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Perseguição aos cristãos atingiu dimensão e forma ”nunca vistas na História”

12 out, 2017 - 15:10 • Ângela Roque

Relatório “Perseguidos e Esquecidos?”, da AIS, mostra que, nos últimos dois anos, cresceu a violência contra os cristãos, que em alguns países são vítimas de tortura e noutros têm sido levados a um êxodo forçado. Há locais onde o cristianismo pode desaparecer no prazo de três anos.
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A situação dos cristãos nos países onde são uma minoria deteriorou-se muito e alastrou a mais locais e protagonistas, conclui um relatório intercalar da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) sobre a perseguição religiosa no mundo.

A AIS divulga este relatório de dois em anos. O último foi publicado no final de 2016 e este, que é oficialmente divulgado esta quinta-feira, diz apenas respeito aos cristãos.

Intitulado “Perseguidos e Esquecidos?”, o relatório analisa a situação em 13 países, entre Agosto de 2015 e Julho de 2017, concluindo que “houve um declínio da liberdade de expressão da fé da comunidade cristã”, que está a ser vítima de uma perseguição “nunca vista na História”, e de uma violência sem precedentes.

O Iraque e a Síria são dos locais onde a situação é mais grave, por causa da perseguição movida nos últimos anos pelo auto-proclamado Estado Islâmico. “Os cristãos são uma minoria pobre, desprotegida e sem acesso aos direitos mais básicos, e muitos tiveram de fugir por causa da ameaça dos radicais islâmicos”, diz à Renascença Catarina Martins Bettencourt, que alerta: “O cenário que apontamos neste relatório é o da possibilidade de em três anos as comunidades cristãs pura e simplesmente desparecerem nestes dois países. O que me choca muito, porque estamos a falar do berço do cristianismo”.

Mas se no Médio Oriente a violência é exercida normalmente por grupos jihadistas, há casos em que os ataques contra a comunidade cristã são realizados pelo próprio Estado. Acontece na China e na Coreia do Norte.

“Na China, o presidente já afirmou que o cristianismo é visto como uma infiltração estrangeira, e nos últimos dois anos houve destruição de símbolos religiosos e de igrejas, detenções. É uma perseguição por parte do Estado”, diz-nos. Mas, na Coreia do Norte a situação é ainda mais alarmante, com relatos de “atrocidades inimagináveis” contra os cristãos em campos de concentração. “Os cristãos são obrigados a passar fome, há casos de violações, aborto forçado, e relatos de fiéis que são pendurados em cruzes sobre fogo, ou que são esmagados por rolos compressores. São práticas de tortura. É indescritível o que os cristãos ali estão a passar”, afirma a responsável da AIS. Muitos destes cristãos perseguidos acabam presos: “estão em campos de concentração, de onde a maioria não sairá com vida dado este tipo de tortura que é feito”.

Também em África há cada vez mais extremismo religioso. A Nigéria é dos piores exemplos: “há uma limpeza étnica, sobretudo no norte do país, levada a cabo pelo Boko Haram, um grupo terrorista filiado do auto-proclamado Estado Islâmico”. O relatório indica que a onda de violência já causou “mais de 1,8 milhões de refugiados ou deslocados”. Só na diocese de Kafanchan, e só nos últimos cinco anos, o Boko Haram assassinou 988 pessoas, destruiu 71 aldeias – na sua maioria cristãs –, e mais de 20 igrejas. Catarina Martins Bettencourt diz que os relatos que chegam, impressionam pela brutalidade: “para além de haver milhares de pessoas em fuga dentro do próprio país, tem havido assassinatos em massa. As pessoas têm de fugir para salvar a vida, e há um número exorbitante, que tem crescido nos últimos anos, de mulheres viúvas e crianças órfãs de pai e mãe. O objectivo é, claramente, o de fazer uma limpeza étnica”.

A responsável da Fundação AIS lembra que em 2016 vários países, Portugal incluído, reconheceram que havia “um genocídio em curso no médio oriente, e em alguns países de África”, mas isso “não teve efeito prático”, lamenta. “Não basta votar uma declaração e depois nada acontecer. Tem de haver medidas concretas, mas infelizmente o que continuamos a ver é que acima de tudo estão as questões económicas e as questões estratégicas, de posicionamento dos países mais poderosos do mundo”.

O relatório “Perseguidos e Esquecidos?” vai ser apresentado esta quinta-feira em todos os países onde a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre está presente, para sensibilizar os media e o poder político para esta questão. Em Portugal a apresentação será feita esta quinta-feira, às 17h00, no auditório da Rádio Renascença, pela Fundação AIS e pelo bispo auxiliar de Lisboa D. Nuno Brás.

Comentários
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  • Amora de Bruegas
    12 out, 2017 Fig. da Foz 22:51
    Constato que o meu comentário foi democraticamente apagado...há verdades que são incómodas e não há coragem para as enfrentar. Ao ler os comentários, constato duas coisas: 1.º- um comportamento masoqista da RR ao aceitar comentários agressivos e falsos de gente que sofreu uma democrática lavagem cerebral contra a Igreja..., mas estes não são apagados! 2.º-os comentaristas servos do marxismo cultural, têm a típica visão cege e que só lança ódio, além do mar de máfé! Porque não falam das grandes obras de desenvolvimento tecnológico, médico, cultural e humano que a Igreja Católica, os europeus deixaram em terras de África e América do Sul e cujos autóctones não souberam aproveitar? Porque não se fala na escravatura cometida por pretos contra pretos ou indios contra indios, além do canibalismo que os caracterizou durante milénios? O mundo tem uma grande dívida para com os europeus, que les consideram ser superiores! E porque assim pensam, procuram emigrar para onde governa o brnaco, América do Norte e Europa..., como são hipócritas, condenam os Cristãos, os brancos, mas querem viver à custa deles..., parasitas hoje como sempre foram! Nada de hedonista censura.
  • Álvaro Mota da Costa
    12 out, 2017 São Mamede de Infesta 19:59
    Por estas respostas podemos ver o porquê do mal no mundo. Arranjamos desculpas ou argumentamos factos passados, como justificação para os novos factos. Na verdade, quer uns factos quer outros são criticáveis e devemos sentir dor por todos eles, no entanto, os já passados, já nada podemos fazer mas, os atuais sim, podemos e devemos fazer algo para os evitar. O cristianismo na sua essência é um próprio ato de fé. Saibamos não "atirar a pedra ao outro" mas, na compreensão e no perdão, peçamos pelos que sofrem e supliquemos também por uma verdadeira paz no mundo. Já o próprio Jesus dizia: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Jo 14 , 27
  • real
    12 out, 2017 PORTO 18:09
    É o sinal dos tempos. Eu, francamente, de Cristão tolerante, também começo a não tolerar o outro que é diferente. Cada um no seu canto. Nada de misturas. Sê radical para o radical. Essa história de dar a outra face, para mim, não pega.
  • jmvns
    12 out, 2017 lisboa 18:08
    A guerra também é da religião e as 26.000 bombas que o democrata obama é responsável só em 2016 produziram um efeito ao retardador . A situação vai agravar se porque o islamismo está a tentar espalhar se a oeste e só há uma solução ... fechar as fronteiras e devolver essa gente ao seu habitat milenar ... não adianta estar com psicologia ... eles vivem assim há milénios .
  • Mario
    12 out, 2017 Portugal 17:18
    Bem razao tinha o Imperador Nero pois se os tivesse extinguido nao levávamos com a inquisição...
  • José Andrade
    12 out, 2017 Seixal 16:32
    A Igreja Católica Apostólica Romana, deve estar esquecida do seu passado vergonhoso. As Cruzadas a Santa ? Inquisição e outras atrocidades, cometidas contra outras minorias religiosas ? Não comentam ? E mesmo hoje em dia, A igreja Católica Apostólica Romana, continua a tentar silenciar pessoas ou outras denominações religiosas, que expõem as mentiras doutrinais, os escândalos sexuais contra menores e não só, a lavagem de dinheiro.etc..... (Agradeço que tenham a humildade e coragem, para colocarem este post)
  • Observador
    12 out, 2017 lisboa 16:21
    Porque não falam no Japão onde a situação é rigorosamente igual á dos países indicados... Será porque são aliados atualmente dos E.U.A. ?
  • Carlos Gonçalves
    12 out, 2017 Seixal 16:10
    E então o que diz a História sobre as perseguições que os cristãos fizeram aos outros???? Que moral têm agora para vir questionar isto?? Costuma dizer-se que quem com ferros mata, com ferros morre!!
  • Nuno
    12 out, 2017 V.N:Gaia 16:08
    Se na China os cristãos são interferência estrangeira, o que são os chineses em Portugal?? Estes estão a dar a corda que os europeus se onde enforcar, pelos vistos toda a gente assobia para o lado.Quanto aos muçulmanos toda a gente sabe do que são capazes esses assassinos, não têm nada nem objectivos de vida; mas estes estão a tomar conta da Europa, os políticos é que têm a responsabilidade por toda esta situação ao abri-lhes as portas e a sustentarem-nos com todas a mordomias que lhes dão à custa dos contribuintes, por fim vê-se o que estes têm feito na Europa !!!!
  • Fernando
    12 out, 2017 Lisboa 15:50
    Oh sim ? ............ e os ditos Cristãos já antes fizeram todo o trabalho......... podemos dizer que JÁ FIZERAM as perseguições todas que podiam fazer, e ............ pediram desculpa pelos atentados em nome do Cristo ? ..... o facínora e inquisidor a falar dos outros, pois ......................