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Genocídio do povo yazidi deve ser reconhecido, diz vítima do Estado Islâmico

30 mai, 2017 - 15:03

Fareeda Khalaf foi capturada pelo Estado Islâmico mas conseguiu escapar e chegar à Europa, onde escreveu um livro sobre as suas experiências e os abusos que sofreu.
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A rapariga yazidi que conseguiu escapar das mãos do Estado Islâmico, Fareeda Khalaf, disse esta terça-feira à agência Lusa que a comunidade internacional tem de reconhecer que está em curso o “genocídio de um povo” do norte daquele país.

“A comunidade internacional tem de fazer duas coisas muito importantes: primeiro é preciso libertar as mulheres que ainda estão presas pelo [grupo extremista] Estado Islâmico e depois é preciso tomar acções concretas para que o caso dos yazidis seja reconhecido internacionalmente como um caso de genocídio, até porque não é a primeira vez que isto acontece”, disse à Lusa Fareeda Khalaf, de 22 anos, que participa nas Conferências do Estoril.

Para a jovem yazidi, minoria étnica e religiosa da zona de Mossul, norte do Iraque, os “criminosos responsáveis” por manter as mulheres como escravas sexuais e que estão a “matar o povo” devem ser julgados por um tribunal internacional que deve apurar, também, quais são as fontes de financiamento do EI.

“Mais importante que lutar no terreno contra os homens do Estado Islâmico é combater esta ‘ideologia’. Há gente, e eu não sei quem, que financia as ideias do Estado Islâmico e se não se lutar contra os financiadores, daqui a alguns anos, eles voltam a aparecer sob outro nome. Limitar o combate aos membros do ISIS (sigla também utilizada para designar o grupo extremista Estado Islâmico) que estão no terreno não é suficiente”, sublinhou.

Fareeda Khalaf que relatou os abusos a que foi sujeita pelo EI no livro “The Girl Who Beat ISIS” recordou perante os conferencistas reunidos no Estoril o cativeiro a que foi sujeita em 2014, a escravatura sexual as torturas e o momento em que conseguiu escapar.

“É sempre difícil contar a minha história. Sinto que ainda estou em cativeiro quando tenho de falar sobre mim. O meu pai sempre me disse que eu tenho de ser forte e, por outro lado, tenho a obrigação de difundir a mensagem. Penso sempre nas outras mulheres e raparigas que continuam presas e isso dá-me forças porque não estou a lutar apenas por mim mas também pelas outras mulheres”, explicou.

Fareeda Khalaf frisa a total falta de “segurança e protecção” do povo yazidi que actualmente está refugiado no estrangeiro ou que se encontra na situação de deslocado interno em território iraquiano.

Khalaf vive presentemente na Alemanha com o estatuto de refugiada mas alerta que muitos yezidis encontram-se ainda nos campos da Turquia e da Grécia em situação “muito precária” e que “deviam” ser acolhidos como refugiados nos restantes países da União Europeia.

“Às vezes penso voltar, mas o Iraque é impossível para os yazidis porque não temos protecção. A minha gente só pode voltar quando for protegida, um dia. No futuro”, disse, acrescentando que vai continuar a manter contactos com governos e organizações a nível internacional para conseguir reunir apoio para “um povo massacrado”.

“Eu sou vítima e testemunha de crimes e muitas outras raparigas também são testemunhas e a comunidade internacional deve apoiar-nos a provar que estamos a ser vítimas de genocídio”, frisou.

Actualmente calcula-se que existam 700 mil yazidis em todo o mundo, sendo que 500 mil habitavam as montanhas de Sinjar, na província de Mossul, no Curdistão iraquiano onde decorrem combates entre o EI e as tropas iraquianas apoiadas pelos Estados Unidos.

Comentários
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  • Orabem!
    30 mai, 2017 dequalquerlado 17:18
    É uma triteza! Como a mente do ser humano é podre! Nojenta! Estupida! A troco de quê, este genocídio? O que tem um yazidi de diferente destes monstros? Por serem mais bonitos? Por pensarem diferente? Que razões têm mais para os matar? Por serem indefesos? Que nojo, que raiva me dá estes bichos, ratos nojentos! correm com estas pessoas das suas casas para que depois vão para campos em condições desumanas, matam-nos sem motivo. Isto não tem qualquer raciocínio.... Depois são estes merdosos a dizerem que querem fazer atentados nos países dos outros porque a coligação anda a matar o seu povo? Como a rataza que fez o atentado no reino unido e que matou até crianças e jovens. Mas deviam mesmo exterminar todo este lixo. E todos estas bestas que vivem nos países que não são os seus ou mesmo os descendentes e que nasceram nos países da europa, ao minimo sinal era expulsar toda a família, mas não os idiotas dos liders e até do povo ainda os consentem até que chega o dia em que eles ceifam a vida a dezenas ou centenas. Para mim já quem é terrorista é quem apoia este lixo....como lideres e populares, são estes é que têm as mãos manchadas de sangue. Tanto terroristas como apoiantes são todos farinha do mesmo saco