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Situação nos blocos de partos "está no limite". "Há conflitos entre médicos e enfermeiros"

27 set, 2017 - 12:41

"Não podemos continuar assim indefinidamente", disse o bastonário da Ordem dos Médicos, apelando ao Governo para resolver definitivamente o problema dos enfermeiros especialistas em protesto.
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O bastonário da Ordem dos Médicos considera que a situação nos blocos de partos, decorrente do protesto dos enfermeiros, está à beira de se tornar insustentável, apelando ao Governo para resolver a questão definitivamente.

Em declarações à Agência Lusa, Miguel Guimarães disse ter relatos de deficiências em blocos de partos de vários hospitais, além de situações de conflitos entre médicos e enfermeiros.

Os médicos têm feito um "enorme esforço" para assegurar partos, mas "estão no limite".

"Não podemos continuar assim indefinidamente", disse, apelando ao Governo para resolver definitivamente a questão, fazendo a negociação com os profissionais ou introduzindo novas regras.

Miguel Guimarães indicou que o colégio de especialidade de ginecologia e obstetrícia está "considerar seriamente" reformular as equipas tipo ao nível dos blocos de partos, aumentando o número de médicos.

À Ordem chegaram já relatos de "vários hospitais em que há conflitos entre médicos e enfermeiros", o que Miguel Guimarães considera indesejável, até porque pode por em causa a relação das equipas multidisciplinares.

Apesar disso, o bastonário refere que há hospitais que continuam a funcionar normalmente e diz que as grávidas "têm de continuar a confiar no Serviço Nacional de Saúde".

“Momentos de tensão”

"É uma situação inédita em Portugal e até provavelmente na Europa. Tem de ser encontrada uma solução", afirmou, indicando que essa solução deve ser encontrada em conjunto pelo Governo, médicos e enfermeiros.

Miguel Guimarães falava à Agência Lusa à margem de uma conferência, promovida pela Associação da Indústria Farmacêutica, onde o bastonário se referiu aos "momentos de tensão" no sector da saúde.

Os enfermeiros de saúde materna e obstetrícia continuam em protesto e afirmam que são os médicos quem tem tentado colmatar as falhas dos serviços, mas que estes profissionais estão exaustos.

Em declarações à agência Lusa na semana passada, Bruno Reis, do movimento dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia, disse que as dotações de profissionais nas salas de parto "continuam inseguras". "Quem está a tentar colmatar as falhas são as equipas médicas que estão extenuadas e exaustas ", afirmou.

O protesto tinha ocorrido já durante quase todo o mês de Julho, tendo sido interrompido para negociações com o Governo.

A 24 de Agosto, os profissionais especialistas retomaram o protesto por "falta de resposta política do Governo", segundo Bruno Reis.

Comentários
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  • FIlipe
    27 set, 2017 évora 21:39
    É curioso quando escolhem determinadas profissões em que aos anos estão abertas ao público 24horas por dia , seja saúde ou segurança , vem depois lamentarem-se que trabalham no Natal , etc. Esquecem , que os enfermeiros e médicos também tem AVC´s e Enfartes , e espero que nenhum deles os tenha nesse períodos ou em tempo de greve , para ver o que é ser mordido pelo cão ! E , que eu saiba na saúde privada até pagam menos e que eu saiba lá por estar nas caixas do Continente Doutorados em Matemática , não ganham mais que o colega com o 9º ano . E que que saiba em todas as profissões se tiram Mestrados e Doutoramentos às custas do próprio e não se vão lamentar que são já especialistas e querem mais euros no bolso . Querem mais euros , tudo bem , um concurso Nacional de avaliação de competências e graduação , pois muitos nem uma injeção sabem dar , mais parecem um tropa das SS a perfurar um judeu .
  • Dias
    27 set, 2017 Lx 20:13
    È assim mesmo os doentes que se flixem, quando devia ser a maior preocupação. Para que servem os juramentos de respeito pelo próximo.
  • jose
    27 set, 2017 porto 20:06
    Sou enfermeiro. Trabalho há 30 anos.Recebi este mes 1045€.Sou licenciado, graduado,e com pos-graduacao em gestao de servicos de saude. Sou coordenador de varias consultas de especialidade. Nos mesmos servicos, um nutricionista, um tecnico de diagnostico, um psicólogo ou um assistente social entre outros ( e a meu ver, correctamente) ganham , em inicio de carreira, mais 400 euros do que eu, embora ja trabalhe ha 30 anos e tenha as mesmas qualificacoes academicas que esses profissionais. Eu nao contesto a situacao desses profissionais, pelo contrario. Quero apenas que se faça justica e nos devolvam aquilo que ao longo de varios anos nos foi sucessivamente negado.
  • Antero
    27 set, 2017 Mats 19:29
    Os médicos têm feito um "enorme esforço" para assegurar partos, mas "estão no limite". Alguém acredita neste artolas bastonário dos médicos, o que ele quer é mama. Discordo que haja tanta diferença salarial no sistema de saúde, e quem ganha demais são os médicos, comparativamente com outros licenciados, e só trabalham 35 horas, logo deveriam ganhar menos 15% dos restantes relativamente a quem trabalha 40 horas.
  • Fartos disto!!!
    27 set, 2017 18:57
    Os enfermeiros são técnicos operacionais na saúde. Não tem funções de diagnostico, nem de definição de medicação ou outros tratamentos. Recebem a medicação feita nos laboratorios pelos farmaceuticos e aplicam-na de acordo com a prescrição médica. Ou seja tem tarefas de execução. Não se justifica por isso os salarios que querem. Até podem andar pelas escolas de enfermagem a tirar uns mestrados e doutoramentos da treta com que os docentes das ditas escolas justificam a sua existência mas na pratica as tarefas são sempre de execução..
  • joao123
    27 set, 2017 lisboa 18:32
    Isto é o resultado do fim da austeridade , está mais do que à vista...
  • KAMBADA
    27 set, 2017 sines 18:19
    O problema ficará resolvido quando o ministério da educação/ciência continuar o trabalho que foi iniciado há 30 anos quando á custa de greves sucessivas e intermináveis dos enfermeiros que passaram por via administrativa para bachareis, depois para licenciados/ mestrados de Bolonha e por fim a doutorados, o passo que falta dar é passarem a ser médicos e o salário aumentará os 1000 euros que estão na base do litígio.
  • COSTA DEMAGOGO
    27 set, 2017 Lx 17:29
    A paz social das esquerdas unidas é assim...greves para aumentar a dependência do Estado...Mas como diz o pantomineiro travestido de 1º Ministro chamado Costa, como já virámos a página da austeridade há que exigir aos esquerdelhos o caroço..Costa enredado nas suas manobras populistas, demagogas, mentirosas... Sou fornecedor do Estado e até hoje desde Janeiro de 2017 que não me pagaram uma factura...Triste mas é verdade e ainda tenho q liquidar o IVA...É só fantasia e ilusionismo das esquerdas unidas...depois apague-se a luz....
  • 27 set, 2017 coimbra 17:08
    CONTINUAÇÃO - ----------nem o médico fazer o serviço do enfermeiro; ------------5- quanto aos ordenados, claro que os enfermeiros têm estado a ser roubados, isto comparados com ASSISTENTES SOCIAIS E OUTRAS, que lhes é pago ordenado de licenciatura e aos enfermeiros que são licenciados, alguns MESTRADOS ou especialistas, ainda não lhes é pago como tal; -------------------------- 6- os médicos sempre estiveram e estão contra os enfermeiros, pois habituaram-se a ser os pastores dos enfermeiros, continuando com a ideia de que os enfermeiros são os seus capachos; ----------------------7- Ora o que aqui leio, só pode vir de gente ressabiada, que não sabe o que diz, ou... --------------------------Mais poderia dizer, mas chega para tapar a BOCA A INVEJOSOS.
  • carlos Cruz
    27 set, 2017 Porto 17:08
    Há situações insólitas. Quem sofre são as gravidas que fazem cesarianas sem ser necessárias, que não tem os cuidados que merecem por direito. Parece um pais do terceiro mundo. Os Médicos querem dormir de noite e não podem, pois não há enfermeiros para fazer vigilância. O governo devia analisar os registos médicos no período nocturno e verificar como se utiliza o SNS, os hospitais públicos, para dormir, porque no outro dia se vai trabalhar para o privado. É Urgente separar o publico do Privado. O ministro devia fazer as contas e verificar quanto custa estar a contratar médicos (horas extraordinárias) para substituir enfermeiros. Não se importa porque quem paga somos todos nós. Mas, o "povo" não se preocupa com isso, depois...