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Comandos portugueses resgatam bispo de ataque na República Centro-Africana

17 mai, 2017 - 18:33 • Ana Rodrigues

Dezenas de pessoas foram mortas durante um ataque no domingo, quando o prelado espanhol ajudava milhares de muçulmanos a refugiarem-se numa catedral e no seminário local. Voluntária portuguesa relata situação muito crítica em Bangassou.

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Comandos portugueses, que estão na República Centro-Africana ao serviço das Nações Unidas, participaram no salvamento do bispo de Bangassou, Juan Jose Aguirre, avança o jornal espanhol “Religión Digital”.

Dezenas de pessoas foram mortas durante um ataque no domingo, quando o clérigo espanhol ajudava milhares de muçulmanos a refugiarem-se numa catedral e no seminário local.

O bispo Juan Jose Aguirre saiu ileso do ataque, mas a pessoa que ia ao seu lado foi atingida por disparos e morreu.

O prelado dos Missionários Combonianos tem feito a protecção de milhares de muçulmanos perseguidos pelas milícias locais naquela região do país, a cerca de 700 quilómetros da capital Bangui.

Contactado pela Renascença, o Estado Maior General das Forças Armadas não confirma nem desmente a intervenção da força portuguesa nesta operação em concreto, mas admite que a força nacional destacada na República Centro-Africana tem tido uma actividade operacional intensa naquele teatro de operações.

Confirma ainda que os comandos portugueses, por serem uma força de reacção rápida, são os primeiros a serem projectados para resolver uma situação de crise.

Nesta altura, os comandos portugueses já estão de regresso à base de Bangui para fazer o reabastecimento e ficar em “stand by” para nova projecção.

A força destacada na República Centro-Africana é composta por 160 militares, dos quais 90 comandos, esteve envolvida num intenso combate contra um grupo de rebeldes armados, conseguindo travar o seu deslocamento em direcção a uma importante cidade, Bambari.

Foi a primeira vez que a força portuguesa esteve numa situação de combate directo desde a sua chegada àquele país, em Janeiro.

O processo de paz na República Centro-Africana está a ser controlado pela força das Nações Unidas, a Minusca, onde os comandos estão integrados. Este trabalho da força portuguesa mereceu um louvor pelo comandante da Minusca.

Voluntária portuguesa relata situação muito crítica

Em declarações à Renascença, Ana Franco Sousa, uma portuguesa que trabalho numa organização humanitária no local, confirma o ataque em Bangassou.

“A informação que eu tive foi que o bispo foi à mesquita, tentou salvar e salvou bastantes pessoas, levou alguns feridos para um hospital. Depois começaram tiroteios e eu não tenho informação do que aconteceu a seguir. As comunicações com Bangassou não estão muito fáceis.”

Ana Franco Sousa saiu da cidade antes da chegada dos militares portugueses e esta é a última informação que recebeu: “No dia 5 de Maio eles ainda estavam em Bambari. A Minusca tinha informado que ia reforçar o batalhão deles, porque ele estavam com um batalhão só de 150 pessoas, e queriam reforçar para cerca de 700, mas o reforço não foi feito até eu me ir embora”.

A portuguesa diz que, depois de três anos de paz, Bangassou está agora completamente destruída.

“Queimaram casas, destruíram lojas. Não sei se isto se deve à Minusca ter intervindo, mas ontem os tiroteios foram mais suaves e conseguimos pôr uma clínica móvel na missão católica, onde estão cerca de 200 refugiados, e outros 250 na mesquita”, conta Ana Franco Sousa.

A voluntária explica que o maior problema são os feridos que não conseguem aceder a cuidados médicos, devido às condições de segurança.

[notícia actualizada às 15h15 de quinta-feira]

Comentários
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  • PAULA SILVA
    19 mai, 2017 LX 10:59
    ORGULHO DESTES MILITARES! Não foi apenas o Bispo que foi salvo...milhares de civis também! E com certeza NÃO FOI : "Foi a primeira vez que a força portuguesa esteve numa situação de combate directo desde a sua chegada àquele país, em Janeiro."!!!!!!
  • Paulo A S Dias
    18 mai, 2017 Bogota Colombia 17:33
    ainda bem que nos quando nos deslocamos para fazer trabalho humanitario temos tropas para nos proteger nao e facil fazer este trabalho mas faz se por amor e tentar ter um mundo melhor porque no final quem sofre sao pesspouas inocentes que nao tem para onde fugir excelente trabalho dos nossos soldados como forca de protecao da ONU por todo o mundo incluindo Colombia onde me encontro de momento em trabalho Humanitario
  • ZeCarlos
    18 mai, 2017 Coina 15:39
    Sr Tobias, o senhor não sabe mas vou explicar: A Republica Centro-Africana foi tomada de assalto por terroristas islâmicos em 2013 e instalou-se um muçulmano como "presidente". Os "anti-balaka" são milicias de defesa que continuam a sua retaliação contra islamitas. Claro que vão haver civis injustiçados. O meu comentário foi contra a politica da ONU de defender "muçulmanos" e ignorar a chacina de cristãos.
  • Mário Guimarães
    18 mai, 2017 Lisboa 11:49
    Quem preparou a nossa realeza abrilêsca foram os franceses .Desde Mário"O Suares" até Pinto de Sousa que se refugiou em Paris com livros de Filosofia francesa em França . Quem controlou Sá Carneiro e outros. Os patrões são franceses e convém mostrar serviço à França. Os Comandos que arrisquem o pêlo para defenderem os interesses franceses já que pouco em Portugal é português. Grandes vigaristas!
  • Mário Guimarães
    18 mai, 2017 Lisboa 11:02
    O que é que os militares portugueses fazem aqui ? Não defenderam o que era português e agora vão defender os interesses de quem nos tramou? O que é que os missionários vão fazer aqui ? Converter as pedrinhas da calçada?Chega de vigarice e de enganar as pessoas !
  • Manuel
    18 mai, 2017 Lisboa 09:38
    O Bispo protegia muçulmanos e estava sequestrado por quem?
  • Fernando de Almeida
    18 mai, 2017 Porto 01:12
    Em 1968/69 estive na Guiné . Fiz a guerra no sector sul .O nosso Comandante era o "CACO BALDE'" aqui conhecido por General Spinola.O comandante do IN era o lenda'rio NINO. Eram tempos de jogo violento do gato e do rato. Nessas andanças conheci um mulçumano de nome Saidi.: Homem GRande que não esqueço. Para o seu Filho, Oficial do Exercito Portugu^es e Comando, neste momento na Republica Centro Africana, o meu abraço. Para a escumalha que, por vezes, aqui aparece o meu profundo desprezo
  • Miguel Madeira
    18 mai, 2017 Portimão 00:42
    José Gomes L, a milicia em questão parece ser uma aliança de cristãos e animistas: https://en.wikipedia.org/wiki/Anti-balaka
  • Lília Correia
    18 mai, 2017 Parede 00:37
    Toda a minha admiração aos voluntários de Médicos sem Fronteiras e todos os outros que se vão meter em situações de conflito onde podem perder a vida para ajudar os que sofrem enquanto eu fico a comentar. Bem hajam!
  • Kapa
    17 mai, 2017 lisboa 23:45
    Mais uma vez dentro desta missão os Comando são chamados a intervir no duro, em combate. Por cá os que defendiam que esta Força Militar devia acabar continuam no ar condicionado.Os deputados e aquelas flores que atacam ficam calados e vão apanhar sol para a praia,bebendo umas águas bem frescas.