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Morreu o cardeal inglês Cormac Murphy-O’Conner

02 set, 2017 - 11:53

O Papa Francisco enviou um telegrama ao actual arcebispo de Westminster, a lamentar a morte do seu antecessor no cargo e elogiando a sua dedicação ao diálogo ecuménico.
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O cardeal inglês Cormac Murphy-O’Conner morreu na passada noite de sexta-feira, aos 85 anos, após algumas semanas de doença.

Murphy-O’Conner era arcebispo emérito de Westminster, a principal diocese católica de Inglaterra e País de Gales, tendo resignado em 2009, sendo substituído pelo actual cardeal Vincent Nichols.

Ordenado sacerdote em Outubro de 1956, fez a sua formação em Roma, no prestigiado colégio inglês, de que foi reitor durante a década de 70.

Antes, na qualidade de secretário pessoal do bispo da sua diocese de Portsmouth, Derek Worlock, esteve presente em Roma para o Concílio Vaticano II, que viveu com grande entusiasmo e que muito o marcou.

Participou nos conclaves de 2005, mas no conclave de 2013, em que foi eleito o Papa Francisco, já tinha ultrapassado os 80 anos, não podendo votar.

Esteve muito envolvido no diálogo ecuménico com a Igreja Anglicana.

Foi na qualidade de arcebispo de Westminster que teve de enfrentar uma das piores crises da Igreja Católica em Inglaterra. Por entre vários casos de abusos sexuais de menores por parte de membros do clero, um em particular envolvia um sacerdote da sua anterior diocese de Arundel e Brighton.

O padre Michael Hill tinha sido acusado de abusos e quando os médicos consultados pelo bispo garantiram que ele corria sérios riscos de voltar a incorrer na prática Murphy O’Conner suspendeu-o e o padre chegou mesmo a arranjar um emprego civil. Mas perante as súplicas de Hill, que pedia uma segunda oportunidade, o bispo reintegrou-o e colocou-o como capelão do aeroporto de Gatwick, pensando que lá não teria contacto com menores não acompanhados, segundo o autor e jornalista Austen Ivereigh, que foi seu assessor de imprensa em Westminster. O padre voltou, contudo, a abusar.

Perante o escândalo mediático, segundo Ivereigh, o arcebispo chegou a pensar resignar ao seu cargo mas acabou por ficar, tendo levado a cabo uma grande reforma das práticas da Igreja Católica no Reino Unido em relação ao acompanhamento de menores e como lidar com casos de abusos sexuais. O modelo tem sido muito elogiado pelas autoridades civis e adoptado por várias outras conferências episcopais e instituições seculares no mundo.

A Santa Sé emitiu um telegrama este sábado de manhã em que o Papa Francisco se revela “profundamente entristecido pela morte do cardeal Cormac Murphy-O’Conner”, recordando “com enorme gratidão os serviços distintos do falecido cardeal à Igreja de Inglaterra e do País de Gales”.

Francisco elogia ainda o seu cuidado no acolhimento dos pobres e o trabalho desenvolvido no diálogo ecuménico.

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