O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
|
A+ / A-

António Arnaut está a trabalhar em nova lei de carreiras profissionais para o SNS

15 set, 2017 - 16:03

A revelação partiu do próprio ministro-fundador do Serviço Nacional de Saúde. Arnaut diz que as carreiras profissionais devem ser "estáveis, com profissionais de todos os sectores, todas as graduações, todos os patamares, que se sintam motivados".
A+ / A-

O histórico militante socialista António Arnaut, habitualmente chamado de “pai” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), revelou, esta sexta-feira, que está a trabalhar numa nova legislação que tem por base carreiras dignas e estáveis para os profissionais do sector.

"Estou a trabalhar, há cerca de um ano, numa nova lei para o Serviço Nacional de Saúde, que tem como pedra basilar as carreiras profissionais, porque as carreiras profissionais são a trave mestra do Serviço Nacional de Saúde", disse António Arnaut, em Coimbra, numa cerimónia evocativa dos 38 anos do SNS.

O advogado, que esteve na génese do serviço público de saúde, argumentou que este precisa de carreiras "estáveis, com profissionais de todos os sectores, todas as graduações, todos os patamares, que se sintam motivados, ou então não há Serviço Nacional de Saúde de Qualidade, não há estabilidade", alegou.

"Os profissionais têm de ter estabilidade, têm de ter formação permanente, têm de ter espírito de equipa que só a estabilidade é que dá e ter uma remuneração condigna para com a sua responsabilidade profissional e social", adiantou Arnaut.

A nova legislação, indicou, está a ser trabalhada por um médico e gestor - cuja identidade não revelou - mas a quem compete "a parte técnica", estando António Arnaut responsável pelos "princípios essenciais da filosofia e da doutrina do Serviço Nacional de Saúde", um serviço "para todos os portugueses, independentemente da sua condição económica e social".

"Acreditem que o futuro para o Serviço Nacional de Saúde é melhor do que o presente e do que o passado. Acreditem que o Governo está sensibilizado, já conhece o essencial das minhas sugestões e está de acordo com isso", adiantou.

Dirigindo-se aos representantes de secções regionais de ordens profissionais do sector - que hoje assinaram um protocolo de colaboração - o histórico socialista garantiu que a saúde "vai ter carreiras dignas", manifestando-se disponível para estar ao lado dos profissionais do sector "naquilo que for justo" nas negociações à mesa com o Governo.

Na cerimónia simbólica de rega de uma oliveira, plantada há oito anos por iniciativa da Liga dos Amigos dos Hospitais da Universidade de Coimbra, no parque Verde do Mondego, nas comemorações do 30.º aniversário do SNS, António Arnaut recordou o recente período de dois meses de internamento hospitalar a que esteve sujeito.

"Estou vivo graças ao Serviço Nacional de Saúde", frisou, alegando ter vivido "uma experiência difícil", durante a qual contactou "do corpo à alma" com o SNS.

Disse ainda ter reforçado a ideia que tinha de que "há muitas insuficiências" mas, na sua qualidade de utente do SNS, verificou também "uma grande dedicação" de médicos, enfermeiros e assistentes operacionais.

"E verifiquei uma grande dedicação, sobretudo dos enfermeiros. Eu sempre tive um grande apreço pelos enfermeiros, por todos, mas enquanto o médico, depois de me operar e de toda aquela solicitude própria, vem de manhã e fala comigo quatro ou cinco minutos, por que tem muitos [doentes] para ver, o enfermeiro está 24 horas por dia, três turnos sobre 24 horas. A gente toca à campainha e vem um enfermeiro. E não têm grandes condições de trabalho, eles em geral trabalham até à exaustão", descreveu António Arnaut.


Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Joaquina Martins
    18 set, 2017 Rio Tinto 09:46
    Bem haja Dr. Antonio Arnaut. So mesmo o Senhor para ajudar a resolver esta situacao.
  • Américo Borrego
    17 set, 2017 Leiria 23:11
    O serviço nacional de saúde são o seu serviço politico de relevância na sua vida.Gostava que falasse do actual estado da saúde com as cativações e a falta de muita coisa em todos os hospitais.Temos que ser honestos e é seu dever falar da situação.Quando o nosso partido é o primeiro a iniciar aquilo que criou e se auto elogia por tal, deixe o amor ao partido e contribua para melhorar e não matar o SNS.
  • Zé Povinho
    15 set, 2017 Lisboa 18:29
    O SNS é viável mas tem que haver controle de custos, que nao podem ser no tratamentos mas sim, nos desperdícios. Os cortes de custos de tratamentos, está a levar os médicos a desviar para usar pseudo-medicamentos, que nao tem a eficácia dos medicamentos éticos e o "barato sai caro", os doentes nao sao efectivamente tratados, causando ainda mais custos ao SNS, com mais consultas ou cirurgias. É preciso vigiar as burlas mas acima de tudo, os incentivos "especiais" ligados à corrupção que agora parece andar mais para os lados dos produtos nao comparticipados e nao sujeitos a receita medica. A "coisa" anda por ali, embora nao onere o Estado, onera a carteira dos doentes, que para eles, coitados, pensam que é tudo igual, éticos e nutraceuticos, que afinal, é o sr. dr. medico que prescreve e eles pensam que aquilo é remédio sério ! É preciso vigiar isso, como numa pequena localidade, sai tanto produto de um determinado laboratório e na localidade ao lado, nao sai nada daquilo desse mesmo laboratorio? "Aqui há gato", como diz o outro!
  • É gente desta
    15 set, 2017 lis 18:08
    que o país precisa como pão para a boca! Infelizmente há poucos como este, começando pelas lideranças partidárias, formadas em "universidades políticas apressadas", com disciplinas sem substancia e que por oportunismo traem valores e deveres!