra a medida.

O resultado foi recebido com festejos por populares pró-independência que se tinham concentrado no exterior do parlamento e pouco depois foram arreadas as duas bandeiras que até então estavam hasteadas no topo do edifício, a espanhola e a bandeira oficial da Catalunha. Os independentistas costumam utilizar uma bandeira alternativa, conhecida como a "estelada".

Meros minutos após a votação, Mariano Rajoy publicou uma mensagem no Twitter, apelando à calma. "Apelo à tranquilidade de todos os espanhóis. O Estado de Direito restaurará a legalidade na Catalunha".

A Comissão Europeia recusou pronunciar-se sobre este desenvolvimento, alegando tratar-se de uma assunto interno de Espanha.

Nenhum país europeu, nem qualquer instituição europeia, tem reconhecido ou apoiado as pretensões independentistas da Catalunha.

E agora?

Depois da activação do artigo 155.º da Constituição, Madrid pretenderá substituir órgãos de poder regional e agendar novas eleições para o parlamento da Catalunha. Espera-se que o Tribunal Constitucional, em Madrid, reaja rapidamente a declarar ilegal e medida do parlamento catalão. A dúvida está em saber como é que a governação central funcionará na prática, e se será necessário lidar com a oposição das forças no terreno, como os funcionários públicos e as forças policiais catalãs.

Os analistas concordam que Madrid deverá nomear sobretudo técnicos e não figuras políticas para esses cargos, para não hostilizar a opinião pública catalã, até porque não é de todo certo que a maioria da população da região seja a favor da independência.

Num post publicado na sua conta no Facebook, a presidente da Câmara de Barcelona, Ada Colau, criticou tanto a declaração unilateral de independência como a invocação do artigo 155.º da Constituição. "Em meu nome não. Nem 155 nem DUI", escreve a autarca.

[Notícia actualizada às 15h42. Madrid activou o artigo 155.º]

O momento em que a Catalunha declarou a independência
O momento em que a Catalunha declarou a independência
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  • J.Batista
    28 out, 2017 Lisboa 09:15
    VERGONHA. Palavra desconhecida neste país ou grupo de associados castelhanos e alguns títeres interesseiros. VERGONHA de Pedro Sanchez que rasgou a bandeira da Liberdade em nome duma grande hespanha com sangue, sangue de oprimidos pela força besta dos tiranos castelhanos e fúria sanguinária dos bárbaros piratas de mares lodosos e pútridos. VERGONHA de Tusk, Juncker e Ceuropeia por apadrinhar a posse dum colonato por um novo colonizador, em pleno séc.XXI. VERGONHA dos EUA, suposta pátria da Liberdade, e dos seus aliados ex-comunistas e paladinos num silêncio da sua anuência ao esmagamento pela pata dos tiranos castelhanos duma nação livre e democrática que escolheu o seu destino. Em 1936, como anteriormente, foi a lei do fuzil que o opressor utilizou, para dominar esse povo de território próprio, língua própria e tradições antigas. Hoje pela intimidação, ameaça, sequestro e verborreia comunicacional selvagem, boçal e bárbara, levada a cabo por um ministro com capacidade para ser varredor mas sem inteligência para ser lavador. A amostra dos seus sicários no Parlament é elucidativa do baixo nível civilizacional desta gentalha.Viva a república da CATALUNHA, livre e independente. Viva a Liberdade! Viva PORTUGAL! Viva Olivença!
  • 28 out, 2017 01:52
    Cortar, a Agua, o gas, a electricidade e fechar os bancos. Acabava a tontice em 2 dias, e uma carguinha de porrada enquanto dum megafone o exercito grita "voces sao propriedade de Espanha" era lindo, adorava ser o lider de um pais, ia ser o governo do respeito sadistico hummmm.
  • ACA
    27 out, 2017 Porto 23:39
    Agora estes europeus de meu tijela, já não se lembram como o Kosovo se tornou independente da Sérvia?...
  • Nuno
    27 out, 2017 Guimarães 23:16
    Se se respeitasse sempre a lei e ordem vigentes, nunca nada mudaria em local algum do planeta. Qualquer mudança, impõem sublevação à ordem vigente. Qual o sentido das regiões autónomas? Autónoma = autonomia. Se Espanha é um estado uno e forte, qual a razão de ser de uma autonomia? Uma autonomia, de certa forma já é um reconhecimento de uma exceção por parte de um governo central. A que se deve essa exeção? A atonomia na Catalunha sempre foi uma exeção para refrear os desejos independentistas. Mas uma autonomia fraca, sem valor, sempre refém de Madrid é o mesmo que nada. A autonomia é o meio caminho, que tanto pode resultar numa mão cheia de nada, como pode justificar uma fuga para a frente. Como eu, Minhoto deste Portugal, compreendo os Catalães. Que temos nós haver com Lisboa, lá longe e fechada dentro de si mesma, a absorver a riqueza por nós construída com sangue suor e lágrimas? O Poder central só se lembra do resto do país, quando caímos que nem tordos, cozinhados vivos pelos fogos.... Só espero que os Catalães sigam numa luta pacifica de resistência. Quem já esperou tanto tempo, espera muito mais. Mas que Madrid sinta o peso do seu alheamento da realidade e da real vontade dos Povos que constituem o seu território.... Como eu queria que Lisboa sentisse algo parecido...
  • Serafim de Albarrois
    27 out, 2017 .. 21:52
    Em Portugal mais de metade da banca é estrangeira, particularmente espanhola. Os rios que correm em Portugal, vindos de Espanha, tem o caudal ao sabor dos castelhanos. De Norte a Sul de Portugal, não conheço quem faça estrumeira junto à casa do vizinho. Como entender então, Almaraz!? Portugal é um importantíssimo (importador) consumidor, de produtos agrícolas, de carne, peixe...... Daí a arrogância de muitos espanhóis (os Galegos são excepcção) que apregoam à tripa-forra:  PORTUGAL É A PROVÍNCIA DE ESPANHA QUE MENOS PROBLEMAS TRÁZ AO GOVERNO DE MADRID. Porque detesto a pesporrência e o bastão, ORGULHOSAMENTE PORTUGUÊS, sou, "POR CATALUNYA!".
  • tuga
    27 out, 2017 norte 21:30
    as reações do governo português só se compreendem do ponto de vista diplomático pois se assim não for revela uma profunda antitese daquilo que fez surgir portugal há 1000 anos e se calhar com muito menos razões. talvez a rebeldia de um filho para com sua mãe tivesse dado origem a este reino aqui na peninsula . ao contrário dos catalães que ao longo da história têm mais que muitas razões de queixa dos castelhanos. muito sofreu a catalunha nas mãos de castela..... apesar dos tempos serem outros , a nossa elite politica guia-se por factores secretos , mas nem tanto assim se estivermos atentos, pois para bom entendedor meia palavra basta. e apesar de tudo , e de se calhar o momento não ser o mais oportuno.. viva a catalunha e os catalães !!! e já agora viva portugal , este reino das espanhas....
  • andre
    27 out, 2017 lx 21:26
    Desculpem-me a metáfora mas isto parece uma novela entre o "lunático da Catalunha" e o "idiot@ de Madrid" ? É óbvio que ninguém queria que isto acontecesse, aliás nem estava por aí inclinado. É um tema deles que deverão ser eles a resolver, o "Mundo" pode não reconhecer, mas de cada perspectiva cada um tem a sua razão. Rajoy pode estar com peito estufado de razão, mas acho que isto não será resolvido à força (pelo menos com o cidadão comum, dado que aparentemente já ameaçou prender "lunático da Catalunha"). Estou em crer que o único medo pelo mundo fora é a repercussão da situação. Directamente não nos deve causar moça mesmo que se torne independente.
  • José Seco
    27 out, 2017 Lisboa 20:58
    Portugal devia ter VERGONHA em ser lambe botas da Espanha, foi a CATALUNHA que ajudou Portugal na guerra da independência contra Espanha em 1640, e Portugal AGRADECE apoiando quem DESTRUIU Portugal, antes de Portugal ser Espanha, era a potência numero um no mundo, mas entre 1580 e 1640 os Espanhóis proibiram a lingua Portuguesa na rua, e anexaram Portugal, saquearam o Brasil, e os territórios de áfrica e ásia, foi a CATALUNHA que ajudou Portugal a hoje estar LIVRE... A Catalunha NÃO FALA Espanhol e é mais antiga que Espanha... Não tem o minimo sentido ser provincia de Espanha como nós fomos...
  • Jose Roseirinho
    27 out, 2017 Aljezur 20:52
    Independência do Algarve já.
  • João Lopes
    27 out, 2017 Viseu 20:44
    É sensato que a Comissão, o Parlamento, o Conselho europeu e o Governo Português rejeitem a independência da Catalunha. Diana Soller escreveu hoje no Observador: «o presidente da Generalitat não só é um líder fraco que deu um passo maior do que as pernas, como é refém das forças independentistas mais radicais da sua própria coligação». É verdade!