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​Portugal precisa de imigrantes para ser um país sustentável

18 mai, 2017 - 06:30 • José Pedro Frazão

Um novo estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos conclui que o país precisa de saldos migratórios positivos para não agravar o envelhecimento da população, manter as necessidades de emprego e ajudar a equilibrar as contas da segurança social.
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Portugal precisa de ter mais entradas de imigrantes do que saídas de emigrantes para ser um país sustentável, conclui um novo estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).

“Portugal precisa de imigrantes e não pode perder tantos emigrantes”, lê-se nas conclusões do estudo “Migrações e Sustentabilidade Demográfica”, coordenado por João Peixoto, Daniela Craveiro, Jorge Malheiros e Isabel Tiago de Oliveira. Este estudo representa o primeiro trabalho em que são cruzados impactos em diversos sectores - na demografia, na economia e emprego e na segurança social.

O saldo migratório positivo é classificado como decisivo para não agravar o envelhecimento da população, para manter as necessidades de emprego e para travar uma diminuição substancial da população portuguesa. No entanto, a entrada de imigrantes não trava só por si o envelhecimento ou a deterioração das contas da Segurança Social. Os especialistas concluem que, mesmo com superavits de migrantes, o processo de envelhecimento da população portuguesa não será invertido em qualquer cenário estudado, sendo apenas atenuado.

Como manter Portugal com 10 milhões

A partir de dados do INE, de 2014, os autores do estudo estimaram os saldos migratórios necessários para manter a população e a população activa nos níveis de 2015 e para garantir a sustentabilidade da Segurança Social (tendo em conta o rácio entre a população em idade activa e os idosos).

Se não tivermos em conta as migrações, a população residente deverá reduzir dos actuais 10,4 milhões para cerca de 7,8 milhões em 2060.

“Este declínio será acompanhado pelo prolongamento do acentuado processo de envelhecimento, tanto no topo como na base da pirâmide etária, que se traduzirá numa redução dos jovens em 44%, dos adultos em 40% (decréscimo absoluto de 2,7 milhões) e num aumento da população idosa (idades iguais ou superiores a 65 anos) em 39% (aproximadamente mais 820 mil seniores) ”, prevêem os autores da análise.

Para manter a população actual, será necessário que o saldo migratório seja de 2,2 milhões entre 2015 e 2060, mas se nos fixarmos nas pessoas em idade activa (15 a 64 anos) o número é muito mais ambicioso e difícil de atingir: é preciso que haja mais 3,4 milhões de imigrantes do que emigrantes.

Em média, seria necessário um saldo migratório de 75 mil pessoas por ano para impedir que a dimensão da população em idade activa não diminuísse nos próximos 45 anos.

Também por isso as migrações não podem ser “estratégia única para compensar o envelhecimento e os problemas daí decorrentes”. Os autores concluem que é totalmente irrealista travar o envelhecimento dos portugueses exclusivamente com base na atracção de migrantes. Para contrabalançar o aumento do número de idosos, era preciso aumentar a população activa com base numa entrada massiva de imigrantes, na ordem de 590 mil pessoas ao ano até 2060.

Voltar ao início do século

Os autores simularam vários cenários económicos e demográficos e concluíram que a prevalência de imigrantes face aos emigrantes tem que estar no mínimo ao nível do que aconteceu na viragem para o século actual.

“A sustentabilidade demográfica, económica e social de Portugal, considerando um período prospectivo até 2060, requer um ‘input’ populacional correspondente a um saldo migratório positivo que, mesmo nos cenários mais desfavoráveis, se aproxima, no mínimo, dos valores mais elevados registados no recente período de atracção demográfica do país, situados entre finais do último decénio do século e primeiros anos do século XXI”, refere o estudo.

O estudo analisa ainda o impacto das chamadas “migrações de substituição” no mercado de trabalho.

Até 2020, a evolução da população sem migrações satisfaz as necessidades em termos de empregos pouco qualificados, mas, a partir deste período, “a situação inverte-se”, levando a que, em 2060, exista um défice entre 327 mil e 718 mil trabalhadores. O estudo mostra ainda que a classe de trabalhadores que mais vai escassear a partir já de 2020 é dos "altamente qualificados", com conclusão do ensino superior. Vai haver sempre défice deste tipo de trabalhadores até 2060, dizem os autores do estudo.

Imigrantes ajudam a pagar pensões

Os autores do estudo estimaram ainda os saldos migratórios necessários para manter a população e a população activa nos níveis de 2015 e para garantir a sustentabilidade da Segurança Social (tendo em conta o rácio entre a população em idade activa e os idosos).

A entrada de migrantes é positiva para o sistema de pensões de velhice da Segurança Social, mas insuficiente para só por si tornar positivas as contas do sistema de Segurança Social. Com migrantes a ajudar, o saldo financeiro negativo da Segurança Social chega aos 8,8 milhões de euros em 2014. Mas sem a ajuda das migrações, seria de 11,6 milhões de euros.

O estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos intitula-se “Migrações e Sustentabilidade Demográfica” e é coordenado por João Peixoto, Daniela Craveiro, Jorge Malheiros e Isabel Tiago de Oliveira. Será formalmente apresentado na segunda-feira e é debatido no próximo programa "Da Capa à Contracapa", sábado, às 9h30 da manhã na Renascença, em parceria com a FFMS.

Comentários
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  • António Alves
    17 mai, 2018 09:43
    Tratem bem os Portugueses e não necessitarão de imigrantes.
  • Alexandre
    17 mai, 2018 Leiria 09:01
    Idiotas com estudos idiotas, para satisfazer uma elite vazia e vendida. Um estudo que logo à partida é indefensável, porque a chegada de migrantes a um País sem trabalho só vai acarretar custos sociais; ou vão viver do ar, até arranjarem um emprego que não há. Para se escalar em Portugal só é preciso ser-se idiota e um vendido!!
  • Alexandre
    17 mai, 2018 Leiria 09:00
    Idiotas com estudos idiotas, para satisfazer uma elite vazia e vendida. Um estudo que logo à partida é indefensável, porque a chegada de migrantes a um País sem trabalho só vai acarretar custos sociais; ou vão viver do ar, até arranjarem um emprego que não há. Para se escalar em Portugal só é preciso ser-se idiota e um vendido!!
  • Thiago C. Silva
    15 dez, 2017 Rio de Janeiro 01:09
    Olá a todos! Infelizmente o país está recorrendo a ajuda imigratória, porém acho muito interessante da parte do governo português em querer mais estrangeiros. Aos amigos portugueses que, acham que estrangeiros irão estragar o país levando criminalidade.. Amigos, falo por mim que sou brasileiro. Pretendo ir com minha família para Portugal até o ano de 2019, e minhas intenções são as melhores. Ao meu ver, mesmo com alguns problemas que o país está passando no momento, ainda sim está sendo melhor do que o Brasil. Ficarei muito feliz em ser um dos milhares de estrangeiros a ajudar Portugal a se estabelecer economicamente. Procuro paz e qualidade de vida para minha família e , acredito que Portugal é um país com essas qualidades. Que possamos unir forças para tornar Portugal ainda melhor. Abraços e até breve!!!
  • Daniel Nascimento
    12 dez, 2017 Belém 21:47
    Vou ajudar Portugal migrando em 2018 com minha esposa e nossos 02 filhos, uma menina de 12 anos e um menino de 04 anos, será mais uma força de trabalho para o país, mas não vou em busca de emprego, já tenho empresa no Brasil e pretendo abrir uma empresa no mesmo ramo em Portugal, esperamos que dê tudo certo.
  • Rogério Rizzo
    07 ago, 2017 Brasil 00:11
    Os portugueses que se preocupam com essa "abertura"tem toda razão. Portugal é um pais pacífico,organizado com sua grande maioria de pessoas educadas e de bons modos. Eu como brasileiro sonho com a linda cidade do Porto, com os encantos de Lisboa, com a história que envolve nossos povos mas que deseja a Portugal que as pessoas que escolham esse pais para viver, possam contribuir para o crescimento dessa terra.
  • PEDRO PINTO
    25 jul, 2017 LISBOA 12:03
    SERA MAIS FACIL E PRESTIGIANTE PARA O GOVERNO PORTUGUES JUNTO DOS SEUS CIDADAOS CRIAR CONDICOES PARA QUE NAO HAJA TANTA EMIGRACAO. GOSTARIA DE VER UM ESTUDO SOBRE O QUE FAZER PARA QUE NAO TIVESSEM DE EMIGRAR TANTOS PORTUGUESES. ESTARIAMOS A PROMOVER A SUSTENTABILIDADE RESPEITANDO QUEM JA É PORTUGUES.
  • Pedro Silva
    14 jul, 2017 Porto 04:03
    Temos que ver as características económicas e sócio culturais do nosso país e de forma alguma não desestabilizar essas mesmas e o estado "relativamente pacífico" da nação aceitando imigrantes de ideologias fascistas, imperialistas e intolerantes. Deixe-se entrar quem por direito "queira trabalhar, respeite os nossos valores e não venha para usar dos nossos subsídios ou boa vontade" porque não temos esses mesmos subsídios a maior parte das vezes para a dar aos nossos cidadãos quanto muito a sanguessugas que queiram vir aproveitar-se de rendimentos "oferecidos" e/ou de injecções de capital da UE para apoio a imigrantes ( ou refugiados/invasores económicos) . Portugal já está cheio de problemas que chegue e num poço fundo o suficiente e, para mais, somos demasiado simpáticos e de brandos costumes, que nos veria a acatar as mais ridículas atitudes de vassalagem por parte da classe governante em favor da entrada de imigrantes para agradar a certos políticos auto-endeusados Europeus e a Bruxelas. O nosso país já tem estado a crescer muito nos últimos anos no que diz respeito à procura estrangeira de um destino turístico pacífico e acessível ( e em contrapartida imensas pessoas estão a ser colocadas fora das suas casas para dar lugar a Hostels e outros negócios Goumets que tais e os centros de cidades históricas estão a ser esvaziadas dos seus moradores tipo - Porto). Dêm condições aos nossos jovens para ficar e ponto. O resto são fait divers e lateralidades de circunstância.
  • Joaquim
    29 jun, 2017 Setubal 13:27
    Mandem vir mais Brasileiros..... e já agora poderiam incorporá-los na G.N.R. heheheheheh e depois admirem-se... De Acordo Mário Guimarães
  • VIRIATO
    22 mai, 2017 CONDADO PORTUCALENSE 14:28
    Sabem porque razão querem eles imigrantes a granel no nosso país?...a resposta está no facto, que os imigrantes que entram no nosso país não são qualificados e por isso são mão de obra barata que vai fazer com que as grandes empresas não tenham que pagar a Portugueses um salário maior para fazer face ao seu nível de vida. Para além disso, estes imigrantes trazem também consigo mais pobreza, para a acrescentar à que já existe. Os passos coelhos da vida, não dizem inocentemente para os nossos filhos com elevado grau académico emigrarem...não, faz parte da estratégia destes parasitas, da tal livre circulação selvagem de pessoas e bens no espaço da U.E., que vai servindo as alemanhas e franças que com a nossa emigração qualificada eles próprios também, poupam no pagamento de salários que os franceses e alemães se recusam a auferir por causa do seu elevado nível de vida. Depois disto tudo há as zaras, as primarks, hm´s e podia estar aqui o resto da tarde a enumerar e a nomear as empresas agiotas que através dos bangladeshs, das malásias, dos vietnames, das singapuras, dos palops e outros mais, enriquecem e acumulam riqueza e depois fogem com ela para os paraísos fiscais... e o povo continua entretido com futebóis, telenovelas e os big bros que impestam e inundam as mentes dos povos...e eles a encherem os bolsos. Viva o nacionalismo Português e viva Portugal