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O drama dos refugiados contado aos mais novos

06 jun, 2017 - 19:38 • Ângela Roque

Maria Teresa Maia Gonzalez escreveu "A árvore de Mouna”, um livro sobre uma criança síria acolhida em Portugal.
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Quanto vale um migrante?
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Maria Teresa Maia Gonzalez inspirou-se na realidade para escrever um livro sobre uma criança síria que teve de fugir do seu país e foi acolhida em Portugal. Chama-se “A árvore de Mouna”, é lançado esta quarta-feira e as receitas revertem para a Ajuda à Igreja que Sofre.

Há muito que Maria Teresa Maia Gonzalez pensava escrever um livro sobre o drama dos refugiados. A autora conta à Renascença que se inspirou na que é a realidade de muitas crianças vítimas da guerra, que foram forçadas a abandonar o seu país e que chegam à Europa, algumas delas a Portugal.

“Inspirei-me a partir de muitas conversas que tive sobre este tema com pessoas da fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que me deram indicações de que eu precisava, nomeadamente quanto aos nomes próprios. E inspirei-me também no que tenho visto e lido nas notícias, porque é um assunto que nos diz respeito a todos e que nos preocupa muito”, conta.

O livro fala de uma menina refugiada: “Chama-se Mouna, veio da Síria e encontra-se no nosso país, mas até cá chegar viveu uma grande aventura, cheia de problemas, tristezas, e sobretudo cheia de perdas”.

A história “é contada no contexto de uma escola que a menina frequenta, embora ainda não fale bem a nossa língua”. O tema do ano na escola são as árvores, e “há um concurso, o da melhor árvore, em que cada criança tem que escolher a sua favorita e fazer um trabalho explicando porque é que a escolhe como sendo a sua árvore de eleição”.

E é aqui que entra a protagonista do livro: “A Mouna escolhe o limoeiro, que é a árvore de referência da sua infância, a árvore que ficou no quintal da sua casa em Alepo, na Síria, onde o pai tinha colocado um baloiço para ela e os irmãos brincarem. Ela vai depois explicar por que é que esse limoeiro é a melhor árvore do mundo. Para ela é uma árvore inesquecível, porque foi o último sítio onde ela foi feliz”.

Acolhimento e inclusão

Para Maria Teresa, o importante na história “é a ideia de que o acolhimento, a hospitalidade é um dom para todos, que todos devemos exercer, não só em relação a estas pessoas que nos procuram, vindas de países onde há conflitos, mas também em relação a pessoas desfavorecidas por qualquer motivo”. E é também uma história que fala de inclusão, porque “a escola onde a menina está é uma escola inclusiva, onde há crianças com necessidades educativas especiais, outras que não são de língua materna portuguesa. Quis aproveitar para, no fundo, falar deste dom do que todos nós, especialmente os cristãos, somos chamados a desenvolver e a pôr em prática”.

Habituada a escrever para os mais novos, a autora explica que o livro se destina “sobretudo às crianças do 1.º ciclo, visto que a idade da menina é essa mesma. Mas, claro que poderá ser lido também pelos jovens um pouquinho mais velhos. Tem ilustrações muito bonitas da Isabel Monteiro, que já tem colaborado comigo noutros livros, e portanto é um livro que, como objecto, resultou muito bonito, penso eu”.

“A árvore de Mouna”, cujas receitas revertem na totalidade para a AIS, é “uma manifestação do carinho e apreço que Maria Teresa Maia Gonzalez tem pela nossa missão junto dos cristãos perseguidos, nomeadamente na Síria”, sublinha um comunicado da fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que já publicou outros três livros da autora: “Foi por Amor”, Teu nome, Mãe”, e “Os Sonhos de José”.

A sessão de lançamento está marcada para esta quarta-feira, às 18h00, na Sala Cónego Abranches, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa.

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