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D. António Marto defende despartidarização da questão dos incêndios

12 ago, 2017 - 19:19 • Paula Costa Dias

Bispo lembra que campanha da Cáritas de apoio às vítimas dos incêndios totaliza mais de 1,7 milhões de euros.
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O bispo da diocese de Leiria-Fátima disse este sábado que é preciso despartidarizar a questão dos incêndios.

Na conferência de imprensa de abertura da peregrinação de Agosto, D. António Marto considerou este problema “uma causa nacional” e disse que não se deve permitir “que ninguém o instrumentalize”. Por isso, em “nome pessoal”, apelou a que “a mais alta instância representativa da nação que é o senhor Presidente da República, com a sua responsabilidade, com a sua arte de diálogo, com a sua capacidade de fazer consensos e convergências que seja ele a assumir esta mobilização, esta conjugação de energias ou sinergias e que não deixe cair no esquecimento esta causa.”

Depois de recordar a nota pastoral que os bispos portugueses emitiram em Abril passado sobre o assunto, D. António Marto apontou os erros que, mais uma vez, originam o cenário que se vive. Para o bispo “é a questão do ordenamento, territorial, do ordenamento florestal, da limpeza, dos meios de prevenção, dos recursos, estarem preparados com meios aéreos e terrestres também, porque depois ouvimos as queixas de que falta isto ou aquilo, é a questão do sistema de comunicações, do Siresp”, considerando que “essas coisas deviam estar todas prontas para serem accionadas em cima do momento e ter a certeza de que funcionam.”

Na conferência de imprensa, o bispo manifestou também “uma palavra de solidariedade para com todas as vítimas dos incêndios, com todos aqueles que os têm combatido e combatem, com uma grande abnegação, pondo em risco a própria vida e com profissionalismo mesmo, sobretudo os bombeiros.”

Anunciando que, “teremos em conta esta intenção na nossa peregrinação”, D. António Marto dirigiu ainda uma palavra de “louvor para as inúmeras iniciativas e manifestações de solidariedade, de generosidade, de partilha que têm surgido entre nós, o nosso povo, seja a nível das comunidades cristãs seja a nível civil.”

Nesse sentido, o bispo revelou que, segundo a Cáritas Portuguesa, a conta solidária da campanha “Cáritas com Portugal abraça as vítimas dos incêndios”, totaliza 1.704.813 euros. Desta verba “estão cativos 1,3 milhões para a Cáritas Diocesana de Coimbra, que anunciou assumir a construção e reconstrução de 40 casas de primeira habitação para agregados familiares mais carenciados”. “A restante verba”, anunciou o bispo, “está destinada à Cáritas Diocesana de Portalegre-Castelo Branco para a construção de oito das 14 casas de primeira habitação identificadas para já no concelho de Mação.”

Quanto ao ofertório do dia 2 de Julho passado que os bispos anunciaram iria reverter para ajudar as populações afectadas pelos incêndios, D. António Marto manifestou-se satisfeito com o resultado. Neste momento, “o contributo directo desses ofertórios totaliza 917.221 euros” mas nem todas as recolhas foram ainda entregues pelo que o bispo espera que o total venha a ultrapassar 1 milhão. Números que levaram o bispo a “salientar a generosidade do nosso povo com as vítimas desta catástrofe”.

Comentários
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  • Celeste Costa
    16 ago, 2017 Agueda 19:07
    Subscrevo na integra o comentário do Sr. Bispo, António Marto, que admiro imenso. Pedindo-lhe que nunca deixe de dar o seu contributo para a construção de uma sociedade mais justa. Na crise de valores que estamos a atravessar, o papel da igreja cada vez se torna mais importante. Um sacerdote pode aos poucos e poucos transmitir valores que vão ajudando na construção de uma sociedade mais saudável. Não querendo generalizar, os valores que alguns políticos transmitem não são bons exemplos para uma sociedade saudável. A minha única esperança é o contributo da igreja se seguir os pensamentos do actual Papa.
  • Ernesto Midões
    13 ago, 2017 Pedrógão Grande 17:36
    Há para aí uns covardes que nem dão a cara no que escrevem.isto está no seu ADN.São covardes em tudo.Na política não há lugares para gente desta.Vamos a mais um facto. O PAÍS continua hoje arder por tudo que é sitio.Ouviram PR ou Primeiro Ministro dirigir palavras de conforto a todos aqueles que combatem as chamas e ajudam populações? Nem uma palavra.Mas houve uma atleta que foi campeã em Inglaterra e logo saltaram do silêncio a felicitar a atleta.Tudo bem.Mas estas felicitações têm uma intensão politica,chamar a si louros que só à atleta é proprietária.E dizem que estão de férias.Isto é vergonhoso. Nesta altura deviam estar ambos nos seus lugares a inteirar -se da situação e nos locais a tentar confortar as populações.Ou só aparecem quando morte alguém.São como as carpideiras vêm para engrossar aqueles que estão ali de alma e coração a homenagear as vitimas.Está visto que é gente que trabalha para a fotografia e se está borrifando para a desgraça dos outros. Repugna-me gente assim e ver uns ajudantes a vir em defesa aquilo que não é defensável à procura de umas migalhas.Talvez dos milhões que andam a gastar por falta de planeamento na defesa da floresta e populações.Vão antes para o coro da paróquia,aí sim cantam por uma boa causa
  • ó maria sousa
    13 ago, 2017 pt 14:03
    Qual verdade? A verdade dos hipócritas que não se riem?...
  • à maria sousa
    13 ago, 2017 lx 12:59
    essa sua retórica não é nada política!...É pena que não veja os sucessivos aproveitamentos dos PSDs e CDSs com a desgraça e a aflição das vitimas dos incêndios, que até inventam suicídios e aviões a cair quando nada disso aconteceu! Mas onde é que o primeiro ministro estava numa risota? Ora, descalce lá o sapato e tire o pedregulho que lá tem dentro!...cuido com o calos!
  • Pois é!
    13 ago, 2017 lx 12:43
    Com coragem, dirija-se diretamente a quem a tem feito e faz e deixemo-nos de hipocrisia! Os portugueses sabem avaliar bem quem tem estado por detrás do aproveitamento político, tudo o resto é conversa de pé de orelha!
  • Maria Sousa
    13 ago, 2017 Ourém 00:10
    Como quer que seja assim quando ests última quinta feira ardia de sul a norte ,pessoas lutavam contra as chamas com baldes de água para defender suas humildes casas e PR e Primeiro Ministro numa risota e com piadas um para o outro sem pensar o respeito que esse povo lhes merecia num momento de aflição tão grande.Isto merece um reparo e a reprovação do povo Português.E V.Ex. tem que ver as coisas sem paninhos quentes para os políticos Da igreja o que se espera é a verdade e a sua voz doa a quem doer.
  • F Soares
    12 ago, 2017 A da Gorda 20:34
    Afinal há partidarização dos incêndios !
  • Felix Lamartine
    12 ago, 2017 Porto 19:59
    O problema é que os partidos da direita não têm outros argumentos para fazer oposição ao Governo, que aparentemente está a governar, tendo em visto melhorar as condições do povo português. E a falta de ideias, tanto do PSD como do CDS leva-os a partidarizar os incêndios, chegando a cair em posições caricatas e absurdas.