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E se a capital de Portugal fosse Castelo Branco?

17 jul, 2017 - 09:35 • José Pedro Frazão

A proposta é do arquitecto paisagista Henrique Pereira dos Santos, como exemplo das medidas que o Estado devia implementar para favorecer o interior do país. Um mês depois da tragédia de Pedrógão Grande, as estratégias para travar o abandono do interior foram a debate no programa "Da Capa à Contracapa".
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A proposta é do arquitecto paisagista Henrique Pereira dos Santos como exemplo das medidas que o Estado devia implementar para favorecer o interior do país. Um mês depois da tragédia de Pedrógão Grande, as estratégias para travar o abandono do interior foram a debate no programa "Da Capa à Contracapa".

Henrique Pereira dos Santos não esconde algum cepticismo em relação a pacotes legislativos desenhados em Lisboa para tratar dos problemas do interior do país. O autor de "Portugal: Paisagem Rural" dedicou uma parte da sua vida à gestão de áreas protegidas e sugere na Renascença "três decisões fáceis" que o Estado poderia tomar "se quisesse verdadeiramente usar os instrumentos que tem para fazer alguma coisa"

Primeira medida. Mudar a capital de Portugal para Castelo Branco. " Não vejo nenhuma razão para não o fazer, não vejo nenhuma razão para que a capital seja em Lisboa. Se o Estado não o faz é porque não quer", afirma Henrique Pereira dos Santos.

Segunda decisão: "O dinheiro que está directa e indirectamente a apoiar a produção no PDR 2020 deve ser retirado parcialmente da produção para ser usado no pagamento de serviços de ecossistemas. Não o faz porque não o quer".

A terceira questão a resolver passa pelo "problema gravíssimo no mundo rural" que é a falta de segurança naqueles territórios." O Estado desapareceu naquilo que são funções essenciais, nomeadamente na segurança das pessoas. Hoje o problema dos roubos de gado, de pinhas, de cortiça, dos fios de cobre dos pivots de rega tem uma dimensão inacreditável", denuncia o antigo quadro do Instituto da Conservação da Natureza no programa da Renascença em parceria com a Fundação Francisco Manuel Dos Santos.

Há carne mas não há cabra

Henrique Pereira dos Santos preside à Montis, uma associação de conservação da natureza especializada na gestão de territórios. Autor de um livro que associa o consumo de alimentos, a produção agrícola e a mudança na paisagem no século XX, não poupa nas críticas a diversos níveis da administração pública, incluindo a local.


"As autarquias investem muito pouco na sua própria economia. Na verdade, investem em infraestruturas, à procura dos fundos. Vejo uma vila a dizer que é a capital mundial da chanfana. Depois vejo a vila a seguir a dizer que é a capital universal da chanfana. Percorro esses dois concelhos e não vejo lá uma cabra. E estas autarquias estiveram efectivamente a investir no seu quartel de bombeiros, nas suas infraestruturas, nas rotundas. E no apoio ao pastoreio, porque não investiram?"

Comentários
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  • Roduit Rosa
    20 jul, 2017 Vevey suissa 12:27
    Antes de dizerem não importa o quê, primeiro vão entregar na zona dos incêndios as ajudas de muitos camiões que saíram daqui da Suisse onde muitos portugueses foram solidários com os que tudo perderam. Já se sabe que o dinheiro entrou em contas privadas para financiar a vossa POLÍTICA DE MERDE. Dêem aos Portugueses o quê lhes pertence e parem de roubar o povo Eu mesmo tenho VERGONHA muitas vezes de dizer que sou Portuguesa. Castelo Branco minha cidade natal que em nada me ajudou e por isso tive de EMIGRAR deixando minha filha de 2 anos entregue à minha mãe. País Nogento por vezes que dá tudo aos que vêm de fora ??? VERGONHA mesmo ...todosos jovens deveriam sair do país... Aí sim logo veríamos o que o Estado Português fará com os idosos ... E sim assino porque digo a verdade NUA E CRUA e sem medo ALGUM. Agora podem publicar.
  • Gonçalo
    17 jul, 2017 Castelo Branco 16:51
    Não me importava que a capital fosse em Castelo Branco, talvez houvesse mais crescimento no interior, visto que Castelo Branco é um ponto estratégico (já diziam os templários), neste caso estratégico economicamente, permitiria que as cidades do interior, mais a norte e mais a Sul pudessem também elas crescer e "alavancarem-se". Acho que o autor identificou, sem falar no assunto, o caso de Brasília, o Rio de Janeiro é das maiores cidades do Brazil, das mais desenvolvidas e no entanto não precisa de ser Capital para crescer, porque encontra-se no litoral, onde tem tudo para se crescer e desenvolver. Mas é claro que isto nunca irá acontecer em Portugal, porque os grandes "Boys" que mandam neste País não lhes convém esta medida.
  • Célia Barata
    17 jul, 2017 Lisboa 16:05
    Se a capital do país fosse Castelo Branco, ou outra cidade do interior de Portugal, a compra de equipamentos de ar condicionado teria apoios do Estado e seriam considerados bens de primeira necessidade. O calor é tanto que não existiria um dia sem que os nossos governantes sentissem a necessidade de gerir melhor os recursos florestais do país ou implementar soluções arquitetônicas nas cidades mais amigas do ambiente. Seria maravilhoso.
  • João Antunes
    17 jul, 2017 lisboa 14:59
    O autor Pedro Elias no seu texto "A Revolução que mudou Portugal e o Mundo" já sugeria que a capital se deslocasse para Vila de Rei, o centro geográfico do país. Podem ler o texto aqui: http://www.pedroelias.org/livros/a-revolucao
  • jams
    17 jul, 2017 lisboa 14:43
    Eu só vejo nestas alturas grandes cabeças a darem a sua opinião, como se tivessem a solução ideal. Não sou pessoa viajada por esse mundo, para ver o que se faz lá fora. Mas como gosto de ver o ciclismo para ver as paisagem principalmente . O que eu tenho verificado principalmente na volta á França, eu vejo precisamente o mesmo que em Portugal as árvores é beira da estrada, as valetas umas limpas outras nem por isso. Mas sabichões de cá o eterno Presidente dos bombeiros, é só 10m 50m, ele lá vem dando uns bitates para justificar carrinho e um bom vencimento, que nunca mais de lá sai. Os presidentes de Câmara querem é dinheiro, porque não limparam as bermas de estrada, porque não trataram da prevenção, veja-se o presidente de P. Grande todo indignado porque o dinheiro angariado na gala não foi o bolso dele
  • Augusto
    17 jul, 2017 Santarém 14:36
    Caros Amigos, o defeito não está na localização da capital, o defeito está sim na justiça. (corupção, incompetência púlitica,etc.). A falta de vergonha que existe na parte lolítica (todos)com tanta falta de competência, aí sim, o povo tem o dever de exigir, que apareçam independentes com capacidade para fazerem a mudança neste País. Já diz o ditado se és sério não sejas politico,
  • Petervlg
    17 jul, 2017 Trofa 14:15
    Só existe um local que devia ser a capital, Guimarães..
  • Cidadão
    17 jul, 2017 Porto 12:47
    Eu sempre defendi a teoria de que o melhor para Portugal era passar a capital administrativa para uma cidade do interior e até concordo com a teoria de castelo Branco por ser uma das cidades mais centrais e ao mesmo tempo quase a chegar a fronteira! Porque, por uma razão simples, o litoral pela sua natureza desenvolve normalmente sem precisar ser capital, por consequencial uma capital interior obriga a melhores ligações de estradas, criação de novas infraestruturas, etc, e tudo isso representa novos empregos! A probabilidade do pais se desenvolver era muito maior !
  • atila
    17 jul, 2017 donas 12:17
    Então sim, seríamos mesmo o tal País que tanto ambicionamos de labregos, bacocos e saloios-mor!
  • Fausto
    17 jul, 2017 Lisboa 10:55
    Eu cá por mim...mudava a capital para o forte da casa...