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Papa apresenta-se em Fátima como "bispo vestido de branco" e "peregrino da esperança"

08 mai, 2017 - 12:20 • Filipe d'Avillez , Aura Miguel

O Vaticano divulgou a oração que o Papa Francisco fará na Capelinha das Aparições.
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O Papa Francisco apresenta-se em Fátima como “peregrino da luz”, “peregrino da paz”, "peregrino da esperança” e "bispo vestido de branco". As palavras constam da oração que o Papa fará na Capelinha das Aparições, na tarde de sexta-feira, divulgada esta segunda-feira pelo Vaticano.

Na oração, Francisco dirige-se longamente a Nossa Senhora, inspirando-se nas palavras do Salve Rainha.

“Peregrino da luz que das tuas mãos nos vem, dou graças a Deus Pai que, em todo o tempo e lugar, actua na história humana; peregrino da paz que neste lugar anuncias, louvo a Cristo, nossa paz, e para o mundo peço a concórdia entre todos os povos; peregrino da esperança que o Espírito alenta, quero-me profeta e mensageiro para a todos lavar os pés, na mesma mesa que nos une”, diz o Papa.

Nesta primeira intervenção do Papa em Fátima, as ideias fortes serão a actuação de Deus na história da humanidade, o apelo à paz e à concórdia e o desejo de unidade com outros cristãos que se sentam à "mesma mesa que nos une".

Na segunda de cinco partes que compõem a oração o Papa identifica-se como “bispo vestido de branco”, remetendo para a terminologia usada no terceiro segredo de Fátima, revelado publicamente no ano 2000, durante a visita do Papa João Paulo II, em que Lúcia diz ter visto um “bispo vestido de branco” que é atingido a tiro por soldados.

“Neste lugar onde há cem anos a todos mostraste os desígnios da misericórdia do nosso Deus, olho a tua vete de luz e, como bispo vestido de branco, lembro todos os que, vestidos da alvura baptismal, querem viver em Deus e rezam os mistérios de Cristo para alcançar a paz.”

"A Igreja vestida de branco"

A terceira parte da oração faz uma referência directa ao Imaculado Coração de Nossa Senhora que "vê as dores da família humana que geme e chora neste vale de lágrimas. No mais íntimo do teu ser, no teu Imaculado Coração, adorna-nos do fulgor de todas as jóias da tua coroa e faz-nos peregrinos como peregrina foste Tu."

Mais adiante, o Papa evoca o exemplo dos pastorinhos Francisco e Jacinta, que serão canonizados no dia seguinte, referindo vários termos que se tornaram frequentes durante o seu pontificado, como a revolta contra os muros que dividem e a preocupação pelas periferias.

“Faz-nos seguir o exemplo dos Bem-aventurados Francisco e Jacinta, e de todos os que se entregam à mensagem do Evangelho. Percorreremos, assim, todas as rotas, seremos peregrinos de todos os caminhos, derrubaremos todos os muros e venceremos todas as fronteiras, saindo em direcção a todas as periferias, aí revelando a justiça e a paz de Deus.” O Papa pede refere-se ainda aos cristãos perseguidos, cujo sangue "branqueia a Igreja", considera o Papa. "Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja vestida de branco, da alvura branqueada no sangue do Cordeiro derramado ainda em todas as guerras que destroem o mundo em que vivemos".

A longa oração do Papa Francisco culmina com a sua própria consagração: "Unido aos meus irmãos, na Fé, na Esperança e no Amor, a Ti me entrego. Unido aos meus irmãos, por Ti, a Deus me consagro, ó Virgem do Rosário de Fátima. E, enfim, envolvido na Luz que das tuas mãos nos vem, darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos".

Os conteúdos destas orações do Papa raramente são divulgadas com tanta antecedência.

O caderno litúrgico inclui também a fórmula de canonização que será usada no sábado para a canonização propriamente dita dos pastorinhos, mas esta será a fórmula base usada em todas as canonizações.

“Para honra da Santa e Indivisível Trindade, para exaltação da fé católica e incremento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, depois de termos longamente reflectido, implorado várias vezes o auxílio divino, e ouvido o parecer de muitos irmãos nossos no Episcopado, declaramos e definimos como Santos os Beatos Francisco Marto e Jacinta Marto, e inscrevemo-los no Catálogo dos Santos, estabelecendo que, em toda a Igreja, sejam devotamente honrados entre os Santos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

A partir do momento em que são declaradas estas palavras, os pastorinhos Francisco e Jacinta serão santos da Igreja Católica.

O Papa chega a Monte Real por volta das 16h de sexta-feira e segue directamente para Fátima e fica durante cerca de 22 horas. Todas as celebrações e encontros serão transmitidos pela Renascença em formato digital no site e em directo.

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