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SIRESP. Sistema de comunicações ​falhou no ano passado

21 jun, 2017 - 04:01

Relatório a que a Renascença teve acesso é conhecido numa altura em que o primeiro-ministro pediu esclarecimentos urgentes sobre o funcionamento da rede de SIRESP no incêndio desta semana em Pedrógão Grande.

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O sistema de comunicações de emergência SIRESP falhou durante os incêndios do Verão do ano passado, segundo um relatório do Ministério da Administração Interna (MAI) a que a Renascença teve acesso.

O documento é conhecido numa altura em que o primeiro-ministro, António Costa, pediu esclarecimentos urgentes sobre o funcionamento da rede de SIRESP no incêndio desta semana em Pedrógão Grande, que provocou 64 mortos e mais de 160 feridos.

O relatório mostra que durante o incêndio de Agosto de 2016, nos concelhos de Abrantes e do Sardoal, o sistema de comunicações de emergência teve um problema e a situação só foi normalizada ao fim de 17 horas.

Os problemas começaram às 18h21, de 23 de Agosto, quando um cabo de transmissão de uma estação fixa foi destruído pelo fogo, deixando cerca de metade dos meios sem comunicação rádio.

Foi preciso mandar vir uma estação base (EB) móvel, que estava em Belas, Sintra, que só entrou em operação às 6h05 da manhã do dia seguinte, indica o relatório do MAI.

Mas os problemas não ficaram por aqui. Pelas 8h40, o Centro de Operação e Gestão (COG) “toma conhecimento que existem rádios impossibilitados de se ligarem” à estação móvel.

Pelas 11h06, “a situação ao nível das comunicações da SIRESP fica normalizada”, refere o documento a que a Renascença teve acesso.

O relatório do MAI, datado de Abril deste ano, é a resposta às conclusões da Comissão Municipal de Defesa da Floresta da Vila do Sardoal, que em Setembro de 2016 apontou “falhas” ao SIRESP que afectaram as comunicações.

Duas mudanças para evitar “falhas mais relevantes”

Oito meses depois do parecer da comissão, o Ministério da Administração Interna aponta “duas oportunidades de melhoria” para que as “falhas mais relevantes” não se repitam.

Em primeiro lugar, entre o pedido da Protecção Civil para a entrada em acção de uma estação móvel e a resposta da PSP não devem passar mais de 30 minutos. No caso do incêndio de Sardoal e Abrantes demorou 1 hora e 38 minutos.

Em segundo lugar, o MAI refere que o atraso entre o início da entrada em operação da estação móvel e a desactivação da estação fixa foi a “falha operacional mais crítica verificada”. O processo demorou cinco horas.

O relatório constata que a situação resultou da “inexistência de um procedimento definido” e que, para o futuro, a Supervisão da rede, da responsabilidade da SIRESP, deverá questionar o Centro de Operação e Gestão e o COG “terá uma atitude proactiva junto da entidade responsável pela coordenação dos efectivos no teatro de operações”.

O incêndio nos concelhos de Abrantes e Sardoal, no distrito de Santarém, chegou a ser combatido por quase 700 bombeiros, destruiu algumas casas e provocou, pelo menos, seis feridos ligeiros.

Comentários
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  • Alberto
    21 jun, 2017 Funchal 14:31
    Na noite de 20.06 a TV mostrou o então ministro ANTÓNIO COSTA - que assinou a compra do SIRESP - a anunciar o grande avanço que esse Sistema seria! Lembra-se ou quer a gravação das imagens? Já sabe , agora, de quem é a culpa?
  • Mário Guimarães
    21 jun, 2017 Lisboa 12:53
    Quem comprou e quem vendeu o sistema SIRESP? Já agora quem mamou da compra de tal sistema?Existe tudo sobretudo Directores disto e daquilo,Presidentes disto e daquilo e que no meu caso é exactamente idêntico ,dizem não terem competências .Seja,penso que queriam dizer competência. Ainda existe uma coisa gira: Corrupção e banditismo!
  • ze
    21 jun, 2017 aldeia 12:51
    Falhou o ano passado,continua a falhar e não é só o Siresp,há muita coisa que continua a falhar,mas......está tudo bem,nunca há responsáveis,e as catástrofes continuam a acontecer.
  • marta
    21 jun, 2017 viseu 11:55
    ela nao desmentiu ela confirmou e ainda ha aqui burros que a defendem e vem logo acusar quem diz as verdades de fascistas------“Inexplicavelmente, apesar de o incêndio se alastrar e os bombeiros lusos reconhecerem que as condições no terreno os ultrapassava, a ministra Urbano de Sousa vetava a entrada de uma coluna de 60 bombeiros galegos no território português. A ministra confirmou que tinha recusado a ajuda, garantindo que ‘já havia excesso de voluntarismo’ no terreno”, escreve o jornal.