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Como funciona o Centro de Resposta de Emergência da UE?

25 out, 2017 - 11:38

O Centro de Resposta de Emergência (CCRE) da União Europeia funciona no coração do bairro europeu, onde se encontram as instituições da UE, em Bruxelas. O correspondente da renascença, Vasco Gandra, foi conhecê-lo por dentro.
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Reportagem de Vasco Gandra no Centro de Coordenação de Resposta de Emergência da UE
Reportagem de Vasco Gandra no Centro de Coordenação de Resposta de Emergência da UE

O CCRE faz parte da Comissão Europeia. É uma plataforma de recolha e análise de informação em tempo real sobre catástrofes. Também vigia os riscos e coordena a resposta da União Europeia e dos Estados-membros a situações de desastres naturais que ocorram no espaço comunitário - mas não só -, mobilizando os recursos dos 34 países que participam no Mecanismo Europeu de Protecção Civil.

O Centro articula, assim, as ofertas de ajuda que cada país disponibiliza com as necessidades do país que sofreu a catástrofe - seja incêndios, cheias, tremores de terra ou furacões. “A partir daqui o que fazemos é receber o pedido de ajuda quando há uma catástrofe natural ou humana, da parte de qualquer Estado-membro ou de qualquer parte do mundo. Recebemos esse pedido de ajuda e imediatamente reenviamos aos outros Estados-membros participantes, e coordenamos as ofertas de apoio”, explica Carlos Martín, porta-voz da Comissão Europeia.

Numa situação de catástrofe, cada minuto conta e uma resposta imediata e coordenada é vital. É isso que pretende fazer o Mecanismo Europeu de Proteção Civil através do CCRE, facilitando e cofinanciando a ajuda para as zonas afetadas. A assistência pode incluir bens de primeira necessidade, o envio de especialistas, equipas de intervenção ou de salvamento, postos médicos, ou aeronaves de combate a incêndios como aconteceu em Junho e Julho, em Portugal.

Desde o seu lançamento, em 2001, o Mecanismo de Protecção Civil da UE acompanhou mais de 400 catástrofes em todo o mundo. Em termos de incêndios, o Verão passado terá sido o pior, com um número recorde de pedidos de ajuda. Carlos Martín reconhece que devido aos fogos florestais em vários países, sobretudo em Portugal, este foi o Verão de maior actividade no CCRE: “Concretamente, em Junho e Agosto mobilizaram-se todos os nossos meios disponíveis. Enviaram-se aeronaves, 7 em Junho e 5 em Agosto, enviaram-se equipas de bombeiros de 150 em cada caso e veículos para combater as chamas, facilitaram-se imagens de alta definição por satélite do sistema Copernicus e enviaram-se peritos para o terreno”.

Na sua missão de monitorização, o CCRE também recorre aos dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) e a imagens de satélite para obter uma visão mais alargada do terreno. Segundo dados provisórios fornecidos pelo EFFIS na semana passada, este ano arderam em Portugal até agora cerca de 519 mil hectares quando a média durante o período 2008-2016 foi de 84 mil.

Para evitar atrasos na coordenação da ajuda dos Estados-membros, o objectivo da União Europeia é agora reforçar a eficácia do actual Mecanismo Europeu de Protecção Civil e criar uma verdadeira força operacional que possa acudir em permanência os que enfrentam catástrofes naturais. O presidente da Comissão defendeu esta semana que é necessário remodelar os mecanismos de protecção civil da UE, sublinhando que “não é normal” o tempo que Portugal teve de esperar por assistência de outros Estados-membros para combater os recentes incêndios florestais. A Comissão deverá apresentar propostas ainda este ano para remodelar o sistema.

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