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Cinco perguntas sobre a visita do Papa à Colômbia

06 set, 2017 - 12:56 • Marta Grosso com Ecclesia

Integrada no lema deste ano para as suas viagens (Papa peregrino da paz e da esperança), Francisco visita a Colômbia entre 6 e 11 de Setembro. Trata-se de um país assolado por mais de 50 anos de guerra civil onde decorre agora um difícil processo de paz.
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Francisco começa esta quarta-feira a sua 20ª viagem apostólica fora de Itália, uma visita centrada no tema da reconciliação.

“O Papa, como pastor da Igreja universal, e como líder espiritual, quer estar próximo deste processo [de paz], encorajá-lo, para que depois de tanta luta, de tanta destruição, de tanto sofrimento, o povo colombiano, a nação colombiana, possa conhecer uma nova realidade, de paz e concórdia”, afirmou o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

O que significa esta viagem?

O lema da viagem do Papa argentino à Colômbia é “Vamos dar o primeiro passo”. Na sua mensagem ao povo colombiano, Francisco sublinha que “é sempre necessário dar o primeiro passo para iniciar qualquer actividade ou projecto” e que “dar o primeiro passo impulsiona-nos a sair ao encontro do outro e estender-lhe a mão em sinal de paz”.

“A paz é o que a Colômbia busca há muito tempo e trabalha para a conseguir”, diz ainda o Papa.

Depois de mais de 50 anos de guerra civil, a visita papal centra-se assim na reconciliação.

Papa vai à Colômbia ajudar a curar "feridas" e a caminhar para a paz
Papa vai à Colômbia ajudar a curar "feridas" e a caminhar para a paz

O que está previsto para esta viagem?

Chegado a Bogotá no dia 6, depois de um voo de doze horas e meia, o Papa desloca-se para a nunciatura, onde vai ficar alojado. O percurso será feito de papamóvel, pelo que se espera que uma multidão de colombianos queira acolher Francisco nesta altura.

Os momentos altos desta viagem, que levará o Papa às cidades de Bogotá, Villavicencio, Medellín e Cartagena, são o “Encontro de Oração para a Reconciliação Nacional” (na sexta-feira) e a visita à "Cruz da Reconciliação”.

O Papa vai celebrar missa em todas as cidades que visita e vai beatificar um bispo (Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, assassinado por guerrilheiros em Outubro de 1989) e um sacerdote (Pedro Maria Ramírez Ramos, morto a 10 de Abril de 1948 em Armero, na sequência da revolução do "9 de Abril", após o assassinato de Jorge Eliecer Gaitán, candidato à Presidência da República).

Durante a “grande vigília” para a reconciliação nacional (em Villavicêncio), os participantes vão evocar o sofrimento das famílias e comunidades afectadas pelo conflito armado, “marcado pelo sangue e a dor de mais de 8 milhões de vítimas”, adianta o Missal oficial da visita apostólica.

Durante os cinco dias de viagem, Francisco terá ainda encontros com as autoridades locais e os diferentes sectores da Igreja Católica do país.

No sábado, o Papa segue para Medellín, cidade ligada aos cartéis do narcotráfico e depois para Cartagena, onde termina a viagem e será abençoada a primeira pedra de casas para os sem-abrigo e da obra “Talitha Qum” (contra o tráfico humano).

O Papa argentino vai ainda visitar a Casa Santuário de São Pedro Claver, falecido em Cartagena em 1654, aos 73 anos de idade.

A última celebração da viagem é a missa na área do Porto de Contecar. O regresso a Roma começa na tarde de domingo.

Em que ponto está o processo de paz na Colômbia?

Durante 50 anos, a Colômbia foi palco de um conflito armado, que provocou “984.507 homicídios, 166.407 desaparecidos, 16.340 assassinatos selectivos, 1.982 massacres, 35.092 raptos, 19.684 vítimas de violência sexual, 6421 casos de recrutamento forçado e 12 mil amputados”.

Em combate nesta guerra civil, forças do Governo e grupos guerrilheiros contrários ao regime, com base em divergências sociais e políticas.

Em Outubro de 2016, o Governo e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) assinaram um acordo de paz, pondo fim a 52 anos de conflito armado.

O acordo foi, contudo, rejeitado em referendo e, em Novembro, o Governo colombiano e as FARC assinaram um novo e definitivo acordo de paz.

Em Fevereiro iniciou-se o processo de desmobilização da guerrilha (que tem sofrido alguns percalços) e, em finais de Junho, os observadores da ONU comprovaram a entrega das armas por parte das FARC.

A 16 de Dezembro, o Vaticano acolheu e organizou uma reunião inédita entre o Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder da oposição política, o ex-presidente Álvaro Uribe.

Na ocasião, Francisco apelou ao "diálogo sincero" perante o "momento histórico" que vive a Colômbia.

Em resultado do acordo alcançado, Juan Manuel Santos recebeu o Prémio Nobel da Paz.

Como foi acolhida a visita do Papa?

Com entusiasmo por todas as partes. Dois dias antes da chegada do Papa, o Exército de Libertação Nacional (que também se opõe ao regime) confirmou o cessar-fogo até 2018.

Num vídeo divulgado pela comunicação social, o comandante deste grupo de guerrilheiros mostra alguma esperança no resultado político da visita do Papa ao país.

A propósito da viagem, a Conferência Episcopal da Colômbia e o Comité Executivo da Visita Apostólica do Papa Francisco lançaram um concurso para a criação de um hino. Concorreram 465 músicas e o vencedor foi o grupo “Músicos Católicos Unidos”.

A freira "rapper" que vai cantar na recepção ao Papa na Colômbia
A freira "rapper" que vai cantar na recepção ao Papa na Colômbia

O catolicismo é a principal religião na Colômbia: 80% da população é católica. Mas desde 1991 que a Constituição reconhece outras religiões.

A história da Colômbia está associada a uma intensa vocação religiosa, com profundas raízes católicas, resultado do processo de evangelização e catequização que se realizou durante a conquista.

Quantos Papas já visitaram a Colômbia?

Francisco é o terceiro Papa a visitar o país. Paulo VI esteve no país para um congresso Eucarístico em Agosto de 1968. O segundo foi João Paulo II, em 1986. Durante sete dias, visitou 11 cidades.

[Notícia corrigida a às 14h48 de 7/9]


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