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PS/Matosinhos. Presidente decide impugnar listas do seu partido à Câmara

10 ago, 2017 - 22:31

Ernesto Páscoa considera que a candidata escolhida pelos socialistas "violou os estatutos".
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O presidente da concelhia PS de Matosinhos, Ernesto Páscoa, vai impugnar judicialmente as listas deste partido à Câmara local, lideradas por Luísa Salgueiro, considerando que a escolha da candidata "violou os estatutos".

Em declarações à agência Lusa, Ernesto Páscoa referiu que "as listas foram feitas à margem da estrutura concelhia do PS", criticando a estrutura distrital, presidida por Manuel Pizarro, por ter, disse, "imposto nomes, ignorando os militantes de Matosinhos".

"Podem ser listas com sigla PS mas foram impostas pela estrutura distrital. O presidente da concelhia não participou no processo, não teve direito a veto nem a voto. Vou apresentar uma impugnação amanhã [sexta-feira] ou segunda-feira no Tribunal Administrativo e Fiscal. Não estou a pôr em causa as listas em si. Estou a impugnar o processo porque violaram os estatutos", disse o presidente do PS/Matosinhos.

No início de Dezembro de 2016, a comissão política da Federação Distrital do Porto do PS designou Luísa Salgueiro como candidata à Câmara de Matosinhos nas próximas eleições autárquicas.

A candidatura foi proposta pelo secretariado distrital, tendo recolhido então 63 votos a favor, um contra e duas abstenções.

A comissão política distrital do PS/Porto optou assim por não ratificar a decisão da concelhia de Matosinhos, tomada em Julho de 2016, de designar o seu presidente, Ernesto Páscoa, como candidato àquela autarquia.

"Estaríamos a aceitar uma solução que conduziria o PS a uma derrota humilhante", afirmou à data Manuel Pizarro à Lusa, acrescentando que a designação de Ernesto Páscoa pela Concelhia foi "realizada num quadro de profunda divisão do PS/Matosinhos".

Hoje, Ernesto Páscoa apontou que aguardou pela apresentação da lista liderada pela deputada na Assembleia da República e ex-vereadora na Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, algo que aconteceu na última segunda-feira, para tomar esta atitude pois aguardava ser chamado para reunir.

"Não tendo ocorrido isso e tendo sabido que as listas foram afixadas no tribunal, decidi consultar juristas e o meu objectivo é demonstrar que o processo não foi correto. O PS tem de ser um partido democrático e cumpridor dos valores estatutários. Não basta parecê-lo, tem de sê-lo", descreveu, acrescentando estar "receptivo a todas as consequências".

"Na democracia temos de estar preparados para tudo e cá estarei para me defender. Vou até às últimas consequências", referiu.

O presidente do PS/Matosinhos apontou que também já enviou uma exposição para o Conselho de Jurisdição Distrital do PS, estando a aguardar resposta.

"Se a resposta tardar muito - espero uma ou duas semanas no máximo - enviarei a exposição para o Conselho de Jurisdição Nacional do PS ", avançou Ernesto Páscoa.

Contactada pela Lusa a Distrital do Porto do PS informou não ter conhecimento desta exposição e, sobre a decisão de pedir impugnação do processo em Matosinhos, disse estar "tranquila".

"Reagimos com a mais absoluta tranquilidade, com a certeza de que o processo decorreu com toda a normalidade e seremos capazes de o demonstrar se e quando nos for solicitado", referiu, via telefone, fonte da Distrital PS/Porto.

Já a candidata a Matosinhos, Luísa Salgueiro, apontou não estar surpreendida nem preocupada com esta posição do presidente da Concelhia PS.

"Isso corresponde ao que já foi anunciado reiteradas vezes pelo presidente da Concelhia, portanto não me surpreende. E também não me preocupa porque não tem qualquer cabimento. É uma atitude de confronto de quem não sabe respeitar as deliberações do partido. Foram escrupulosamente cumpridas todas as normas estatutárias do PS", referiu a candidata.

Questionada obre se não teme que esta situação perturbe a campanha eleitoral, Luísa Salgueiro reiterou estar tranquila: "Estou absolutamente segura e aguardo serenamente pelo desfecho. Usarei os meios judiciais que tenho ao meu dispor para contestar essa impugnação", concluiu.

Além de Luísa Salgueiro (PS), são candidatos à Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, ex-presidente da autarquia eleito pelo PS que agora concorre como independente, bem como António Parada, ex-presidente da Junta de Matosinhos, também eleito pelo PS, e que em 2013 concorreu exactamente por este partido, sendo que nas próximas eleições concorre como independente, contando com o apoio do CDS-PP.

Somam-se as candidaturas de Jorge Magalhães (PSD), José Pedro Rodrigues (CDU), Ferreira dos Santos (Bloco de Esquerda) e Filipe Cayolla (PAN).

As eleições autárquicas estão marcadas para 1 de Outubro.

Comentários
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  • sacanagem
    11 ago, 2017 porto 12:31
    Quando dentro dos próprios partidos é esta luta feroz, imaginem o que eles são para os que estão fora dos partidos. É a LUTA PELO DINHEIRO FÁCIL. Trabalhar, nunca foi com esta gente. Desde crianças que foram ensinadas a parasitar quem trabalha, usando os discursos de vigaristas.