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Entrevista à Renascença

António Nunes: "Roubo como o de Tancos nos países da NATO e da Europa certamente não acontece"

01 jul, 2017 - 11:05

O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) pensa que o mais certo é que po material roubado em Portugal se destine a um conflito regional em África.
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Em declarações à Renascença, o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), António Nunes, defende que a situação que aconteceu em Tancos não tem paralelo na Europa, nem nos países da NATO.

O mesmo responsável refere ainda que os planos de segurança destes espaços militares não estão a ser cumpridos de forma adequada. O caso está a preocupar as instituições a nível internacional.

Há algum dado recente sobre este roubo em Tancos?

O que nos preocupa é que exista uma instalação critica numa base militar que possa ter sido alvo de um assalto, um roubo ou um furto que atirou para o mercado negro, para a área do crime, um conjunto elevado de material de guerra.

É preocupante a todos os níveis, em primeiro pela situação em si: a violação de um ponto crítico dentro de uma base militar que é pressuposto ser um local extremamente seguro.

Por outro lado, a quantidade de material e o tipo de material que sendo colocado clandestinamente nas redes nacionais e internacionais pode vir a parar nas mãos do crime organizado, ou de terroristas, ou na nossa opinião em conflitos de guerra regionais.

A tipologia do material e a quantidade de material, a nosso ver, será mais para circuitos de guerra regionais do que para as outras duas referências. Mas não podemos excluir hipóteses.

Inclina-se para que zona do Mundo?

Dada a situação geográfica de Portugal será para os conflitos africanos. O tráfico internacional de armas é uma questão que preocupa quer as Nações Unidas, quer a Interpol, quer mesmo a União Europeia e a NATO. Todos têm prestado muita atenção a esta questão porque é um negócio altamente lucrativo, e um roubo desta dimensão não nos parece que seja para ser deslocado para um armazém ou para outro local qualquer.

Quando se dá o roubo, já havia por certo comunicações com ligações aos canais de evacuação e distribuição deste material para o retirar do território nacional.

Pode também estar escondido, e se isso vier a acontecer através quer da intervenção da Polícia Judiciária Militar, quer da unidade antiterrorista da PJ, os criminosos terão mais dificuldades em retirá-lo do território nacional. Mas normalmente estas redes são bem organizadas e tudo foi feito com profissionalismo.

A imagem de Portugal fica afectada pela fragilidade que fica exposta, ou isto acontece com alguma frequência noutros países?

Nos países da NATO e da Europa isto não acontece certamente. Em Portugal quer queiramos quer não, temos de assumir estas situações para que elas sejam tratadas com toda a seriedade e celeridade.

Não tenhamos dúvidas que isto não é um caso normal, e muito menos normal em unidades militares porque todos nós sabemos que têm um plano de segurança de acesso e de circulação muito restritivo e muito bem planeado e executado.

Não estamos a falar de um espaço de entrada livre, nem com civis. Estamos a falar de espaços que têm regras de acesso, de controlo e de circulação em que há áreas que estão classificadas, e em que nem toda a gente que tem acesso à unidade pode circular.

Há planos de contingência, mas o que se veio a verificar é que o plano de segurança ao paiol ou dos paios não estava a ser executado conforme o planeado.

Vamos perceber porque é que não estava a ser cumprido, e aí pode haver causas humanas ou de falta de material. O inquérito irá determinar. Temos de investigar quem cometeu o crime, apanhar os criminosos e acima de tudo conseguir suster a entrada desse material no circuito internacional.

Este não é o primeiro roubo de armas que acontece em Portugal e até agora nunca foram identificados os autores de outros casos?

É diferente. Noutros casos, são furtos de pessoas que têm acesso mesmo que ilegítimo mas que estão dentro da unidade militar. Mas não sei se este será o caso.

Estamos a falar de três casos no total: as dez armas que despareceram da Carregueira, as 50 pistolas que saíram do paiol da PSP, e mais recentemente este caso com a maior quantidade e diversidade de armas roubadas.

Mas os casos têm entre si circunstâncias completamente diferentes. O nível de segurança e de acesso a cada uma destas unidades é completamente diferente.

[O caso de Tancos] é um caso muito mais grave e que vai preocupar muito mais todas as entidades do que os outros casos. É um caso atípico que vai levar a que a cooperação internacional seja muito maior do que nas outras situações, devido à dimensão e tipologia do material.

É um roubo impar pela escala?

Sim, pelo impacto que pode ter nas populações se for utilizado contra elas.

Comentários
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  • Joao Rodrigues
    05 jul, 2017 Braga 20:22
    Senhor Antonio Nunes, presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) isto nao e para justifcar a falta de seguranca dos quarteis e exercito portugues mas nao tem o direito de denegrir a imagem de Portugal para o provar aqui ficam alguns registos acontecidos nos paises da UE e NATO: "Autoridades não têm dúvidas de que houve ajuda do interior da base militar. Assalto estará ligado ao crime organizado. Investigação tenta perceber se há ligação a um assalto num campo de tiro no sul de França, feito vinte e quatro horas depois do incidente de Tancos, e a outros dois casos ocorridos em bases militares em Lyon e Estugarda ". ( http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-07-04-Policia-suspeita-que-assalto-em-Tancos-foi-encomendado-e-que-armas-ja-estao-fora-do-pais )
  • vitor fortes
    03 jul, 2017 lisboa 18:03
    quando os nossos "especialistas" são deste calibre, está tudo dito. uma pesquisa de 10 minutos consegue desmenti-lo em toda a linha.
  • José
    03 jul, 2017 Sintra 12:34
    anda mal informado, ainda há pouco tempo na Alemanha foi roubado um paiol e várias armas e equipamentos roubados.
  • Luis Barreiro
    03 jul, 2017 Barreiro 12:31
    Não acontece? este senhor está mal informado...http://uk.reuters.com/article/uk-france-security-idUKKCN0PH0OH20150707
  • Lima
    02 jul, 2017 Lisboa 12:34
    Nenhum português pode dar como desculpa que nos outros países também acontece.Este Exercito não honra todos aqueles Homens que morrerem e lutaram por Portugal ou na Batalha de Aljubarrota ou na Batalha de La Lys, esta gente e estes generais são uma sombra dos Grandes Heróis passados.Este Exercito actual não prestigia Portugal,envergonha.
  • Paulo Santos
    02 jul, 2017 Moita 11:56
    http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/explosivos-e-detonadores-sao-roubados-de-area-militar-na-franca.html porque é que os comentadores não fazem uma pesquisa antes de dizerem bacoradas?????? acontece no mundo inteiro, só que nuns sai na comunicação social noutros ninguém sabe nada enfim......
  • Pedro Roby
    02 jul, 2017 Belas 00:02
    Desculpe? O atentado ao autocarro do Borussia de Dortmund não foi feito com material NATO roubado ao exército alemão?
  • Luis Moreira
    01 jul, 2017 Lisboa 18:15
    O senhor António Nunes ex -presidente da ASAE deve estar a preparar-se para propôr o fecho da Unidade de Tancos por falta de qualidade na prestação de serviços à pátria. Acontece que em Mafra, onde com muita honra prestei serviço, as rondas e entradas de acesso aos paóis eram feitas com munição real na câmara. Ocorreu um caso de assalto a um dos paóis (antiga EPI) em que os assaltantes forma recebidos a tiro e um dos militares ferido com chumbos de caçadeira cerrada. A PJM (força de segurança especial) deteve os mesmos pouco tempo depois devido ao pânico de elementos do grupo. É esta a disciplina táctica de Mafra (hoje Escola de Armas) que deve existir em todas as unidades militares do país. Acrescento que Mafra nunca foi ocupada devido a um Senhor chamado Tudela amigo de guerra do nosso querido General Ramalho Eanes. Deixem se dessas coisas de vídeo vigilância e procurem actuar mais no terreno e consultem as pessoas que sabem e não meninos que acabaram de sair de faculdades (filhos de alguns senhores). Bem hajam Luís Moreira
  • A.Oscar
    01 jul, 2017 Portimão 17:23
    Portugal se desgovernou desde o 25 de Abril: da qual só se tem pensado em dinheiro, com corrupções e a defesa de Portugal ainda não foi estudada. Não é c/ 35.000 homens que se defendem este País. O mundo de hoje é enganador; em especial c/ terrorismo, se precisa novamente o recrutamento não voluntario e sim que o seja para um só ano. Os treinos militares deveriam ser obrigatórios. Alem disso seria mais económico e teríamos mais tropas se forem necessitados.
  • António Marques Pint
    01 jul, 2017 V. N. de Gaia 15:55
    No "meu tempo" (1971) funcionava um curso de Minas e Armadilhas em Tancos mas não vejo nenhuma referência a este espaço dotado de muito material explosivo. Já lá não funciona? Não pode ter sido por aí que houve acesso à informação e às instalações?